O património de Aldina Duarte

Cerca de dois meses depois de o fado ter passado a património imaterial da humanidade, Aldina Duarte chega a Macau para dois concertos em que presta tributo ao estilo musical. Um é já hoje, na Universidade de Macau, o outro é amanhã na Casa do Mandarim, também ela parte da lista da UNESCO.

São essencialmente temas do seu novo álbum “Contos de Fados” que Aldina Duarte traz a Macau, ainda que os dois concertos tenham repertórios diferentes. Convidada musical do I Festival Literário de Macau – Rota das Letras, a fadista apresenta um trabalho com uma forte componente literária. As letras de “Contos de Fados” são da autoria de escritores portugueses. O poema de abertura, “A Balada do Café Triste”, escrito por Pedro Mexia, é uma espécie de síntese de todo o álbum. “Que Amor é Este?” foi escrito pela própria, a partir do romance  “O Eterno Marido”, do russo Fiódor Dostoiévski.

“Aldina representa aquilo que o fado é, o que de mais genuíno tem”, refere o agente da cantora, Paulo Brandão, salientando o sucesso deste último trabalho entre o público português. Há dias, a fadista esteve em palco com António Zambujo, em Guimarães, este ano capital europeia da cultura, num concerto “sem redes” que Brandão assegura ter conquistado o público.

Da cidade-berço, a cantora voou para ‘o último território do império’. “Vir a Macau quando o fado passou a património imaterial da humanidade triplica a responsabilidade”, confessa o agente. Na RAEM não vai estar apenas Aldina, diz, “mas o fado que Aldina representa”.

Parte da magia do fado reside nas letras e na emoção tão própria que elas transmitem. Assim, a barreira linguística poderá representar uma dificuldade na comunicação com o público asiático. A questão, no entanto, não preocupa a cantora, que acredita na universalidade do fado e na sua capacidade de “mexer com as pessoas”. Em relação aos portugueses, que prevê estarem na audiência, Aldina Duarte acredita que se irão comover. “Disse-me que tinha a certeza que vão chorar. E os outros também, por contágio”, conta Brandão.

A cantora está “muito feliz de vir a Macau”, refere. “Cantar fora da Europa é uma coisa muito especial”, diz o agente. Cantar na Ásia “é um objectivo de carreira”, que vem do “desejo de cantar para alguém que é completamente diferente de nós”, explica, lançando a derradeira comparação: “O mesmo se passou com Amália”.

O concerto de hoje realiza-se pelas 21h na Universidade de Macau. Os bilhetes custam 200 patacas. Amanhã, Aldina Duarte está na Casa do Mandarim, às 20h30. I.S.G.

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