Mais querem arrendar

Há hoje mais gente a querer arrendar casa do que em 2001, dizem os resultados preliminares dos Censos. Os dados revelam ainda que o número de habitantes por km2 em Macau aumentou e que a maioria dos que cá vivem é natural do Continente.

Inês Santinhos Gonçalves

Há mais pessoas à procura de casa para arrendar em Macau. Os resultados preliminares dos Censos 2011, ontem divulgados, indicam que 24,5 por cento da população mora em habitações arrendadas, mais 5,6 por cento que o registado no recenseamento feito em 2001. Ainda assim, ter casa própria continua a ser a opção preferida por 70,4 por cento das pessoas, apesar de o número ter descido 6,1 por cento em relação a 2001. Também são menos os que moram em casas fornecidas pela entidade patronal – 1,4 por cento, menos 0,9 do que há dez anos.

A Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC) aponta a subida dos preços dos imóveis como o principal motivo. Kong Pek Fong, directora da DSEC, falou ainda da crescente vontade dos jovens de saírem de casa dos pais, recorrendo ao arrendamento de casas como opção mais económica.

Os resultados preliminares dos Censos 2011 dão ainda conta de um aumento da densidade populacional de 10,3 por cento, significando que em Macau há 18.600 pessoas por km2. O valor resulta de um crescimento do território de 1,4 por cento por ano, combinado com um crescimento anual da população de 2,4 por cento.

É na Areia Preta e no Iao Hon que a densidade populacional é mais elevada, com 142.300 pessoas por km2. Aqui mora 12,1 por cento da população. Outras cinco zonas são apontadas como as mais habitadas: Novos Aterros da Areia Preta, Baixa da Taipa, Barca, Tamagnini Barbosa e Barra/Manduco. No total das seis zonas moram 299.700 pessoas, representando 54,2 por cento da população do território. Estas são as áreas onde se registou um menor crescimento populacional, já que a densidade elevada de habitantes não o permitiu. Por outro lado, zonas como Pac On e Taipa Grande, tal como os Novos Aterros do Porto Exterior e os Aterros da Baía da Praia Grande são aquelas que presenciaram um maior aumento populacional, em grande parte devido à construção de novos edifícios, aponta a DSEC.

Maioria é do Continente

Em termos absolutos, a população de Macau cresceu 2,4 por cento, totalizando agora 552.500 pessoas. A discrepância entre este valor e o mais recente apresentado pela DSEC (560.100) foi explicada pelo intervalo temporal entre a recolha dos dois dados estatísticos: os Censos apenas contabilizaram o número de habitantes até dia 12 de Agosto, enquanto a DSEC já apresentou dados referentes ao terceiro trimestre do ano.

De acordo com os resultados preliminares do recenseamento, existem actualmente 170.700 agregados familiares, com uma média de 3,08 pessoas.

No total da população de Macau, as mulheres estão em maioria, representando 52 por cento, enquanto os homens são 48 por cento. No que toca à naturalidade, 46,1 por cento nasceu no Continente, 41,1 em Macau e 3,4 em Hong Kong. Os restantes 9,4 por cento não foram ainda especificados, tendo sido remetidos para Abril os dados sobre a população de origem portuguesa.

Os dados demográficos revelados nestes resultados preliminares mostram uma acentuação das tendências já reveladas em 2001. A faixa etária mais jovem, dos zero aos 14 anos, está a diminuir, situando-se agora nos 11,9 por cento, menos 9,7 que há dez anos. A população com mais de 65 anos não sofreu grande alteração, passando de 7,3 para 7,2 por cento. Ainda assim, o aumento de trabalhadores não residentes permitiu um abrandamento do envelhecimento da população. A maioria dos habitantes, 80,8 por cento, tem entre 15 e 64 anos. A idade média é de 36 anos, mais 2,7 anos que em 2001.

Na realização dos Censos participaram 2700 trabalhadores temporários. A linha de apoio recebeu 34 mil telefonemas para marcações de entrevistas e para esclarecimentos. Foram inquiridos 170.700 agregados familiares, sendo que 16.320 responderam através da Internet. A DSEC deu conta de 50 casos de recusa de preenchimento dos questionários, estando agora a analisar a aplicação de sanções. Recorde-se que as multas podem ir das 500 às 2500 patacas.

Os resultados completos dos Censos 2011 serão apresentados em Abril.