Stephanie Lai
A Policia Judiciária (PJ) anunciou ontem ter desmantelado uma alegada unidade de produção de ice (metanfetaminas) na zona do Iao Hon, localizada no edifício industrial Iao Seng. Três indivíduos foram detidos em relação com o caso.
No local foram descobertos materiais de base para a produção da droga química, em quantidades suficientes para renderem aos fabricantes 25 milhões de patacas após a venda do produto final. A Judiciária defende que a operação foi única nos anos mais recentes.
Segundo as autoridades, o laboratório de ice terá funcionado no nono andar do Iao Seng, na Rua Quatro do Bairro do Iao Hon, com duas áreas destinadas ao armazenamento de materiais e à produção do narcótico.
A alegada fábrica de droga encontrava-se dissimulada no prédio, com a entrada das instalações selada e com várias embalagens de detergente colocadas junto desta. Uma varanda, de construção ilegal, proporcionava porém o acesso a uma passagem secreta de acesso ao laboratório e ao armazém. A polícia entende que a disposição se destinava a fazer crer que as instalações estariam inactivas de forma a evitar suspeitas.
“À primeira vista parecia que estavam a produzir detergentes. Mas as drogas eram fabricadas num laboratório escondido”, explicou Sit Ching Meng, chefe do departamento de informações e apoio da PJ. “Os fabricantes tinham também uma sala de controlo destinada a alertar sobre a presença de polícias, com câmaras de vigilância instaladas nos pisos 9,10 e 11”, juntou.
As autoridades locais estariam a investigar o caso há um ano, na sequência de informações recebidas do Departamento de Segurança Pública da província de Guangdong e de forças congéneres do Sudeste Asiático.
A operação decorreu na passada quarta-feira, resultando na detenção de dois homens de 55 e 62 anos e de uma mulher de 35 anos com visto de trabalho no território. O indivíduo de 62 anos estava na posse de documentos de identidade falsos de diferentes nacionalidades.
A PJ acredita ter capturado os responsáveis pelo laboratório ilegal, afirmando também que há outros suspeitos a monte. A polícia está ainda a averiguar a quantidade de material apreendido, mas adiantou que a matéria-prima seria suficiente para produzir cerca de 70 quilogramas de ice, com um valor potencial de 25 milhões de patacas.
“Entre esta grande quantidade de químicos por processar, o principal componente é o acetato de etilo, com 87 quilogramas. Uma vez que no mercado um quilo de ice está avaliado em 360 mil patacas, o material seria suficiente para produzir 70 quilos com os ingredientes descobertos, capazes de render 25 milhões de patacas”, calculou Sit. “Mas ainda estamos a averiguar onde se destinava a droga a ser vendida”, acrescentou.
A Judiciária diz também que pretende confirmar se algum tipo de narcótico já teria sido produzido no local. Por enquanto as autoridades acreditam que o laboratório ainda não teria fabricado o produto final que, por conseguinte, ainda não teria sido posto à venda no mercado local.
As matérias-primas destinadas à produção do ice consistem em elementos altamente inflamáveis, como o metanol, petróleo e álcool isopropílico. A PJ acredita que, devido às grandes quantidades descobertas, os materiais tenham sido adquiridos a partir do Continente e de outras regiões do Sudeste Asiático.
De acordo com o perito da PJ Lao Chi King, o laboratório descoberto estaria totalmente equipado para a produção dos narcóticos, com as instalações a indiciarem a preocupação de evitar deflagrações e a inalação de gases tóxicos. “Encontrámos máscaras e óculos de protecção, e os fabricantes detinham registos de produção. Mantinham também um bom sistema de ventilação para prevenir explosões com duas ventoinhas em operação. O odor do procedimento químico também estava a ser processado para que não alastrasse”, descreveu.