Febre a arrefecer

Antes custavam 80 patacas; agora valem 40. O Governo anunciou a emissão de mais notas do dragão e a notícia teve impacto no mercado paralelo. Quem tiver dinheiro inflacionado debaixo do colchão, será melhor ver-se livre dele.

Stephanie Lai

O Governo autorizou a emissão de mais 40 milhões de notas de dez patacas comemorativas do Ano Lunar do Dragão, mas os exemplares emitidos pelo BNU e pelo Banco da China continuam a ser transaccionados a preços acima do valor facial. O fenómeno da especulação das notas do dragão começou por ser notado no Continente, mas também se verifica em Macau. O deputado Ho Ion Sang, que trabalha no Banco da China, considera que o Governo e as entidades emissoras devem comunicar e estabelecer formas de evitar a especulação.

Uma nota de dez patacas emitida pelo Banco da China custa, no mercado paralelo, entre 40 a 55 patacas. Já as do BNU não estão tão valorizadas – mas ainda assim podem valer 27 patacas. Os números são tornados públicos pelas pessoas que estão a fazer negócio com as notas: há anúncios publicados em jornais e é possível adquirir as patacas do dragão através da Internet.

Os vendedores de notas compram-nas em maços de 100, com números de série, sendo que os do Banco da China custam entre 5500 e 5600 patacas. Estão também à venda conjuntos de mil notas (organizadas pelo códigos de série), que valem cerca de 50 mil patacas. Há ainda quem agrupe notas do BNU e do Banco da China em pares – os três últimos dígitos são os mesmos.

Um vendedor de notas, de apelido Chan, explica por que são as notas do BNU menos valiosas: “Custam metade do que as emitidas pelo Banco da China porque estas são mais populares entre os compradores do Continente, por norma de Pequim e de Xangai”, afiança. “Além disso, o BNU tem mais notas disponíveis.”

A febre das notas do dragão desceu desde que o Conselho Executivo anunciou, na passada sexta-feira, que tinha sido autorizada a emissão de mais 40 milhões de unidades (20 milhões por cada banco). Segundo Chan, a notícia foi seguida de uma descida dos preços de venda. “Antes, chegava-se a vender uma nota por 80 patacas, mas agora o preço caiu bastante – e muda a cada duas ou três horas”, diz. “Aconselharia quem tem um maço de 100 na mão a vendê-lo rapidamente antes que o preço desça ainda mais.”

Não é a primeira vez que a emissão de notas especiais causa uma corrida aos bancos e uma onda de especulação: verificou-se um fenómeno semelhante por altura do Jogos Olímpicos de 2008, quando as entidades emissoras de moeda decidiram assinalar o evento realizado em Pequim, recorda o deputado à Assembleia Legislativa Ho Ion Sang. A diferença, prossegue, é que desta vez a febre gerada junto da população foi subestimada pelo Governo e pelos próprios bancos, que foram surpreendidos com o que aconteceu.

“Desde a emissão das notas do dragão que até há pessoas que vão ao banco com carrinhos de compras!”, explica o deputado dos Kai Fong. “Não me parece que a Administração possa controlar totalmente a especulação que se está a verificar. Mas com certeza que a Autoridade Monetária de Macau deve começar a investigar eventuais irregularidades envolvidas em transacções que envolvem maços e maços de notas”, defende Ho.

Por norma, os bancos emitem notas aquando do Ano Novo Lunar – manda a tradição que nos lai-si estejam unidades novas. Mas foi a primeira vez que se decidiu avançar com uma nota comemorativa do Ano Novo Chinês. A ideia é para ser aplicada aos restantes 11 signos do zodíaco chinês. Ho Ion Sang deixa um conselho: “Será melhor que os bancos anunciem as emissões com um mês de antecedência”.

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