António Rato defende novas concessões para voar

A Autoridade da Aviação Civil deve ter o papel de gerir a distribuição de concessões de operações aéreas e permitir a entrada de novas transportadoras. Em entrevista à Rádio Macau, António Rato, dirigente da CAM, afirma que não é possível aproveitar todo o potencial do mercado de aviação contando apenas com a Air Macau.

António Rato, da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM), defende que a Air Macau deve deixar de ser concessionária exclusiva de operações aéreas no território, devendo também a Autoridade da Aviação Civil (AACM) passar a gerir a concessão dos direitos.
Em entrevista à Rádio Macau, difundida no último fim-de-semana, o antigo director do Aeroporto Internacional de Macau (AIM) declarou que o território deve admitir a entrada de novas transportadoras, dado o facto da companhia de ‘bandeira’ da RAEM não ter capacidade para explorar todas as ligações com as quais já foram estabelecidos acordos de ligações aéreas.
“Consideramos que seria de todo conveniente que a Air Macau fosse capaz de fazer aquilo que quer fazer – aquilo que tem condições, capacidade e ambição para fazer. E que o Governo não ficasse hipotecado na possibilidade de outras companhias poderem usar os direitos de tráfego, que a Air Macau não pode usar”, disse o responsável da CAM, que gere o AIM, em entrevista conduzida por Gilberto Lopes.
“Criar condições para que a Air Macau tenha mais problemas não é uma solução que possa ajudar a aviação de Macau. Julgo que é o contrário. Nós devemos criar condições para que a Air Macau faça o trabalho de serviço público de um concessionário – mas suportá-la nesse aspecto”, defendeu, salientando que o território tem neste momento “múltiplos direitos de tráfego, ligações possíveis com imensos países e cidades, que a Air Macau, dada a frota que tem, não tem capacidade para fazer”.

Tempestade perfeita

O número de voos operados na estrutura da RAEM tem vindo a decair ao longo dos últimos dois anos. Porém, António Rato admite tratar-se de um efeito esperado do retomar das ligações directas entre Taiwan e o Continente, que veio representar uma quebra de 70 por cento no tráfego de transferência local, que representava metade das operações da estrutura.
Seguiram-se a crise financeira internacional, a epidemia do vírus H1N1 e, mais recentemente, a falência da Viva Macau, que, segundo o responsável da CAM, formaram a “tempestade perfeita” para as operações nesta região.
No entanto, a companhia que gere o AIM está confiante no crescimento do número de passageiros, conforme as previsões feitas no início do ano, ainda que a RAEM tenha passado a contar com menos uma transportadora em finais de Março último, com a perda de certificado de operações aéreas da transportadora ‘low-cost’ Viva Macau.
“Apesar da Viva, com que não tínhamos contado quando fizemos as projecções para 2010, nós continuamos a pensar que o nosso objectivo de 4.350.000 passageiros, para este ano, é possível. Isto significa que o tráfego de destino para Macau tem de continuar a crescer – e tem crescido”, assegurou.
Para garantir que os dados do final do ano batem certo com as projecções feitas, há no entanto que contar com um aumento das ligações que têm a RAEM como destino final, já que a perda do papel de transbordo entre Taiwan e Continente parece ser irreversível. “O crescimento nestes meses, até ao final do mês passado, foi de 10 por cento, apesar da falência da Viva. Mas continua a ter à volta de 50 por cento de quebra nos voos de transferência. Portanto, os voos de destino têm de compensar a quebra que nós estamos a ter nos voos de transferência – e que vai continuar até um valor residual”, calcula Rato.
Substitutos para a Viva

A CAM fez também já algumas diligências junto da Air Asia, companhia malaia de baixo custo, para que esta preencha o vazio deixado pela Viva. “A Air Asia é uma das hipóteses que nós estamos a ponderar para substituir alguns dos voos da Viva. Desde logo, o Vietname onde eles estão a tentar uma parceria com uma empresa vietnamita. E se se concretizar, vão ter voos para Macau”, revelou.
A Air Asia poderá também suprir a oferta em ligações à Indonésia, mas não para já. “Há bastante tempo, estávamos a falar com eles para ter voos a partir da Indonésia. Ainda não se concretizou. Não sei se irá concretizar-se num curto prazo, mas nós já temos uma companhia indonésia que vai voar para Macau, de Jacarta, a partir de Julho: a Mandala”, lembrou o dirigente da CAM, que gostaria também de ver a transportadora malaia operar voos entre a Índia e a RAEM.
“Em relação à Índia, a Air Asia está também a desenvolver um mercado. Nas conversas que temos tido, revelou interesse em utilizar a Air Asia X para eventualmente fazer voos entre a Índia e Macau. Tem alguns problemas de regulação, em termos de direitos de tráfego aéreo que é possível utilizar. Mas, se isso for resolvido, eles revelaram interesse em fazê-lo”, afirmou à Rádio, numa altura em aumenta do número turistas provenientes da Índia.
“Tem vindo a crescer em termos de visitantes para Macau a um ritmo espectacular, mesmo nas fases de crise”, salienta Rato sobre o mercado de turistas indianos.
Para o responsável, apesar do aumento constante na procura do território como destino turístico, têm sido poucos os benefícios colhidos pela aviação local. “Basicamente, do grande volume de visitantes de Macau e do grande desenvolvimento que isso tem na aviação, os grandes beneficiários até hoje não têm sido Macau ou o aeroporto de Macau. Têm sido Hong Kong, Shenzhen”, considerou.

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