Emissões em português na Rádio Internacional da China | À beira dos 50

Os tempos da onda curta podem já ter passado, mas a RIC continua a encontrar ouvintes espalhados pelo mundo para as suas emissões, recorrendo também a parcerias locais e às novas tecnologias. O vice-presidente da rádio diz que haverá mais oportunidades para a divulgação da cultura de Macau com as celebrações da primeira década da RAEM.

Paulo Barbosa, em Pequim

O departamento de língua portuguesa da Rádio Internacional da China (RIC), um dos 59 serviços em língua estrangeira daquela emissora fundada em 1941, está a poucos meses de celebrar o meio século de existência. O vice-presidente da RIC e a coordenadora do departamento lusófono concordam na análise: segundo eles, há uma tendência de expansão do português na China e a língua tem um valor estratégico para Pequim, que usa a rádio para apresentar-se a países que considera importantes desse ponto de vista.
A primeira emissão em português da RIC foi para o ar no dia 15 de Abril de 1960 e a rádio começou por difundir, em onda curta, quatro programas diários de meia hora cada, dirigidos ao Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Programação que foi sendo ampliada ao longo dos tempos. Actualmente, o departamento conta com 18 membros, incluindo três brasileiros residentes em Pequim e um correspondente no Brasil.
Com a duração de uma hora diária, a programação inclui noticiário sobre a China, um espaço dedicado ao “tema do dia”, e rubricas como “sociedade chinesa”, “viagem pela China”, “vida económica”, “programa musical”, “encontro da CRI com seus ouvintes”, e “aula de chinês”. O serviço português ainda oferece diariamente dois boletins de notícias para 27 rádios espalhadas pelo Brasil e pela África, seguindo a política de, face ao decréscimo do uso das ondas curtas, encontrar parceiros locais para difundir os seus conteúdos.
Para além das emissões radiofónicas, os profissionais do departamento dinamizam uma página na Internet (http://portuguese.cri.cn) e, desde há pouco mais de um ano, começaram a redigir a revista Fanzine, onde são publicados artigos que têm como enfoque as iniciativas da secção portuguesa da RIC e a ligação da China com os países lusófonos.
O interesse pelo português parece estar em alta em Pequim, onde a língua é ensinada em três universidades. Catarina Wu Yichen, a jornalista que está a coordenar o departamento de português, calcula que haja cerca de 300 alunos a formarem-se em português na capital chinesa. Uma dinâmica que depois se reflecte no funcionamento do departamento português da rádio, que recruta alguns deles e chega a envia-los para universidades de Lisboa, onde podem aperfeiçoar os seus dotes de comunicação na língua de Camões.
Para Wang Yunpeng, vice presidente da RIC, a razão que leva universitários a escolherem o português, em vez de línguas mais populares, como o inglês, prende-se com motivos práticos. É que, na sua opinião, “há já muita gente a aprender inglês”, pelo que, dadas as dificuldades em encontrar emprego, é natural que muitos achem que escolher outra língua “assegurará o posto de trabalho no futuro, visto que há muitas oportunidades na língua portuguesa”.
A jovem Clara Lee, que começou a trabalhar na RIC no ano passado e fala fluentemente português com sotaque brasileiro, não foi motivada por questões tão pragmáticas. Natural de um local próximo de Macau, desde cedo teve contacto com a língua portuguesa. “Sempre gostei do português”, afirma.
O processo contrário foi feito por Fernanda, uma das três brasileiras que fazem parte dos quadros da rádio. Esta falante nativa do português veio há seis anos para a China, com o objectivo de aprender mandarim. Teve sucesso nos estudos, que a chegaram a levar a um breve estágio num jornal de Macau, e foi contratada há dois anos pelo departamento, que tem o grosso do seu público-alvo no Brasil e na África lusófona.
Segundo o vice-presidente da RIC, as oportunidades para a divulgação da cultura de Macau através da emissora internacional chinesa serão intensificadas a partir de agora. “Estamos em pleno décimo ano do retorno de Macau à China, por isso há um grande espaço de cooperação entre a nossa rádio e os meios de comunicação de Macau, especialmente o departamento de língua portuguesa”, declara. No departamento português, está a ser preparada uma operação especial que, avança Catarina Wu Yichen, inclui a transmissão ao vivo da cerimónia de celebração, através do site, e um programa especial, que será colocado no ar e disponibilizado online.

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