Au Kam San acusado de ser anti-democrático

Os deputados Tsui Wai Kwan e Chan Chak Mo acusaram Au Kam San de ter distorcido as declarações que proferiram quando defenderam que os estudantes não residentes deviam ter direito a trabalhar em Macau. No período antes da ordem do dia de ontem na Assembleia Legislativa, dirigiram um protesto contra as “deturpações maliciosas e acusações infundadas” que atribuem ao pro-democrata.

“É lamentável que alguém que luta sempre pela democratização, para além de desrespeitar as opiniões de outros, ainda tenha tido o desplante de empolar a questão para atingir o objectivo da calúnia”, censurou Tsui Wai Kan. Para a dupla de deputados, Au Kam San teve uma “atitude autoritária e despótica”, “contrária à democracia”.

Na intervenção, os membros do hemiciclo apresentaram vários exemplos para sustentar a tese que dirigiram contra o pro-democrata. Destacamos um: “A mensagem é ‘a quantidade é insuficiente’, no entanto, quando a mesma saiu da boca do deputado Au transformou-se em ‘os estudantes locais são lixo’”. “Algumas pessoas têm a capacidade de se aproveitar com facilidade de expressões exageradas e viperinas para induzir o público em erro”, comentaram os deputados.

Tsui e Chan afirmaram ainda que Au se recusa a debater o emprego dos estudantes não residentes “a pretexto de ainda não se terem realizado eleições democráticas”. “Não será isto mais ridículo!? Segundo a sua lógica, será que antes [da reforma do sistema político] não precisamos de políticas relativas à vida da população?”, lançaram.

A ironia costuma surgir do acaso e ontem aconteceu que Au Kam San também usou o período antes da ordem do dia para criticar aqueles que, como Tsui Wai Kwan, entendem que o crescimento económico tem prioridade sobre o desenvolvimento do sistema político. O pro-democrata comparou os membros do colégio eleitoral para a nomeação do Chefe do Executivo a “parasitas políticos” e os grupos de interesses a “pragas de gafanhotos”, “que influenciam a acção governativa para que as autoridades os favoreçam”. “Para eles, não há no mundo melhor sistema político do que o de Macau, que lhes permite fazer o que querem e ainda usufruir de ‘almoços grátis’, reforçou.

Au Kam San afirmou ainda que o reforço do número de membros do colégio eleitoral “significa apenas um aumento do número de pessoas para compartilhar do roubo”, voltou a defender a eleição por sufrágio universal do Chefe do Executivo já em 2014 e a insistir na redução dos assentos para os deputados eleitos pela via indirecta e nomeados. Não reagiu às acusações de Tsui e Chan. S.N.