Nas vésperas da Expo China-Eurasia, as autoridades de Xinjiang aplicaram medidas de segurança mais apertadas, mas desmentem ter conhecimento de planos terroristas: dizem estar apenas a garantir que o evento corre bem. Chui Sai On parte hoje para Urumqi.
As autoridades de Xinjiang elevaram o nível de alerta e adoptaram medidas de controlo mais apertadas nalgumas zonas da região autónoma, naquilo que a imprensa oficial da China diz ser um esforço para garantir a segurança dos participantes da 1ª edição da Expo China-Eurasia, que se realiza em Urumqi. Na capital da região vão estar vários dirigentes asiáticos e europeus, bem como políticos do Continente e das duas regiões administrativas especiais – Chui Sai On parte esta amanhã para Xinjiang, acompanhado pelo secretário Francis Tam, e também o Chefe do Executivo de Hong Kong, Donald Tsang, vai lá estar.
De acordo com o jornal Global Times, todos os tipos de avionetas, helicópteros e outros aparelhos de aviação que não sejam pertencentes a companhias aéreas registadas estão impedidos de levantar voo a partir de amanhã – a proibição só termina na segunda-feira.
Segundo um comunicado do comité organizador da Expo China-Eurasia, a medida aplica-se a Urumqi, Bazhou, Changji, Shihezi e Turpan, e diz também respeito a objectos como papagaios de papel. Os proprietários de pombos não os podem libertar durante os próximos dias.
Quem quiser voar durante antes do evento terminar terá de submeter um pedido à delegação local do Exército Popular de Libertação.
A edição inaugural da Expo China-Eurasia, que contará com a participação de uma comitiva de 100 empresários de Macau, realiza-se no novo edifício do Centro Internacional de Exposições de Xinjiang.
Ontem, o South China Morning Post (SCMP) avançou que as medidas de segurança não estão a ser aplicadas unicamente na região autónoma onde reside a minoria étnica uigur. São várias as grandes cidades do Continente onde as autoridades estão alerta, devido a rumores sobre ataques suicidas planeados para Xinjiang.
O matutino de língua inglesa de Hong Kong explicava que o Chefe do Executivo da RAEHK deverá participar no evento de Urumqi, sendo que está agendada uma intervenção pública de Donald Tsang.
Ainda segundo o SCMP, aos passageiros dos aeroportos de Pequim, Xangai, Zhengzhou, Kunming, Chengdu e Xian, bem como àqueles que viajam para estruturas do género na região autónoma, tem sido exigido que cheguem com pelo menos duas ou três horas de antecedência em relação à hora de partida do voo, sem que lhes seja dada qualquer explicação.
Atrasos e filas de espera
Os procedimentos de segurança, semelhantes aos adoptados aquando dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e da Expo Xangai 2010, significam que são mais os passageiros a tirar sapatos e cintos. Pelo menos metade dos lugares nos aviões são revistados.
Alguns passageiros queixaram-se de que as suas viagens foram afectadas pelo reforço das medidas de segurança. O South China dava o exemplo de uma mulher que escreveu num microblogue ter perdido o voo para Pequim no domingo passado. De acordo com o relato feito por esta passageira, o controlo nos aeroportos era “caótico” e havia filas de pessoas nos balcões das companhias aéreas à espera de novos bilhetes para poderem embarcar.
Um funcionário do serviço de apoio ao cliente no Aeroporto Internacional de Pequim admitiu que tanto passageiros de ligações domésticas, como de voos internacionais têm vindo a ser afectados pelas medidas desde domingo à noite. Já um porta-voz do aeroporto de Zhengzhou, em Henan, referiu que só aqueles que se deslocam para Urumqi e Hami, em Xinjiang, estão a ser submetidos a regras mais apertadas de segurança.
Fonte do Aeroporto de Pequim disse ainda ao SCMP que as ordens para aumentar as medidas de controlo para o nível aplicado durante os Jogos Olímpicos foram dadas na madrugada de domingo, mas na segunda-feira foram abandonadas em relação aos voos internacionais. Um passageiro que embarcou na capital no início desta semana, com destino a Hong Kong, contou ao jornal que a viagem decorreu sem problemas.
Em Xangai, os responsáveis pelos aeroportos de Hongqiao e Pudong anunciaram que os procedimentos de segurança redobrados vão estar em vigor até ao próximo dia 7 e que serão abertos mais postos de controlo, de modo a evitar filas de espera.
A Administração de Aviação Civil da China recusou dar explicações sobre o que está na origem do reforço das medidas de segurança, o que tem alimentado a especulação na Internet de que o gesto das autoridades poderá estar relacionado com ameaças de grupos separatistas de Xinjiang, região que tem sido afectada por violentos ataques nos últimos meses.
Li Wei, director do Centro de Estudos de Contraterrorismo no Instituto de Relações Contemporâneas da China, afirmou que Pequim poderá estar na posse de informações secretas que apontem no sentido de planos terroristas. “As medidas de segurança foram aumentadas porque houve uma subida do nível de risco”, explicou.
Nos microblogues chineses, alguns cibernautas contaram que a polícia de Urumqi encontrou armas brancas na posse de mais de uma dezena de passageiros. Mas as autoridades de Xinjiang negam que o reforço da segurança esteja relacionado com os receios de ataques – alegam que se prendem apenas com a necessidade de assegurar que nada acontece durante a realização do evento de cariz internacional. “Há muitos visitantes em Urumqi por causa da expo e precisamos de garantir a sua segurança”, disse a porta-voz do Governo da região autónoma, Hou Hanmin.
A Expo China-Eurasia é co-organizada pelos ministérios do Comércio e dos Negócios Estrangeiros, e pela Comissão de Desenvolvimento e Reforma Nacional. Durante o evento vai realizar-se o Fórum para o Desenvolvimento Económico e Cooperação, que vai juntar dirigentes de países asiáticos e europeus, e no qual participará o Chefe do Executivo de Macau.
