Iveruk vence armada queniana

Vitor Rebelo
rebelo20@macau.ctm.net

Nunca a Maratona de Macau atingiu nível semelhante: 3.783 inscritos nas três provas do programa. Contingente africano era forte, mas foi o ucraniano Iveruk que chegou ao título. Só faltou o recorde de percurso, numa edição com muita gente lusófona. Portugueses acusaram dificuldades.

Talvez por se tratar do aniversário da RAEM, muitos quiseram marcar presença nesta vigésima oitava edição da Maratona Internacional de Macau. Daí ao recorde de participantes.
Segundo as contas do Instituto de Desporto, a principal entidade organizadora, inscreveram-se para as três corridas da “festa de fundo de Macau”, exactamente 3. 783 atletas. Número nunca antes atingido.
O território é cada vez mais conhecido a nível internacional, por várias razões, e isso estará a contribuir para que mais atletas mostrem interesse em experimentar esta competição de Macau. Ainda que os prémios fiquem muito aquém das provas do género mais famosas.
“Ficamos muito satisfeitos ao saber que num ano de Jogos da Ásia Oriental, a Maratona Internacional de Macau teve recorde de atletas inscritos”, declarações, ao PONTO FINAL, de José Tavares, vice-presidente do Instituto de Desporto.
“É de facto um sucesso termos tanta gente inscrita, mais de 20 por cento de crescimento. Para mim é um espanto isso ter acontecido, uma vez que neste fim-de-semana começaram os Jogos da Ásia Oriental aqui ao lado, em Hong Kong. Possivelmente os atletas quiseram ver como estava Macau ao fim de dez anos de soberania da República Popular da China.”

Prémios a manter

Os responsáveis consideram, entretanto, que terá sido uma boa aposta as duas voltas do circuito, Taipa-Coloane-Macau, com quatro passagens pela ponte Sai Wan.
Relativamente ao futuro da competição e aos prémios que atraem ou afastam os atletas, aquele dirigente considera que “a tabela foi revista há dois anos e por isso não há razão para se mexer, a não ser que haja patrocinadores novos a investir muito nesta corrida.”
Por falar em compensações monetárias, os dois vencedores desta Maratona Internacional de Macau receberam cada um 15 mil dólares americanos, cerca de 120 mil patacas. Longe de outras verbas, mas Macau parece não querer entrar em loucuras.

Ucraniano intruso

No que diz respeito à competição, nos 42 quilómteros e 195 metros, mais uma vez ,foi grande (e forte) o contingente africano, com muitos representantes quenianos, habitualmente a discutirem entre si o vencedor.
Só que desta feita havia um europeu no meio do pelotão, tentando passar despercebido, o ucraniano Mykhaylo Iveruk.
Aguentou a pedalada dos principais favoritos e manteve-se na cabeça do grupo da frente, conhecedor que era do percurso de Macau, uma vez que participava pela terceira vez na maratona, depois de ter sido terceiro classificado na edição de 2008.
Há vários anos que um grupo tão numeroso, perto de uma dezena, não chegava, unido, tão longe na prova. Só nos derradeiros quilómetros é que se começou a desmembrar e mesmo assim os três que terminaram na frente ficaram separados por pequenas diferenças.

Ataque definitivo

A quatro mil metros da meta, instalada no Estádio da Taipa, de onde partiram os maratonistas (às seis da manhã), Iveruk foi buscar forças para acelerar definitivamente o ritmo, ele que andou muitas vezes a “carregar’ os adversários na cabeça da corrida.
O fundista da Ucrânia estabeleceu o tempo de 2 horas, 17 minutos e 45 segundos, mais lento perto de três minutos do que o etíope Tsegay Adhane, vencedor em 2008 e cujo marca constitui recorde de percurso.
O queniano Micah Kipserem Chuma respondeu ao ataque final de Iveruk, mas deixou-se atrasar ligeiramente, o suficiente para não conseguir acompanhar o ucraniano até à entrada do Estádio da Taipa.
A diferença foi de somente seis segundos 2.17.51) e até mesmo o terceiro classificado, outro representante do Quénia, Jusius Kibet Mebur, não cortou a linha de meta muito longe dos da frente (2.17.58).
Os três do pódio foram os únicos a fechar a maratona na casa dos 17 minutos. Logo a seguir posicionou-se mais um atleta do Quénia, Frimin Kiplagati Kipchoge (2.18.01) e o chinês Gang Han (2.18.08).

Vantagem da experiência

A comitiva queniana deu nas vistas na prova deste ano, conseguindo colocar sete atletas nos dez primeiros lugares e há ainda dez nos quinze da frente.
No final da corrida, o vencedor Mykhaylo Iveruk referiu:
“Conhecia o percurso muito bem e isso ajudou a que conseguisse controlar a minha prestação. Mesmo assim tive de ir muitas vezes para a cabeça do pelotão, uma vez que os meus adversários não tomavam a iniciativa. Aqui em Macau não é fácil gerir o andamento, mas tive uma boa preparação e ganhei. Dedico a vitória ao meu filho que completou  precisamente hoje (ontem) dois meses de vida.”

Presença lusófona

Ainda no que diz respeito à maratona masculina, este ano fica marcado por uma nova fase de presença de países lusófonos, muito “por culpa” dos protocolos e amizade criados graças aos jogos da Lusofonia.
A RAEM ocupa actualmente a presidência da Associação dos Comités Olímpicos dos Países de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) e quis nesta prova contar com atletas que habitualmente têm estado arredados da maratona macaense.
Assim, Angola, Brasil, Timor Leste, Goa, para além dos habituais representantes de Portugal, deram uma feição diferente à edição de 2009, mais internacional do que no passado.
No entanto, no que concerne à competição-rainha (Maratona Internacional), não foi possível aguentar o ritmo dos quenianos, do ucraniano, do chinês e de dois etíopes (Bekele, sétimo, e Berhe, décimo primeiro).
A maior surpresa, pela negativa, foi a delegação portuguesa, bastante cedo fora da discussão dos primeiros postos. Praticamente ninguém os viu…
Salvou-se o quinto lugar no sector feminino de Elisabete Lopes, com o tempo de 2.44.40, longe dos 2.37.08 obtidos pela vencedora Roman Gebre Gessese, da Etiópia.
A segunda, a chinesa Lili Yuan, chegou mais atrasada (2.41.44), à frente da polaca Agnieszka Janasiak (2.42.09). A brasileira Sueli Aparecida Vieira, considerada uma das candidatas, quedou-se pelo sétimo lugar (3.01.56).
Nos maratonistas da casa, destaque para Kuok Chi Wai, um praticante de triatlo que se estreou nestas andanças, com um vigésimo lugar (2.42.51) nos homens. No sector feminino, a melhor de Macau seria Long Hoi (3.13.58).

Quénia na Meia
Macau na Mini

Nas restantes distâncias, o queniano Timothy Kibet Chelimo 1.08.24) e Chi Ling Mok, de Hong Kong (1.30.17) venceram a Meia Maratona (21.0975 kms de percurso), respectivamente em homens e mulheres.
O angolano Carlos Cangenguele foi quarto (1.12.22) e a sua compatriota Alda Adelina Maurício terceira (1.37.08), atrás de uma atleta de macau, Fong Leng Chao (1.35.19).
Na mini-maratona, com cerca de seis quilómteros e 500 metros, o mais rápido foi Chio Wa Ieong de Macau (21.30), da equipa da Associação desportiva de Enérgicos de Macau, enquanto nas mulheres a vitória pertenceu a Shanti Devi Adhikari (26.37), residente igualmente na RAEM e que representou o Galaxy Entertainment Group.

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