Escolas com mais polícia

O secretário para Segurança promete reforçar as operações para afastar as seitas das instituições de ensino. Cheong Kuok Va quer evitar que os alunos sejam recrutados pelas associações criminosas. O alerta veio dos deputados.

Sónia Nunes

A delinquência juvenil marcou o segundo e último dia de debate das Linhas de Acção Governativa da área da Segurança, com os deputados a alertarem para a presença de associações criminosas nas escolas. Cheong Kuok Va prometeu mais patrulhas, mais diálogo com as direcções das instituições de ensino e um reforço da campanha para prevenir que as tríades recrutem estudantes. Mas o hemiciclo duvida que as operações tenham efeito.

“Em Outubro, saiu uma reportagem sobre a infiltração das seitas nas escolas. Há um mecanismo de comunicação, mas o aluno em causa só participou do caso à polícia depois de ter sido agredido. Antes disso a PSP não tinha conhecimento do caso”, alertou a deputada Melinda Chan, numa reacção ao programa de prevenção da criminalidade juvenil defendido por Cheong Kuok Va. O secretário para a Segurança garantiu que as forças policiais vão “evitar que as máfias aliciem estudantes para as suas actividades”, prometeu “combate”, destacou a “rede de comunicação” estabelecida entre as autoridades e a direcção das escolas, e lembrou as atribuições do Núcleo de Acompanhamento de Menores da Polícia Judiciária, criado há quase dez anos.

“Há que reforçar os trabalhos”, ripostou Melinda Chan. Ho Sio Kam, deputada nomeada e presidente da Associação de Educação, concordou: “O Governo não pode ignorar a infiltração de seitas nas escolas. Parece que a situação melhorou, não encontramos pessoas com cabelos dourados a guardar os alunos. As medidas surtiram alguns efeitos, mas as escolas entendem que o Governo ainda pode reforçar o diálogo”. “Será que a PSP pode reforçar a cooperação com os assistentes sociais experientes? Será que os alunos podem participar em actividades, como fazer voluntariado, em vez de serem aliciados pelas seitas?”, propôs o advogado Vong Hin Fai, também nomeado à Assembleia Legislativa.

“As autoridades policiais vão reforçar os trabalhos, através do patrulhamento. Vamos actuar no terreno, em duas frentes: prevenção e combate”, reiterou Cheong Kuok Va. O princípio aplica-se também à estratégia da Segurança para travar o consumo e tráfico de estupefacientes em Macau – com o governante a clarificar a intenção do Governo de “pensar sobre o agravamento das penas” previstas na lei da droga, alterada em 2009.

O argumento? O secretário entende que três meses de cadeia como pena máxima para os consumidores e três a 15 anos de prisão para os traficantes faz de Macau um sítio “atraente” para os toxicodependentes. Mas Lee Chong Cheng mostrou-se também preocupado com a produção de ‘ice’ e quetamina no território: “O fabrico de drogas é mais rápido e fácil. O preço também é mais barato”. O deputado dos Operários pediu uma “política para combater o consumo e tráfico de drogas pelos jovens” que, sublinhou, “são aproveitados pelos traficantes”.

Apesar do alarme, o número de toxicodependentes está a diminuir em Macau – ainda que, conforme indicou Melinda Chan, haja mais jovens a afirmar que já experimentaram drogas. Cheong Kuok Va respondeu com mais campanhas de prevenção. “Estamos sempre atentos aos actos desviantes dos jovens”, disse o secretário, antes de receber do deputado Ung Choi Kun um CD com imagens de uma câmara de videovigilância que terá captado uma cena de agressão entre jovens na Areia Preta.

 

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