Hong Kong volta a ganhar a Macau (5-1) no Interport de futebol

Já não há memória de uma vitória de Macau sobre Hong Kong. Desta feita aconteceu goleada, entre duas equipas a treinar para o mesmo – os Jogos da Ásia Oriental. O árbitro foi caseiro, mas os jovens sub 23 da RAEM não têm ainda experiência para estas andanças.

Vítor Rebelo
rebelo20@macau.ctm.net

Todos os anos há este “mano-a-mano” no futebol das duas regiões administrativas. O Interport tem uma longa história e quase sempre favorável ao território vizinho.
Desta feita o embate foi aqui ao lado, no Estádio Mong Kok, onde se realizam habitualmente partidas da I Divisão de Hong Kong. Um recinto que vai sofrer obras profundas de remodelação. Foi por isso o último desafio no “velhinho” estádio.
Como tinha sido acordado entre os dirigentes dos dois lados, Macau e Hong Kong apresentaram as suas selecções sub 23, porque ambas estão em franca preparação para os Jogos da Ásia Oriental, que vão ter lugar precisamente na RAEK, em Dezembro.
E deu para ver que continua a existir uma diferença considerável entre os dois lados, ainda que se considere exagerado o resultado desta feita alcançado por Hong Kong (5-1).
A equipa macaense, treinada por Leung Sui Wing, curiosamente um homem que conhece o futebol do território vizinho (como as palmas das suas mãos), tinha ambições de um resultado razoável, pelo menos pontuar em terreno adversário.

Diferença continua

Sabe-se que a história é quase sempre a mesma nestes Interport. Hong Kong ganha em casa ou fora.
Em 2008 o palco foi Macau e a RAEK venceu por 1-0, tendo apresentado uma formação deste género, com muita juventude.
Digamos que são futebolistas para um futuro breve, só que os jogadores de Hong Kong têm muito mais experiência, uma vez que actuam num campeonato muito mais competitivo.
E essa diferença de ritmo voltou a fazer-se sentir, ainda que Macau tenha mostrado alguma evolução na sua postura, arriscando mais em termos ofensivos do que acontecia há uns anos atrás.
Só que a tal falta de experiência faz os resultados desnivelarem para o adversário.

Defesa reforçada

Leung Sui Wing é como que “obrigado” a reforçar a defesa sempre que Macau joga uma partida com adversário do exterior. Desde logo estão lançadas as bases para um jogo “a medo”, para sofrer poucos golos e tentar o ténue contra-ataque, porque faltam homens lá na frente.
Nada mais nada menos do que seis defesas de raiz actuaram de início: Lei Weng Chi (Hoi Fan), Lam Ka Pou (Lam Pak), Geofredo Sousa (Lam Pak), Lao Pak Kin (Ka I), Luis Amorim (Sub 23) e Lei Kam Hong (Sub 23).
Geofredo Sousa voltou ao seu lugar de libero e o certo é que resolve uma série de problemas lá atrás. Mas não vai a todas.
Assim, desde cedo que a formação macaense teve de suportar o adversário no seu meio-campo, tentando acertar nas marcações.

Golos consentidos

Só que cedo Hong Kong “estragou tudo” e marcou o seu primeiro golo. Estavam decorridos 13 minutos. Não houve cobertura no lado direito e até o próprio guarda-redes saiu em falso, permitindo um cruzamento curto que deu origem ao golo de Chi Lun Yeung.
Desde logo se viu a dificuldade do guardião Tai Chou Tek (Sub 23) em sair aos cruzamentos e nas bolas por alto. É que aos 21, há canto directo, na saída em falso do guardião. A centro de Wing Chak Pak.
Foram dois golos muito consentidos, que praticamente ditaram a restante história do desafio.
Convém dizer que os dois principais guarda-redes de Macau se encontram lesionados, Leong Chon Kit (Polícia) e Tam Weng Wa (Ka I).
A selecção da RAEM ainda reagiu aos dois golos e reduziu antes do intervalo (27 minutos), através de um tento de Ho Man Hou (Sub 23), bem lançado em velocidade do lado direito. Resistiu bem ao encosto de um defesa de Hong Kong e não perdoou.
O conjunto de Leung Sui Wing só tinha um avançado digno desse nome, Chan Kin Seng (Ka I), mas as bolas quase não lhe surgiam.
Na linha média, três homens, Paulo Chiang (Ka I), Ho Man Hou e Wong Wa Long (Sub 23), que se estenderam nos segundos quarenta e cinco minutos, permitindo mais lances de ataque e alguns calafrios à defensiva de Hong Kong.

Expulsão exagerada

Só que a selecção da casa continuava a ser a mais perdulária, construindo jogadas de golo não aproveitadas. Uma delas com guarda-redes e defesas de Macau “aos papéis” na pequena área. Só por milagre a bola foi parar às mãos de Tai Chou Tek.
E quando Macau apostava tudo no empate, aconteceu o lance mais polémico do jogo.
Tudo começou num livre a favor de Geofredo Sousa, que atirou contra as costas de um dos dois elementos da barreira. A bola ressaltou para o contra-ataque de Hong Kong. Leung Chun Pong entrou na área e a sua camisola foi puxada por Lao Pak Kin, batido em velocidade.
A grande penalidade (65 minutos) não deixou margem para dúvidas, mas a expulsão directa do jogador de Macau (que não tinha visto até aí qualquer cartão amarelo), acabou por ser uma decisão injustificável.
Um momento que abalou a equipa, uma vez que a partir daí (castigo máximo convertido por Leung Kam Fai), reduzida a dez elementos, praticamente nunca mais se viu.
Passou a ser ainda mais fácil a goleada para a formação de Hong Kong: 4-1 no minuto seguinte, golo apontado por Leung Chun Pong, e 5-1, aos 86, por intermédio de To Hon To.

Árbitro caseiro

Por aquilo que as duas equipas fizeram em Mong Kok, os quatro tentos de diferença são exagerados, mas acabam por marcar o desequilíbrio que quase sempre existe entre as duas selecções.
“Eles têm mais experiência do que nós, mas na minha opinião não foram muito superiores. Aquele lance do penalti, com expulsão, deitou-nos a abaixo. O árbitro estava do lado deles. Procurávamos nessa altura o empate”, declarações, ao PONTO FINAL, do capitão Geofredo Sousa, para quem Macau precisa de fazer mais jogos.
“A equipa necessita de muita competição, fazer muitos jogos com equipas do exterior, ir à China por exemplo. Caso contrário não vamos a lado nenhum. Os jogadores mais jovens não têm experiência e isso viu-se nesta partida em Hong Kong, em que entramos mal, muito nervosos, desconcentrados. Sofremos dois golos desnecessários e claro tudo se tornou mais complicado.”

Fisicamente superiores

Geofredo Sousa, que este ano vestiu a camisola do campeão Lam Pak, reconhece que o adversário “está fisicamente uns furos mais acima do que nós, ainda que no aspecto técnico a diferença não seja tão grande. Na segunda parte caímos em cima deles, mas aquele penalti e a expulsão exagerada, estragaram tudo.”
Macau saiu assim de Hong Kong com mais uma derrota, deixando o troféu do Interport entregue ao velho rival.
Resta dizer que a Associação de Futebol de Macau propôs este ano a realização de um outro jogo, na categoria de juniores (como acontece nos confrontos de hóquei em campo), mas Hong Kong não aceitou. Seria uma óptima oportunidade para os mais novos ganharem ritmo competitivo.

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