Para que as LAG não sejam letra morta

Foram 62 actividades no espaço de um ano, destinadas sobretudo à formação e recolha de conhecimentos nas vertentes das Indústrias Criativas e Culturais e Comunidade, e da Cultura e Arte. O Albergue da Santa Casa da Misericórdia (Albergue SCM) faz o balanço de 2009, cumprido que está o primeiro ano após o arranque oficial da sua actividade.
Inaugurado a 22 de Janeiro de 2009, o Albergue promoveu mais de seis dezenas de iniciativas, tanto na qualidade de organizador como na de co-organizador. Neste total de eventos realizados incluem-se 15 conferências, 13 exposições e cinco visitas de estudo, além de debates, performances de multimédia, workshops, leitura de poesia e preparação de publicações.
“O balanço é francamente positivo”, afirma o director do Albergue SCM, Carlos Marreiros. “Conseguimos, com uma equipa muito pequena e muito jovem, arrancar com actividades e uma programação muito dinâmica. Ao longo deste ano, que agora se cumpre, conseguimos organizar uma média considerável de actividades por mês, atendendo a que estamos ainda no início do desenvolvimento do projecto.”
O “Ano 1” do Albergue SCM teve essencialmente como objectivos a formação e a recolha de conhecimentos nas mais diversas disciplinas das indústrias criativas e culturais. Procurou fazer-se uma análise ao trabalho que está a ser realizado em Macau a este nível, estimulando jovens criadores locais. “Começámos a série ‘100% Designed in Macau’”, exemplifica Carlos Marreiros, lembrando que o conceito já permitiu mostrar trabalhos de design de produtos, vídeo, grafismo, design de moda – e, já em 2010, de arquitectura.
Também no âmbito das exposições, mas numa vertente diferente, o Albergue SCM organizou a exposição foto biográfica sobre Carlos d´Assumpção, na comemoração do 80º aniversário do nascimento do advogado e político macaense. Na celebração de uma das mais importantes festividades locais, o Albergue levou a cabo uma exposição de lanternas tradicionais e criativas.
O Albergue da SCM promoveu ainda a divulgação do trabalho de artistas como Kit Kelen, Meng Shu, Rui Rasquinho, Huang Guang Hui, Konstantin Bessmertny, Vicente Bravo e Carmo Correia, organizando e co-organizando exposições na galeria do espaço no Bairro de São Lázaro.
O Albergue SCM teve igualmente como intuito, no seu primeiro ano de actividade, ajudar a perceber o que se faz fora da RAEM. “Trouxemos formadores de grande qualidade, de vários sítios, nomeadamente de Portugal, Inglaterra e Itália, mas principalmente China e Hong Kong, por estarem aqui perto e inseridos na estratégia do Delta do Rio das Pérolas”, refere Carlos Marreiros.
No âmbito da realização de conferências, estiveram no Albergue SCM especialistas de áreas diversificadas como Marco Imperadori, Cui Kai, Cheng Wai Tong, Guta Moura Guedes, Meng Shu, Wu Jiang, Gary Chang, Jean A. Berlie, Freeman Lao, Desmond Hui, Rocco Yim, Zhao Ruheng e Joseph Kwan, entre outros.
Numa outra perspectiva, foram organizadas cinco visitas de estudo – a Hong Kong, Xangai, Pequim, Lisboa e Milão. Participaram nestas viagens profissionais de diversas áreas, que tiveram a possibilidade de contactar com ideias, métodos e técnicas distintos.
Quanto aos debates, realizaram-se no Albergue SCM as sessões “Indústrias Criativas em Macau: O Primeiro Passo” e “Desenvolvimento Futuro das Indústrias Criativas de Macau”, com o objectivo de analisar e perceber a situação actual e as perspectivas futuras da RAEM.
O Albergue SCM colaborou ainda com outras associações e movimentos culturais em várias actividades, com destaque para o “Fringe 2009” e o “This Is My City 09”, um evento multidisciplinar organizado pela Associação Cultural +853 e que contou com o Albergue SCM como co-organizador.

Depois da dialética, a concretização de processos

Depois da atenção dada à formação e ao levantamento de talentos locais, o Albergue SCM vai, durante o corrente ano, “aprofundar a possibilidade de produtos desenhados em Macau serem produzidos de forma industrial e empresarial”, explica Carlos Marreiros, acrescentando que esta tarefa será desenvolvida com o apoio de jovens empresários que pretendem ir além das indústrias tradicionais.
“Vamos também fazer um esforço com agentes económicos para integrar todo este processo na região do Delta do Rio das Pérolas. Vai ser um ano de concretização de processos, de fabrico de protótipos, que sucede ao primeiro ano, que foi de dialéctica e de formação.”
O Albergue SCM pretende apresentar “propostas muito concretas quer ao Governo, quer ao sector privado”, de modo a provar que “é possível, através das indústrias criativas, contribuir para a diversificação económica, e é possível, através das indústrias criativas, criar mais-valias para a RAEM, não só ao nível estético, como também para uma melhor habitabilidade e qualidade de vida de Macau”, acrescenta Carlos Marreiros.
Para que esse objectivo seja cumprido, o Albergue SCM está a organizar um grande encontro de criativos a ter lugar já no primeiro trimestre deste ano. Em Macau estarão especialistas de origens várias. “Já temos a confirmação de convidados de grande qualidade de Portugal, Inglaterra, Japão, China e Hong Kong, e ainda de mais alguns países do Sudeste Asiático.” O director do Albergue SCM salienta que “as conclusões do encontro não serão meramente académicas”; servirão, isso sim, de “espinha dorsal para que o Governo possa concretizar efectivamente aquilo que está inscrito nas Linhas de Acção Governativa há cinco anos”.

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