Fim à vista para o Macau Open?

140909“O Macau Open de golfe só continuará se houver investimento privado que justifique a sua continuidade, dado que não se justifica usar o erário público para andar nas altas andanças da modalidade”, afirmou ontem José Tavares ao PONTO FINAL. O vice-presidente do Instituto do Desporto do Governo da RAEM falava minutos após o fim da décima segunda edição da competição que decorreu no Macau Golf & Country Club, em Coloane, com a vitória a caber ao tailandês Thaworn Wiratchant.
Este ano, competiram na prova, organizada conjuntamente pelo Instituto do Desporto e pela Associação de Golfe de Macau, 144 jogadores oriundos de 27 países. O valor total de prémios foi de 500 mil dólares americanos, ainda assim muito aquém relativamente a outros grandes torneios asiáticos, tais como os “opens” de Hong Kong (2.5 milhões de dólares) e de Singapura (5 milhões), ou os campeonatos de Xangai (7 milhões). Prémios elevados que, para José Tavares, se justificam porque “todos os outros grandes torneios asiáticos têm orçamentos que se devem aos patrocínios oriundos do sector privado, tal como acontece no Open de Hong Kong, onde o dinheiro vem de particulares como deve ser”. Ora, em Macau, os custos da prova, orçados em nove milhões de patacas, são pagos quase exclusivamente pelo Governo.
Perante um cenário em que “não houve resposta por parte de alguém que entrasse com dinheiro para a prova, apesar das tentativas da organização, e também não se tem registado um crescimento do número de espectadores”, o vice-presidente do Instituto do Desporto questiona a utilidade de “trazer à RAEM eventos internacionais sem proveito”.
Tavares lança mesmo algumas criticas à Associação de Golfe de Macau, que “não conseguiu até agora criar uma estrutura própria que sustente a organização”, tendo os próprios caddies (os auxiliares dos jogadores) que vir da Malásia. O responsável considera que a organização da prova ultrapassa as incumbências do Instituto do Desporto e não tem tido os reflexos desejados em termos de estímulo à actividade desportiva entre os jovens. “Queremos promover o desporto juvenil e este desporto é de elite, não têm sido cativados jovens para a sua prática, não há acréscimo algum nesse aspecto”, argumenta. Tavares deu o exemplo de outras modalidades onde se realizam grandes competições na RAEM, tais como o voleibol, que “atrai espectadores e novos praticantes”.

Apoios procuram-se

Embora considere que a décima segunda edição do torneio foi “um muito bem sucedida, Charles Lo, o director da Associação de Golfe de Macau admite problemas uma alteração de formato da prova e considera que a garantia da sua continuação acontecerá quando os organizadores conseguirem mais patrocinadores. “Vamos tentar obter patrocínios, não fazendo recair uma parte tão pesada da organização no Governo”. Confrontado com as reticências ontem manifestadas pelo número dois do Instituto do Desporto, Charles Lo defendeu que “o Governo deveria apoiar o Macau Open de golfe, porque se trata de uma prova importante para a RAEM”.
Em artigo ontem publicado no South China Morning Post, Cliff Chan, dirigente da Associação de Golfe de Macau, referia que a obtenção de patrocínios poderia ser facilitada se o torneio se mudasse para o segundo campo da região: o Caesars Golf Macau, localizado no Cotai. Isto porque o Macau Golf & Country Club pertence à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), de Stanley Ho. Factor que, segundo considera Cliff Chan, impossibilita a recolha de apoios entre os operadores de jogo.
Mas a hipótese de mudar a localização do Macau Open é desconhecida para José Tavares, que considera que o Macau Golf & Country Club “é o melhor campo da RAEM” embora o campo do Cotai “comece a ganhar dimensão”. Elogios partilhados pelo director da Associação de Golfe de Macau, para quem o campo vizinho da praia de Hác Sá “é muito bom”.

Paulo Barbosa

Vitória do tailandês Thaworn Wiratchant

O tailandês Thaworn Wiratchant venceu ontem o Macau Open de golfe, ao concluir a quarta ronda com 68 pancadas e fechar o torneio com um total de 269, 15 abaixo do PAR.
O australiano David Gleeson, vencedor de 2008, não foi além do 48.º posto, com 288 pancadas, quatro acima do PAR, num torneio em que não conseguiu efectuar qualquer ronda com menos de 70 “shots”.
O segundo lugar do Macau Open ficou entregue ao indiano Gaganjeet Bhullar, que concluiu a última ronda com 66 pancadas e a prova com 275, nove abaixo do PAR.
O último lugar do pódio coube ao australiano Matthew Griffinque, que concluiu a ronda de ontem com o melhor resultado entre todos os golfistas nos quatro dias – 65 pancadas nos 18 buracos -, mas terminou as quatro voltas com 278 “shots”, menos seis que o PAR, resultado idêntico ao do sul-africano Keith Horne.
O chinês Zhang Lian-wei, vencedor em 2001 e 2002 do torneio de Macau, não foi além de um sétimo lugar, com um total de 280 pancadas, menos quatro que o PAR.
Dos 67 golfistas que passaram à segunda metade da prova, apenas 27 conseguiram fechar o torneio com menos pancadas que o PAR do campo de Coloane.
A 12.ª edição do Macau Open teve em competição 144 golfistas, de 27 países e territórios, com o primeiro classificado a arrecadar 79.250 dólares, o segundo 54.250 e o terceiro 30.500, fechando a lista de prémios no 67.º colocado, que arrecada 1.250.

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