O “valor económico” do português

Depois de o Governo luso ter deixado claro que economia e cultura devem andar de mão dada, também Ana Paula Laborinho fala no mesmo registo. Sobre o Instituto Camões, a presidente assume que há sempre “correcções e aspectos que é preciso alterar”.

Hélder Beja

O programa do Executivo português quer “eleger o ensino do português como âncora da política da diáspora”, e para isso diz pretender “reformar e projectar o Instituto Camões [IC] como instrumento vital da política externa cultural e da afirmação de uma política da língua”. Ana Paula Laborinho, presidente da instituição, não vê a alínea do programa como um reparo à actividade do IC e diz que “naturalmente há sempre correcções e aspectos que é preciso alterar”. “Espero que eles sejam muito nesse sentido de projecção da língua e da cultura portuguesas como activo importante no mundo”, acrescenta.

O Governo quer “acautelar um serviço eficiente no ensino e divulgação da língua portuguesa no mundo” e Laborinho congratula-se “com a aposta na língua”. “Estou certa que a língua portuguesa será naturalmente um dos activos considerados importantes. Nós há pouco tempo, aqui no Instituto Camões, fizemos um encontro sobre a economia das línguas portuguesa e espanhola. O que verificámos é que Espanha aposta muito, mesmo do ponto de vista da projecção das suas empresas, na língua espanhola. Há também condições para Portugal apostar no valor económico da língua portuguesa, quer ao nível da facilitação dos negócios, quer ao nível do próprio facto de as empresas reconhecerem que a projecção cultural e económica também as ajuda”, refere.

Questionada sobre se o Instituto Camões pode ter um papel ainda maior no ensino e promoção da língua portuguesa no mundo, Laborinho fala do que já está concretizado: “Penso que isso vai sendo feito. Esse papel já é substantivo, estamos em 76 países. Temos de também considerar qual é a nossa presença em cada um dos continentes e adequar essa presença àquilo que são as necessidades do país. Penso que tudo isso será feito com naturalidade”, prevê.

A RAEM é uma dessas “comunidades regionais com forte presença da língua portuguesa” nas quais o Governo de Lisboa considera que o Portugal se deve “assumir como pivô de alianças privilegiadas”. A presidente do IC refere que “nos últimos anos Macau tem vindo a adquirir um lugar de cada vez maior projecção” e que Portugal “tem é de aproveitar essa projecção – e também a disponibilidade das autoridades da RAEM – para apostar na língua portuguesa”.

Ana Paula Laborinho considera a abertura das autoridades locais um “aspecto muito significativo”. “Não só as autoridades da RAEM como da própria China, onde é de verificar o crescimento que o português tem tido, fazem uma aposta muito clara [no português] e isso tem sido enunciada pelo poder político, quer central, quer local.”

O Governo português quer criar ainda, em colaboração com entidades públicas e privadas, um conjunto o mais alargado possível de bibliotecas da língua e da cultura portuguesa, a distribuir pelos países e comunidades onde se fala o idioma de Camilo Pessanha. Sobre estes e outros tópicos do texto divulgado na terça-feira, Laborinho diz apenas que “está em discussão”. “Temos a convicção que neste momento o que importa é termos um programa de Governo forte num momento de dificuldade como aquele que Portugal atravessa.”

 

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