Vólei da China foi a grande desilusão

Macau organizou a fase final do Grande Prémio de Voleibol Feminino. A China era uma das favoritas, mas terminou em último. O Open de Golfe regressou a Coloane. Na Maratona bateram-se recordes.

Vítor Rebelo

O voleibol esteve em destaque neste ano desportivo, isto no que diz respeito a acontecimentos de carácter internacional efectuados nos recintos do território.

O Grande Prémio Mundial Feminino há vários anos que atrai muitos adeptos aos pavilhões, principalmente porque aqui se deslocam selecções de prestígio. A China é o organizador do evento e tem sempre, por isso, a presença garantida na fase final, independentemente da sua classificação na fase regular, em várias cidades.

Era grande a expectativa da comunidade chinesa para a discussão do título, no pavilhão do Macau Dome, mas as chinesas constituíram uma enorme desilusão, terminando em oitavo e último lugar. A prova foi ganha pelos Estados Unidos que surpreenderam na final o Brasil, forte candidato, por três sets a zero. O jogo foi equilibrado como mostram os parciais, 26-24, 25-20 e 25-21.

A China foi derrotada pela Itália no seu derradeiro desafio.

Golfe com patrocínios

Depois de um ano de ausência, por falta de patrocínios, regressou o Open de Golfe ao relvado do Country Club de Coloane. Não houve nomes sonantes nem nenhum golfista posicionado entre os melhores 50 do mundo. O triunfo foi, com alguma surpresa, de Chan Yih-shin, com um total de 270 pancadas, 14 abaixo do par do campo. Classificaram-se logo a seguir, o australiano David Gleeson (273) e o tailandês Thaworn Wiratchant (274).

Segundo o vice-presidente do Instituto do Desporto, José Tavares, a continuidade do Open não está assegurada, “mas começam a surgir mais patrocinadores e é bem possível, se continuar a haver investimento, que a competição seja uma realidade em 2012.”

Um pouco em segredo, entretanto, passaram por Macau, no mês seguinte, Outubro, jogadores de topo de hierarquia mundial, para participarem num torneio inovador, o Shui On Lan Challenge China, organizado por uma empresa de imobiliário sediada em Xangai.

O evento contou com Lee Westwood, Rory McIlroy, Ian Poulter e Liang Wen-chong, com confrontos entre os quatro em sete cidades da China, fechando no relvado do Caesers  Golf de Macau. Ganhou o britânico Westwood.

Maratona de recordes

Em grande esteve este ano a edição 30 da Maratona Internacional, considerada como a melhor de sempre, que integrou, como habitualmente, mais duas corridas, a Meia e a Mini Maratona. Registou-se um número recorde de inscritos, seis mil, representando 59 países ou regiões.

Na distância rainha, 42 quilómetros e mais alguns metros, o aumento dos prémios monetários terá “puxado” mais atletas de bom nível, principalmente o contingente africano. E assim estavam reunidas as condições para recordes de percurso, obtidos tanto nos homens como nas mulheres.

As vitórias foram para o Quénia, através de Stephen Chemlany no sector masculino (2.12.49) e Rose Chesire (2.31.28) na prova feminina.

Com a autêntica “revolução” de tempos, os vencedores levaram mais dinheiro para casa e prometem voltar no próximo ano, isto se a maratona se realizar. Há algumas dúvidas relativamente ao percurso, uma vez que vão iniciar-se as obras do metro ligeiro e a organização reconhece que vai ter grandes dificuldades para estipular um novo trajecto.

Karting prepara Mundial

Quase certo em Macau, em 2012, está, no entanto, o Mundial de Karting. A confirmar-se será a segunda vez que isso acontecerá, depois das corridas de 2009. A Federação Internacional já deu o sim à RAEM e agora só faltará a oficialização do apoio por parte do Governo, para as indispensáveis verbas. Uma notícia dada por José Tavares, no decorrer do Grande Prémio de Karting, efectuado já em Dezembro.

Nas classes principais, as mais potentes, o japonês Daiki Sasaki ganhou em KF1 e o dinamarquês Nicklas Nielsen em KF3, onde o piloto de Macau Chang Wing Chun foi sétimo.

Outros elementos de Macau também se distribuíram por diversas categorias, destacando-se João Carlos Afonso, 15º entre 36 inscritos na Fórmula 125 Sénior.

De referir que já em Julho Macau tinha levado a efeito no kartódromo de Coloane, a primeira jornada (de cinco) integradas no Campeonato Ásia Pacífico da modalidade.

Velocidades na Guia

O Grande Prémio de Macau atingiu a bonita idade de 58 anos, com corridas de carros e motos. A Fórmula 3 teve no espanhol Daniel Juncadella a grande sensação, ele que não era favorito, mas acabou por manter uma excelente regularidade, tirando também partido dos azares de terceiros. O brasileiro Felipe Nasr foi segundo e o alemão Marco Wittman terceiro. O português António Félix da Costa não terminou.

O mesmo aconteceu com André Couto na Corrida da Guia, mais uma vez fechando o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo, WTCC. O piloto de Macau não tem sido feliz nos últimos anos, voltando a ceder o motor do Seat. Quanto a Joe Merszei, andou nitidamente a poupar o carro e conseguiu terminar, para assim garantir um maior apoio financeiro para 2012.

Tiago Monteiro, de Portugal, ficou aquém das expectativas. Foi protagonista de um acidente na primeira manga e terminou em oitavo na segunda. As duas corridas foram ganhas pelo britânico Robert Huff, em Chevrolet, que tudo tentou para chegar ao título absoluto do campeonato. O francês Yvan Muller, igualmente da Chevrolet, geriu a vantagem com que chegou a Macau e tornou-se de novo campeão.

