A bancada dos deputados nomeados na próxima legislatura deverá ser escolhida de forma concertada entre Edmund Ho e Chui Sai On, de entre as vozes que lhes são mais favoráveis. De acordo com a opinião veiculada ontem pelo jornal Va Kio, Vong Hin Fai é o nome quase certo na próxima legislatura – muito provavelmente acompanhado de Tsui Wai Kwan e Chui Sai Peng.
Decididos os mandatos directos e indirectos da 4ª Assembleia Legislativa de Macau, cresce agora a especulação em torno de quem assumirá os sete lugares de deputado por nomeação do Chefe do Executivo.
Na imprensa de língua chinesa, a articulista do Jornal Va Kio, Ng Chan, baseia-se no que tem vindo a ser discutido em alguns círculos políticos e associativos da RAEM para avançar alguns dos prováveis candidatos a figurarem no elenco do hemiciclo durante os próximos quatro anos.
Segundo aquela que é uma das opiniões mais influentes nas páginas dos jornais em língua chinesa, há dois ou três nomes que têm vindo a ser apontados, cuja probabilidade é grande de obterem a designação não só por Edmund Ho, mas muito provavelmente também por Chui Sai On – já que as nomeações deverão ser concertadas entre o actual e o próximo Chefe do Executivo, que terá de trabalhar com os deputados.
Vong Hin Fai, já com anterior experiência legislativa (precisamente na qualidade de deputado nomeado) e braço direito de Chui Sai On na campanha pela liderança do Governo, é dado como o nome mais consensual entre os vários círculos políticos e associativos sondados pela articulista. Tsui Wai Kwan, oriundo do sector comercial, e Chui Sai Peng, são outros dos nomes prováveis na próxima legislatura, prolongando assim a sua presença na AL.
Ng Chan aponta que Tsui Wai Kwan, como uma das vozes de maior apoio ao Governo, deverá convir ao actual e o próximo Executivo, tendo nomeação provável apesar de não ser uma figura bem vista por todos os sectores da sociedade.
Chui Sai Peng é outra das prováveis nomeações, apesar de ter, segundo a articulista do Va Kio, um argumento contra si: o facto de ser familiar do próximo Chefe do Executivo pode levantar suspeitas de uma tentativa de assegurar o poder da família Chui no hemiciclo – já que o irmão de Chui Sai On, Chui Sai Cheong, está também entre os deputados eleitos pela via indirecta na próxima legislatura.
No entanto, algumas opiniões ouvidas por Ng Chan vão no sentido de que mesmo assim possa ser nomeado devido à sua reputação profissional, sendo considerado capaz de ter uma “posição dura” e um bom desempenho na Assembleia Legislativa, acabando por dissipar eventuais suspeitas sobre a sua nomeação.
Philip Xavier indisponível
Em todos os círculos sondados pela autora do artigo de opinião do Va kio, o nome de Vong Hin Fai parece recolher bastantes vozes favoráveis. O motivo prende-se com a sua anterior experiência legislativa e também com o facto de ter sido mandatário de Chui Sai On na sua candidatura e, por esse facto, ter estado em contacto com as várias associações com as quais o próximo líder do Governo dialogou ao longo do período de campanha. Tal, entende Ng Chan, permitir-lhe-á compreender as necessidades dos vários sectores sociais.
Segundo o artigo do Va Kio, Vong Hin Fai estará também nas melhores condições para assumir o lugar de deputado deixado vago na Assembleia com a saída de Philip Xavier – um abandono não desejado pelo actual Chefe do Executivo, que ainda terá tentado, sem sucesso, convencer o deputado a integrar a próxima legislatura.
Com menores probabilidades de ser nomeado, mas também um dos nomes apontados como uma das escolhas possíveis, está Tse Chi Wai, coordenador do Centro de Pesquisa Estratégica para o Desenvolvimento de Macau, com a reputação de um homem culto e de posições próximas do Governo.
De saída da Assembleia Legislativa poderá estar Lei Pun Lap, segundo o artigo do Va Kio, que vê como mais provável a substituição deste, em representação do sector da Educação, por Ho Sio Kam, o actual presidente da Associação de Educação de Macau.
Outras das possibilidades apontadas é a de que o Chefe do Executivo queira assegurar maior representação da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM) na Assembleia, que nas eleições directas obteve apenas um mandato de deputado através da lista União Promotora para o Progresso. O deputado nomeado entre os Kaifong serviria o interesse dos sectores social e profissional. Porém, a necessidade de ter no hemiciclo uma voz associada à área da saúde poderá ainda ditar outra escolha. O Va Kio não faz referência a Leong Heng Teng, mas há quem diga que o ainda deputado eleito pela UGAMM (que não se recandidatou pela via directa) ambiciona à nomeação para o grupo dos sete.
A articulista lembra que apesar dos nomes apontados serem reconhecidamente próximos do Executivo, os deputados estão na Assembleia, não em representação do Governo, mas sim dos interesses dos cidadãos.
Ng Chan argumenta, porém, no final do artigo de opinião, que uma das falhas congénitas entre o círculo dos deputados nomeados tem sido o facto de não serem largamente aceites pela sociedade, pelo que – defende – a reforma política deve ir no sentido da democratização do sistema.
