Um mercado, uma oportunidade

Ásia, Médio Oriente e América do Sul são os principais pontos do globo onde se encontram mercados emergentes. Contudo, nem todos os investimentos ali realizados são rentáveis. Farzad Alvi explica porquê.

Em busca da oportunidades de negócio ideal e de receitas rentáveis, milhares de empresas mundiais apostam nos chamados mercados emergentes, situados, em grande parte, no continente asiático e nas regiões do Médio Oriente e da América do Sul. Apesar das expectativas, nem todos os projectos erguidos garantem retorno para quem investe. A razão, diz o professor universitário Farzad Alvi, é simples: “É necessário encontrar mercados que encaixem no perfil e nas estratégia das empresas, e não o contrário”.

Na opinião do docente do Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey (México), que conduziu ontem uma palestra na Universidade de São José, a descentralização de um projecto empresarial deve ter muito de “visão”. Isto quer dizer que “um mercado emergente deve ser interpretado, e em especial pelas empresas, à luz de uma estratégia”.

Ao que parece, é aqui que muitas empresas falham. E na base deste insucesso estão “pressupostos incorrectos”. “Os mercados emergentes podem ser definidos de diferentes formas. Para um economista, é tido em conta o crescimento económico, o Produto Interno Bruto. Na minha opinião, a abordagem deve ser diferente. Em primeiro lugar, não podemos pensar no mercado em si”, indica Alvi.

“Não interessa se é uma multinacional norte-americana, europeia ou chinesa. A questão é o que acontece quando se ultrapassam fronteiras e que abordagem se deve ter”, explica o doutorado de Cambridge que se encontra envolvido em investimentos socialmente responsáveis na América do Sul. “Uma oportunidade”, considera, que passa pelas áreas da habitação, agricultura e energias verdes, uma vez que “é o apropriado” tanto para o fundo de que faz parte, como para as populações que ali habitam.

O erro ali ao lado

Para aqueles que consideram os mercados indiano e chinês como os mais apetecíveis, Farzad Alvi aconselha cautelas. Primeiro, porque “existe um certo hype em relação à Índia e o mercado não está aberto a tudo”. Depois, “várias pessoas do sector bancário que conheço na Ásia dizem que as coisas podem complicar-se na China”.

Mesmo assim, muitos são aqueles que arriscam e, no caso de grandes empresas, existem casos de apostas falhadas. “O Banco ABN AMRO, na África do Sul, a Whirlpool e a Dell na China ou a L’Oréal na Índia não entenderam que deveriam ter moldado a estratégia a que se propunham ao contexto local”, comenta o académico.

Apesar de tudo, algumas das empresas citadas por Alvi acabaram por se manter no mercado, mudando, por exemplo, as suas estratégias de marketing e comunicação (caso da L’Oréal). Outras, no entanto, não tiveram a mesma sorte e acabaram por registar prejuízos (ABN AMRO). P.G.

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