Fortuna para Macau

Nas restantes provas do programa, Macau voltou a ganhar no duelo com Hong Kong no Interport, Troféu Hotel Fortuna. Colocou dois pilotos nos dois primeiros lugares, com o triunfo de Chou Keng Kuan, à frente de Álvaro Mourato. Rodolfo Ávila andou entre os concorrentes da Taça GT, tripulando um Porsche, depois de ter sido vice-campeão asiático na Taça Carrera Ásia.

Ávila terminou a corrida da RAEM em quarto lugar, com o italiano Edoardo Mortara a “passear” toda a sua superioridade, ele que aqui tinha ganho em 2010 a Fórmula 3.

Philip Yau e Samson Fung, ambos de Hong Kong, seriam os mais rápidos, respectivamente na Road Sport Challenge e na Taça CTM.

Nas duas rodas, domínio esperado dos britânicos, com Michael Rutter, 39 anos, a fazer história, já que ganhou pela sétima vez, superando o anterior recorde de seis nas mãos de Ron Haslam. João Fernandes não conseguiu sequer qualificar-se para a corrida, afirmando no final que com as condições que tinha “era impossível fazer melhor.”

Medalhas na bagagem

Os Jogos de Arafura, Darwin, Austrália, são de quatro em quatro anos e em 2011 a comitiva de Macau regressou a casa com 93 medalhas (31 de ouro).

Os atletas portadores de deficiências também estiveram fora de Macau, em Atenas, Grécia, onde participaram nos Jogos de Verão. Trouxeram 42 medalhas, sendo 15 primeiros lugares (ouro).

A RAEM fez história no halterofilismo, obtendo três medalhas de ouro através da mesma atleta, Zhang Shaoling, de 27 anos. Ganhou as três variantes de 69 quilos.

Jia Rui esteve em destaque no Mundial de Wushu, em Ancara, na Turquia. Deu mais um título.

A selecção de hóquei em patins voltou a ser convidada para estar presente no Torneio de Montreux, na Suíça. A equipa de Lisboa não ganhou qualquer jogo, mas aprendeu com equipas de topo, como Portugal, Espanha, Argentina.

Palco de outros eventos

Mais competições internacionais ou de prestígio que se realizaram em Macau:

Open de Badminton, que este ano não contou com os dois melhores do ranking. Triunfo do sul-coreano Lee Yun-il nos singulares masculinos.

Campeonato da Ásia Oriental de Karaté. A comitiva da RAEM alcançou nove medalhas, sendo duas de ouro. Pang Iat Long foi primeiro em kumité 67 quilos e Lei Keong Cheong bateu a concorrência em 84 quilos. O Japão conquistou o maior número de títulos (oito).

Barcos-dragão nos lagos Nam Van. A Nanhai Jiujiang da China não teve rival mais uma vez, ganhando em homens e senhoras, nas regatas mais importantes. No sector masculino, Macau ocupou os lugares imediatos, através da SJM Golden Jubilee e da Associação Desportiva Pu Ao Zhi You.

Campeonato da Ásia Oriental de Squash. Vitória colectiva de Hong Kong, à frente de Coreia do Sul e Japão. Macau foi último, em sexto.

Visita de Kobe Bryant. O jogador da NBA conviveu com jovens basquetebolistas de Macau no pavilhão Arena do COTAI.

Digressão de antigas estrelas da NBA. Scottie Pippen, Denis Rodman, Penny Hardway, entre outros, realizaram, no mesmo pavilhão da Venetian, um desafio de exibição.

David Campese veio ensinar râguebi. A antiga vedeta australiana, considerado um dos melhores jogadores do mundo de sempre, esteve no Quintal Desportivo da Taipa a treinar jovens do Clube de Râguebi de Macau, meses antes de se ter efectuado o habitual Torneio de Praia em Hac Sa. Ganhou a equipa da casa, no confronto com formações de Hong Kong, Cantão e Shekou.

A natação portuguesa fez estágio em Macau, tendo em vista os mundiais de Xangai. Oito nadadores treinaram na Piscina Olímpica da Taipa.

Rui Cardoso à Mourinho

Última referência do ano para o futebol. Em termos de selecção, Macau superou Hong Kong em mais um Interport (1-0), mas foi afastada da fase final do próximo Mundial, Brasil 2014. A equipa de Leung Sui Wing perdeu os dois desafios com o Vietname (6-0 em Ho Chi Min e 7-1 no Estádio da Taipa).

Na Taça Challenge da Federação Asiática, ganhou em casa ao Camboja (3-2), mas foi afastada porque perdera por 3-1 em Phnom Penh.

Ao nível interno, mais uma época de sucesso para o treinador Rui Cardoso. Orientou dois clubes, Ka I e Benfica. No primeiro voltou a ser campeão da I Divisão (um ponto à frente do Monte Carlo) e ganhou a Taça (3-0 aos Sub 23 na final), conquistando a segunda dobradinha consecutiva. No segundo, subiu ao escalão principal do “bolão”, depois de terminar atrás do Kuan Tai no campeonato da II Divisão.

Desde logo Rui Cardoso (que perdeu, pelo Ka I, a final da bolinha, face ao Lam Pak, por 1-0), deu a entender que deixaria o clube patrocinado pela Windsor Arch, na próxima época (2012), para se dedicar ao projecto Benfica, no qual está já a trabalhar.

Também em evidência a Casa de Portugal. Uma dupla de êxitos neste ano. Subiu no futebol de onze à II Divisão e também na bolinha, neste caso ao principal escalão. A equipa contou com uma maioria de jogadores portugueses e foi orientada por Pelé.

Uma referência final a outro clube de matriz luso, o Sporting de Macau, que comemorou os 85 anos de vida, participando no campeonato da III Divisão, onde se mantém, sob as ordens de Agostinho Caetano.

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