Fong Soi Kun anda às voltas com a meteorologia há quase 30 anos. Quando chega a época dos tufões, até os amigos lhe perguntam sobre o que aí vem. Desta vez, o ciclone será leve, preconiza.
Hélder Beja
Já lá vão os tempos em que passava muito tempo com os olhos pregados nos monitores, a fazer cálculos, a tentar prever com a certeza possível a aproximação de ciclones ao território. Agora, o director dos Serviços de Meteorologia e Geofísica (SMG), Fong Soi Kun, coordena uma equipa de 112 pessoas, mais de 60 dedicadas por esta altura à monitorização e previsão dos ciclones que, como de costume, afectam Macau.
“Eu e outros chefes só olhamos para os dados de vez em quando, a equipa assegura o funcionamento dos serviços”, garante. De dia e de noite, todas as 24 horas têm alguém com a atenção presa às imagens dos satélites, ao radar e às mais pequenas alterações dos fenómenos – é assim durante todo o ano.
Quando chega a hora de anunciar previsões ao media, é Fong Soi Kun quem se responsabiliza. Sobre o ciclone Chantu, o director dos SMG adiantava (ontem às 20h) que estava “a 400 km de Macau”, levando a que o sinal 3 fosse içado durante a tarde. “O sinal vai manter-se até amanhã [hoje] de manhã, mas este não é um ciclone muito severo, ainda não atingiu a categoria de tufão”, acrescenta ao PONTO FINAL.
E não são só os jornais e outros meios de comunicação social da RAEM a pedir o parecer de Fong. “Às vezes os meus amigos, ou a família, também me perguntam”, confessa. A proximidade de tempestades deixa sempre a população em alerta. Quem tem o director dos SMG por perto não perde a oportunidade. Os que não podem recorrer directamente à fonte, contentam-se com a informação “sempre actualizada” do site dos serviços, em www.smg.gov.mo. Uma breve consulta à página permite perceber por que Macau não sentirá grandes efeitos do Chanthu: a rota do ciclone desviou-se para oeste do território. O mais que se espera são “ventos fortes, entre os 41 e os 63 km, com rajadas que podem atingir os 70 km”. As previsões, no entanto, nem sempre estão certas.
Trinta por cento de erro
“Antigamente, quando não havia satélites, era mesmo muito difícil de prever estes fenómenos naturais. E às vezes a população era apanhada desprevenida. Agora, as nossas previsões são 70 por cento fiáveis”, prossegue Fong Soi Kun . Mas os SMG “também falham”, só que “a cidade e a população estão muito mais bem preparadas que há uns anos”. Assim que se verifica uma alteração do que preconizavam os cálculos, toda a informação dos SMG é alterada “e isso faz com que as pessoas estejam protegidas, a vigilância funciona”, assevera.
Nos anos 1950 e 60, “às vezes nem se sabia onde estavam os tufões”. Mas quando Fong chegou aos serviços meteorológicos, na década de 1980, “as coisas já eram diferentes”. “Usamos dois satélites da China, um do Japão e temos ainda um radar próprio”, enumera. A tecnologia utilizada permite-lhe prever com relativa segurança que Macau será atingido por meia dúzia de tufões entre este mês e Agosto, que será o período de maior incidência.
Para os próximos dias, e depois da passagem do Chanthu, o director não vislumbra novo ciclone para os próximos dias. “Ainda não se está a formar nada no Pacífico”, atira. E se estiver enganado? “Também acontece…”
Novo método de previsão em Hong Kong
Os serviços meteorológicos da RAEHK estão a testar um novo método de previsão da formação de tufões. “Estamos a testar este novo sistema. Se resultar, aumentaremos a taxa de sucesso das nossas previsões de 50 para 70 por cento”, diz o responsável pelo centro, Lee Boon-ying, ao South China Morning Post.
O programa levará dois anos até funcionar em pleno, mas os técnicos da região vizinha garantem que os resultados serão satisfatórios. “No começo do ano previmos que o primeiro tufão não chegaria antes de Julho, e que haveria uns seis tufões em 2010. A primeira premissa confirmou-se, vamos ver quanto ao resto”, prossegue Lee.
Hong Kong pagou seis milhões de dólares pelo novo sistema. “Também alargámos a nossa cobertura a Macau e Guangdong, instalando detectores em seis locais”, referiu o especialista.
Fong Soi Kun, confrontado com estes dados, refere que, segundo sabe, o novo método “é apenas para prever trovoadas”. Mas assegura que, em Macau, a fiabilidade das previsões é mesmo de 70 por cento.
