Macau vai estar na rede de transplantes nacional

O Continente está ainda numa fase experimental para a constituição de um sistema de doação e distribuição de órgãos, mas promete que Macau estará na futura rede. A garantia foi dada pelo vice-ministro da Saúde, Huang Jiefu.

Macau vai integrar a futura rede nacional de transplantes de órgãos. O anúncio foi feito pelo vice-ministro da Saúde, Huang Jiefu, na passada sexta-feira, numa palestra integrada nas comemorações do 140º aniversário da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. O dirigente do Governo Central assinalou porém que as autoridades centrais têm ainda que desenvolver conversações com as autoridades da RAEM, numa altura em que o país pretende regulamentar o processo de dádivas e colheitas de órgão, de acordo com o jornal Ou Mun.

A vinda do dirigente central ao território não foi anunciada à generalidade da imprensa através do Gabinete de Comunicação Social. O diário de língua chinesa esteve apesar de tudo presente no evento, dando conta dos planos para inclusão da região na rede nacional de transplantes.

Actualmente, há apenas 163 hospitais do Continente autorizados a realizar transplantes e o sistema de doações voluntárias existente tem ainda carácter de projecto-piloto. A recolha de órgãos, contrariamente ao que sucede em vários outros países do mundo, é feita após declarado estado de morte cardíaca e não morte cerebral, com o Ministério da Saúde a defender que a sociedade chinesa ainda não está preparada para legislação relativa à matéria.

Pequim prevê que o processo de estabelecimento do sistema (e alargamento a todo o país) fique concluído em dois anos. Na palestra “Transplante de Órgãos e Modernização da Sociedade”, o vice-ministro da Saúde fez notar que, não obstante a China ser o segundo país a nível mundial com o maior número de transplantes, os actuais dadores voluntários limitam-se praticamente ao universo de prisioneiros condenados à morte.

Huang Jiefu referiu que os transplantes de órgãos doados pelos condenados não constituem um problema ético a nível nacional, mas recordou que, gradualmente, o país caminhará para a eliminação da pena capital.

O vice-ministro declarou também que a China precisa de construir um sistema de transplante de órgãos “equilibrado, justo e transparente” que possa ser operacionalizado a partir da definição de “morte cardíaca”, uma vez o Continente ainda não aceita o conceito de morte cerebral. Huang Jiefu salientou igualmente que se continua a verificar no país uma recolha e distribuição irregular de órgãos.

O dirigente revelou também que o Ministério da Saúde irá convidar profissionais médicos nacionais e estrangeiros, bem como especialistas em ética, para estudar a criação da rede. O trabalho terá início em Novembro. Já em Janeiro do próximo ano, será realizada uma assembleia de especialistas com vista a decidir de que forma o sistema será implementado.

Depois disso, anunciou Huang, os residentes da RAEM poderão também ser receptores no acto de transplante de órgãos. Mas é necessário primeiro discutir com a Administração local a forma de operacionalizar a medida, assinalou.

Em Macau, há mais de 300 pacientes renais sujeitos a tratamento de hemodiálise, sendo que pelo menos metade destes precisa de receber novos órgãos em transplante.

Huang Jiefu recordou que, entre outras necessidades, o território precisará de um hospital como capacidade de transplante, bem como de cirurgiões dessa especialidade. Antes disso, porém, e necessário criar a correspondente legislação e coordená-la com a regulamentação do Continente, disse.

O Ministério da Saúde chinês expressou também pleno apoio ao plano decenal de desenvolvimento das infra-estruturas médicas de Macau, com Huang a prometer “os melhores hospitais e formadores” para o treino dos profissionais médicos locais no transplante de rins – a área onde se verificam as maiores necessidades ao nível local.

Recolha em casa própria

O director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), Lei Chin Ion, revelou que o organismo está a preparar a criação de um novo sistema que permitirá aos cidadãos locais serem dadores internacionais de medula óssea e células estaminais, sem terem de recorrer a centros de recolha no exterior (Hong Kong tem actualmente o centro mais próximo para os dadores locais). Segundo Lei, o centro de Transfusões de Sangue de Macau terá a cargo o registo dos dadores locais, bem como a colheita e envio de amostras de tecidos para a lista internacional de dadores disponíveis. O sistema será implementado em colaboração com as autoridades de saúde de Hong Kong. Na região vizinha, o centro de registo de dadores foi criado em 1991, um ano após a realização do primeiro transplante de medula óssea em hospitais da RAEHK.

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