Uma viúva de um residente de Macau, cuja família foi retirada da lista de candidaturas à habitação social, entregou ontem uma petição na sede do Governo, solicitando que o Instituto da Habitação (IH) reavalie o caso. Lin Chun-yan não tem residência permanente e depois da morte do marido, vítima de cancro do pulmão, viu a candidatura do agregado familiar ser rejeitada.
Só há dois anos é que Lin Chun-yan, de 43 anos, proveniente de Hainão, conseguiu a autorização de residência. A morte do marido terá justificado a alteração de estatuto da sua candidatura, que passou a ser considerada inválida.
Há oito anos que a família esperava por um apartamento, tendo a candidatura sido feita pelo cônjuge. Tam Kuong Man, presidente do IH, justificou a reprovação do pedido, dizendo que a atribuição de fracções deve respeitar princípios de justiça. Os actuais critérios para concorrer à habitação social obrigam a que o representante do agregado familiar seja residente permanente da RAEM. A família – agora apenas composta por Lin e pela filha de seis anos – já não se encontra qualificada para a atribuição de um apartamento, diz o IH.
Tentando responder às necessidades imediatas de mãe e filha, o IH contactou a Caritas, que se comprometeu a encontrar uma casa com uma renda abaixo das 800 patacas por mês. Até agora, Lin tem vindo a pagar três mil dólares de Hong Kong por um apartamento de um só quarto no Fai Chi Kei.
Lei Iok Pui, presidente da comissão para a juventude da Aliança de Povo de Instituição de Macau, tem estado a seguir o caso e chama a atenção não só para o elevado valor da renda, mas para a dificuldade de Lin trabalhar a tempo inteiro, com uma criança a seu encargo e familiares em Macau.
Lin casou com Wong Sai Chun em 2004, que suportava financeiramente o agregado familiar, recorrendo ao salário como porteiro de um prédio residencial.
Frankie Ho Ching Yi, um dos responsáveis pelo Centro Comunitário de Iao Hon, dos Kai Fong, diz que a instituição recebe dois a três casos por ano envolvendo famílias monoparentais que enfrentam dificuldades financeiras e de habitação, tais como as de Lin – são, na maioria, casos de “noivas do Continente”, que casam em Macau com homens de baixos rendimentos.
“Há assistentes sociais no IH que podem dar-lhes apoio e muitas vezes pedem a grupos que prestam apoio social, como nós, para ajudar a escrever um documento que descreva a situação do agregado familiar”, explica Frankie Ho. “Em circunstâncias como as de Lin, o que habitualmente fazemos é visitar a casa e ajudá-los a escrever uma carta ao IH. O nosso apoio pode ser particularmente importante quando, para os pais nestas circunstâncias, relatar o problema se torna um processo difícil e emotivo”, esclarece. S.L.
