Wushu em combate pelas medalhas

Há para já duas medalhas de ouro conquistadas pelo wushu da RAEM nos Campeonatos do Mundo de Desportos de Combate. A seguir à China, Macau é uma das mais fortes.

Vítor Rebelo

São 13 as modalidades que integram a primeira edição do Campeonato do Mundo de Desportos de Combate, mas a delegação da RAEM apenas participa na categoria de wushu, que tantos títulos tem dado ao longo dos anos.

Em Pequim, estão os oito melhores atletas de cada um dos desportos – portanto, é apenas a elite internacional que se faz representar no evento.

Há várias modalidades de combate que se praticam por cá, mas só o wushu conseguiu entrar nesta competição de prestígio, onde estão ainda os seguintes desportos: aikido, boxe, judo, ju-jitsu, karaté, kendo, kick boxing, muaythai, sambo, sumo, taekwondo e wrestling.

Macau pratica com regularidade alguns destes desportos, com destaque para judo, karaté, boxe, kendo e taekwondo, mas não tem atletas de nível mundial que possam participar no evento que decorre na capital chinesa. Daí que somente o wushu tenha tido “estatuto” para estar entre a “fina flor” dos países ou territórios que se dedicam aos desportos de combate.

Entre os melhores

E para já os representantes do território estão a corresponder às expectativas, tendo conseguido, logo nos dois primeiros dias, três idas ao pódio.

O mais importante é que a comitiva da RAEM já conseguiu duas medalhas de ouro, a que junta uma de bronze, cotando-se como a quarta classificada do quadro geral de medalhas, depois das provas realizadas durante o segundo dia do campeonato (ontem).

O território supera nesta altura delegações como as de Hong Kong, Espanha, Alemanha, Irão, Brasil, França, Croácia, Turquia e Holanda, entre outras que já conseguiram medalhas.

As vitórias, ambas no sector masculino, foram alcançadas por Jia Rui (Changquan) e Cai Liang Chan (taolu, 70 kilos). O bronze surgiu através de Iao Chon In, na prova conjunta (denominada “all around”), de Taijiquan e Taijijian.

Jia na estreia

Jia Rui obteve mesmo a primeira medalha dos campeonatos, que vão decorrer na capital chinesa até ao próximo sábado com a presença de mais de mil atletas de todos os continentes (30 países ou territórios), e com destaque para a Ásia, onde se pratica, a larga escala, a maioria das modalidades. A origem de quase todas elas cabe ao continente asiático.

“Não é surpresa para ninguém estes excelentes resultados dos atletas de wushu de Macau, uma vez que isto vem na sequência de muitos triunfos alcançados em provas de nível internacional”, começou por dizer ao PONTO FINAL, José Tavares, vice-presidente do Instituto de Desporto (IDM).

“Esta é a primeira edição dos campeonatos mundiais e nós não deixaríamos de estar presentes. Mas não foi possível levar atletas de outros desportos, uma vez que em Pequim estão os melhores do ranking mundial. É por isso muito selectivo, [reunindo] mesmo a elite dessas modalidades.”

Confirmação do valor

De referir que Macau já dá cartas há vários anos no mundo do wushu, mesmo ao nível de campeonatos do mundo, para já não falar de muitas medalhas em competições como os Jogos Asiáticos ou os Jogos da Ásia Oriental.

E para garantir o futuro da modalidade, a RAEM é habitualmente frequentadora (e ganhadora) de algumas classes das camadas jovens – concretamente, o Asiático de Juniores, que Macau organizou em Junho de 2009 chamando a si 12 medalhas, cinco das quais de ouro.

“Tem havido de facto um forte investimento nesta modalidade, assim como há noutras, mas o wushu tem conseguido excelentes resultados. Estivemos quase sempre no top internacional e por isso considero não ser surpresa, mas sim uma confirmação da qualidade dos nossos atletas”, salientou José Tavares, para quem estes campeonatos de Pequim servem na perfeição para a preparação dos Jogos Asiáticos que se irão realizar também na China, mais concretamente em Cantão, no próximo mês de Novembro.

Escolas para o futuro

O wushu de Macau tem mesmo uma escola de formação, instituída há dois anos. “Essa escola é mesmo um exemplo para incremento da modalidade, tendo surgido como uma necessidade premente para que se mantenha a qualidade em termos de futuro. É preciso injectar sangue novo, com vários escalões etários, para que o wushu tenha continuidade em termos de resultados internacionais.”

O vice-presidente do IDM diz estar a estudar algumas possibilidades, a curto prazo, para que Macau possa voltar a organizar provas internacionais.

“Já levámos a efeito o Asiático Júnior em 2009 e, antes, o Mundial absoluto, em 2006. Se surgir a oportunidade de organizarmos mais provas, iremos agarrá-las, porque se trata de um desporto com tradições em Macau e com bastante público a aderir aos espectáculos.”

De referir que o wushu tem tido boas condições para progredir, com instalações de qualidade, e possui nesta altura mais de meia centena de praticantes, a nível de competições, na categoria de kata, e perto de duas dezenas no pugilismo (shansha), que é uma variante de combate a dois.

Adversários de respeito

Voltando aos resultados de pódio dos atletas de Macau nestes primeiros dois dias em Pequim, Jia Rui, em changquan, totalizou 9,80 pontos, contra 9,75 do grande rival, o japonês Daisuke Ichikizaki. O terceiro classificado foi o malaio Ng Say Yoke.

Esta categoria foi uma das raras em que a China não ganhou. O país participa na maioria das especialidades de wushu, cotando-se como a grande potência mundial.

A outra medalha de ouro alcançada pela RAEM, através de Chan Cai Liang, foi fruto de um duelo, na final de 70 quilos de taolu, com o russo Ismail Aliev, com o atleta de Macau a vencer por 2-1, depois de ter obtido igual “score” nas meias-finais, face ao iraniano Abbasiamir Sajjad.

No que concerne ao bronze, Iao Chon In totalizou na sua actuação 9.67 pontos, atrás de Jack Chan Loh (Malásia, 9.79) e do vencedor Ying Qi Huang (China, 9.86).

Mais vitórias da China

Terminada a jornada de ontem destes Campeonatos do Mundo de Desportos de Combate, há um despique interessante entre China, Rússia e Japão, com os atletas russos a levarem a melhor no total de medalhas, dispondo de mais uma do que os japoneses e mais quatro do que os chineses.

No entanto, a China tem mais vitórias que todos os adversários (8), contra 6 da Rússia e duas de Japão, Ucrânia e Macau.

Hong Kong tem igualmente pergaminhos nestas modalidades, concretamente no wushu, e obteve já três medalhas, uma de ouro e duas de prata.

Em relação aos atletas de Macau, fica agora a aguardar-se por outras proezas nas diversas categorias do wushu, principalmente nas provas destinadas ao sector feminino, onde a RAEM ainda não se estreou nas idas ao pódio.

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