Táxis amarelos desviam-se do contrato, acusa Au

Sónia Nunes

O deputado Au Kam San diz que houve “um desvio do modelo original” da exploração do serviço de radiotáxis. A alteração, aponta, fez com que a empresa concessionária, a Vang Iek, diminuísse a capacidade de resposta: os taxistas estarão só obrigados a atender dez chamadas por dia.

Quando foi emitida a licença para os táxis amarelos, explica o pro-democrata, ficou acordado que “todos os motoristas deste tipo de meio de transporte tinham de se submeter ao comando da empresa em questão [a Vang Iek] para a prestação de serviços”. Mas, alerta o deputado, “registou-se já uma mudança quanto a este modelo de exploração, pois deixou de se verificar uma relação laboral entre os motoristas e a empresa, passando a haver uma relação de parceria”. Diz Au Kam San que os taxistas “apenas precisam de responder, todos os dias, a dez pedidos de serviços transmitidos por via telefónica”, podendo depois “trabalhar a seu bel-prazer”.

As críticas são feitas numa interpelação escrita ao Governo, em que o pro-democrata volta a censurar a “escolha intencional de clientes e recusa de transporte por parte de alguns taxistas”, e a pedir um estudo para a emissão “racional” de novas licenças. Au Kam San afirma que em Macau há um táxi para 560 habitantes e entende que foi a “grave insuficiência” dos veículos – transformados “em bens preciosos” – que originou “este fenómeno vicioso”.

No mês passado, o Governo decidiu prolongar o actual contrato da Vang Iek por mais um ano e meio, sem que as duas partes tenham chegado a um acordo. O deputado entende que a Administração deve usar a nova ronda de negociações para exigir que a concessionária aumente a capacidade de resposta do serviço de radiotáxis. “Esta situação pode ser corrigida no decorrer da renovação do contrato”, remata.