A Comissão de Luta contra a Sida propõe um serviço de terapia com metadona mais alargado para os que estão na prisão. O organismo sugere ainda que os tratamentos com esta droga de substituição possam continuar além-fronteiras.
O alargamento do serviço de metadona nas prisões e a criação de um projecto que permita aos utilizadores prosseguirem os tratamentos quando saírem de Macau, foram os dois temas que dominaram a reunião do sub-grupo, dedicado ao tema, da Comissão de Luta contra a Sida.
Augusto Nogueira, presidente da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau e membro do equipa de trabalho da Comissão que acompanha o projecto metadona e o programa de troca de seringas, explicou que os serviços actuais de terapia de substituição nas prisões não são suficientes. “Podem chegar à prisão pessoas de outras nacionalidades ou que estejam a consumir heroína, que não estejam registadas no Instituto de Acção Social (IAS) e que desejem iniciar a metadona como programa de substituição”, diz o especialista.
Por outras palavras, é preciso garantir que todos os prisioneiros, seja qual for a nacionalidade, residência ou tipo de acompanhamento que recebem do IAS, tenham acesso à terapia de metadona, que tem por fim a desabituação do consumo de heroína.
Augusto Nogueira explica de que forma o serviço existente está a falhar: “As pessoas que estejam presas e sejam seguidas pelo IAS podem continuar o tratamento por metadona. Mas se houver um prisioneiro que não está a consumir metadona mas sim heroína, essa pessoa não tem forma de ter acesso à metadona. A ideia é que, se desejar, possa ter esse acesso, o que vai evitar que tenha que passar por uma ressaca a frio.” É para isso que é necessário “alargar o serviço”.
A proposta será agora transmitida na sessão plenária da Comissão, em Dezembro. “Compete agora aos outros membros pronunciarem-se, bem como a própria prisão”, diz Nogueira.
Outro assunto debatido na reunião do sub-grupo da Comissão de Luta contra a Sida, foi a possibilidade de os tratamentos com metadona serem continuados quando o utilizador sair de Macau. “A ideia é que as pessoas que estão a consumir metadona e precisem de sair do território para ir a Hong Kong, ou à China, ou à Europa, por exemplo, possam ter acesso nesses países à sua dose de metadona”. Nogueira acrescenta que essa proposta engloba também a possibilidade do mesmo suceder ao contrário, ou seja, que pessoas que venham de outros países possam ter aqui acesso à droga de substituição. I.S.G.