Macau a fazer swap para a lusofonia

As novidades estão para breve, diz a Autoridade Monetária de Macau. O banco central chinês fez saber que queria usar o sector financeiro local para a conversão em yuan das contas que tem com os países de língua portuguesa.

Maria Caetano

Ainda não há novidades concretas relativamente à revisão do acordo de regularização de operações em yuan, celebrado entre Macau e o Continente, e que tem vindo a ser alargado gradualmente com maiores possibilidades de utilização da moeda chinesa no território. Mas as notícias estarão para breve, antecipa a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Em Novembro, o Banco Popular da China deu conta da intenção de ter a região administrativa especial como uma plataforma para normalizar a contabilidade das trocas comerciais e de investimento entre o país e os parceiros de língua portuguesa. E, tudo indica, falta pouco.

“Estão a ser seguidos os procedimentos necessários e, esperançosamente, alguns resultados podem materializar-se num futuro não muito distante”, de acordo com resposta da AMCM a este jornal, numa altura em que as autoridades centrais já fizeram saber que pretendem alargar as possibilidades de recurso ao yuan nas operações transfronteiriças.

Pequim tem actualmente estabelecidos 14 acordos de regularização contabilística em yuan, os chamados acordos swap, tendo Hong Kong e Macau como primeiros signatários, e também várias nações do Sudeste Asiático, a Islândia, a Argentina e a Bielorrússia.

Os entendimentos permitem que os bancos e agências de investimento dos países e regiões signatários possam realizar com o volume de trocas em yuan investimento no mercado inter-bancário do Continente. Existem actualmente dez tipos de títulos abertos ao investimento a partir de fora, incluindo obrigações do Tesouro e outras emitidas pelos bancos estatais chineses.

A iniciativa de liberalização de operações em yuan foi tomada pelo Governo Central após a crise financeira de 2008, com vista à internacionalização da moeda chinesa e à redução da dependência do país do dólar norte-americano. Ao mesmo tempo, o Banco Popular da China tem vindo a diversificar a sua reserva em moeda externa.

As trocas comerciais realizadas na moeda chinesa atingiram no ano passado 2,08 biliões de yuan. Já o investimento directo alcançou 110,9 mil milhões de yuan.

No que diz respeito à RAEM, recorde-se, a AMCM esteve reunida com responsáveis do banco central chinês em meados de Novembro, dando então conta de medidas de estímulo a Macau “para se transformar numa plataforma de regularização das operações em yuan entre a China e os países de língua portuguesa”.

Os organismos reguladores reconheceram então a necessidade de “negociações sobre a prática em concreto, nomeadamente, a revisão pontual do protocolo de regularização celebrado, no sentido de promover a respectiva implementação com a maior brevidade possível”.

Na reunião, o Banco Popular da China viabilizou também o investimento da reserva financeira da RAEM em yuan, dizendo não haver obstáculos políticos à concretização da possibilidade. A AMCM está ainda a estudar eventuais aplicações.

“No que diz respeito ao processo de gestão das reservas, a AMCM, como sempre, analisa a situação actual dos mercados financeiros internacionais para avaliar o valor relativo de cada alternativa de investimento para alcançar um conjunto de títulos equilibrados através da viável diversificação de portefólio”, afirma o organismo.

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