Macau perdeu com Myanmar (4-0) na Taça Challenge Asiática

Diferença de ritmo e calor

Um golo madrugador tirou as hipóteses de Macau ainda poder discutir o resultado com Myanmar. Desta feita não funcionou o contra-ataque e Macau perdeu na abertura do grupo de apuramento. Vai agora jogar com Cambodja e Bangladesh e as ambições são ainda mais reduzidas.

Vítor Rebelo

A selecção de futebol de Macau estava em estado de graça por ter superado a Mongólia na pré-eliminatória da Taça Challenge da Confederação Asiática. Mas rapidamente passou ao seu “normal”, ou seja, equipa de reduzidas ambições e de futebol de pouca qualidade.
Bastaram três minutos para que a formação treinada por Leung Sui Wing se encontrasse a perder na partida de estreia do grupo de apuramento da prova organizada para os “mais pobres” do futebol do continente asiático.
Só que há uns mais pobres que outros e este jogo diante de Myanmar veio mostrar mais uma vez que é muito difícil Macau contrariar o nível destes adversários, que têm evoluído bastante nos últimos anos.
A concentração ainda não estava cimentada quando surgiu o primeiro golpe, que começou a desenhar a derrota do conjunto macaense, no Estádio de Bangabandhu, na capital do Bangladesh, Dahka, local onde se irão efectuar todas as partidas desta série de qualificação.
A defesa de Macau, reforçada com cinco elementos (mais uma vez Geofredo Sousa alinhou como líbero, mas com maiores dificuldades para limpar a área), como aconteceu nos dois desafios diante da Mongólia, permitiu a pressão de Myanmar logo no início e o golo aconteceu, aos três minutos, através de Khin Maung Lwin.

Sem contra-ataque

A partir daí tudo se complicou e o nervos traíram a equipa de Macau, que teria de responder com o seu habitual contra-ataque.
Só que Myanmar mostrou, cedo, que nada tem a ver com a Mongólia e que o seu palmarés, ainda que modesto, estava muitos furos acima da selecção da RAEM.
E isso confirmou-se no andamento das duas equipas. Myanmar está nesta fase de apuramento para ganhar e seguir em frente. Macau só não quer perder por muitos e tentar marcar golos. Porque ambições, são quase nulas.
“Não tínhamos ainda aquecido para o jogo e por isso faltou-nos concentração no inicio da partida. Por isso sofremos o primeiro logo muito cedo, o que acabou por deitar abaixo a moral da equipa”, disse ao PONTO FINAL, via telefone, um dos defesas do “onze” macaense, Kwok Siu Tin, ele que enverga a camisola do Hoi Fan e que esteve ausente nos dois desafios com a Mongólia, por se encontrar lesionado.
“Está muito calor no Bangladesh e isso também teve a sua influência nesta derrota diante de Myanmar. Só que temos de reconhecer que eles têm outro ritmo de jogo, evoluíram muito mais do que nós. Nestes jogos internacionais essa diferença é evidente”, salientou Siu Tin, para quem “é pena que não possamos apresentar todos os jogadores que temos e que só não vieram porque estão em época de exames. Caso contrário estou certo de que as exibições e os resultados seriam um pouco diferentes.”

2-0 ao intervalo

Ainda na primeira parte do desafio, Macau sofreu o segundo golo, aos 15 minutos, por intermédio de Yaza Win Thein.
Bem cedo estava praticamente encontrado o vencedor. A estratégia defensiva montada por Leung Sui Wing não resultara. Ficava por saber se Myanmar iria manter o ritmo e golear Macau nesta estreia da série.
Até ao intervalo o resultado não se alterou, apesar de Macau ter tido duas oportunidades para reduzir, o que poderia ter dado outra história ao desafio.
Chan Kin Seng foi sempre o jogador mais adiantado, mas sem apoio. Leong Chon In e Ho Man Hou, que tinham feito “estragos” na defesa da Mongólia no jogo do Estádio da Taipa, não estavam lá e o contra-ataque nunca teve por isso o “veneno” da pré-eliminatória.
Chong Chi Chio alinhou no “onze” inicial como avançado, mas esteve sempre mais preocupado em segurar o meio campo do que em jogar para Chan Kin Seng.
Com vários ausentes, já se sabia que Macau entraria debilitado. E a diferença fez-se naturalmente, com Myanmar a assumir praticamente desde o inicio o domínio do jogo.

Nada se alterou

Na segunda parte, pouco ou nada mudou. Com a diferença de que a frescura física não era a mesma, para os dois lados.
A selecção da RAEM tentou responder, adiantando-se mais no terreno e reforçando o meio-campo, mas nada resultou. Apenas uma boa oportunidade poderia ter dado golo.
Myanmar controlava a partida e esperava por erros e espaços do adversário. Assim surgiram mais dois golos, de novo no período inicial, aos 48 minutos, por Pyaye Phyo Oo e aos 59 minutos pelo capitão Myo MinTun.
Praticamente a papel químico do que havia acontecido na primeira parte.
A partir daí foi aguentar o adversário para que o resultado não se avolumasse.

Pobre dos pobres

4-0 acaba por ser um “score” normal para a qualidade do futebol macaense, mesmo sabendo-se que estas selecções são de baixo ranking asiático.
Só que, como se disse atrás, os progressos de equipas como Myanmar e as restantes do grupo, Bangladesh e Cambodja, são superiores aos da RAEM.
O “anormal” foi a vitória por 2-0 na primeira mão da pré-eliminatória com a Mongólia e alguma sorte no segundo encontro em Ulan Bator. Mas há que dar mérito aos jogadores macaenses por esse excelente triunfo.
Kwok Siu Tin reconheceu que a equipa está muito mais fraca no Bangladesh e sem hipóteses de discutir o apuramento. “Vamos tentar equilibrar nos restantes desafios, mas com este calor e com as ausências será muito difícil.”

Técnico acreditava

Recorde-se que o treinador da selecção de Macau, Leung Sui Wing, disse, em conferência de imprensa já em Dahka, que queria ver o mesmo espírito de equipa que Macau mostrou na eliminatória com a Mongólia.
“Quero que os meus jogadores dêem seguimento ao que fizeram nos dois jogos anteriores e discutam o apuramento com todos os adversários.”
Aqui fica a equipa que alinhou de inicio neste confronto com Myanmar:

Leong Chon Kit (Policia); Geofredo Sousa (Lam Pak), Lei Weng Chi (Hoi Fan), Lei Kam Hong (Sub 23), Kwok Siu Tin (Hoi Fan) e Choi Keng Sang (Sub 23); Leong Lap San (Policia), Chan Man Hei (Pau Peng) e Lei Ka Kei (Sub 23); Chan Kin Seng (Ka I) e Chong Chi Chio (Sub 23).
Jogaram ainda três médios, todos na segunda parte, Che Chi Man (Lam Pak), Sio Ka Un (Sub 23) e Loi Wai Hong (Sub 23).

Segue-se o Cambodja

Vai seguir-se, amanhã (17,30 horário de Macau), a equipa do Cambodja, quwe ontem deu excelente réplica aos donos da casa, o Bangladesh, apenas perdendo pela margem mínima (1-0). O golo foi obtido aos 73 minutos por Mohammed Enamul Hoque.
Tirando Macau, que é sem dúvida a única selecção sem ambições de qualificação, os restantes três conjuntos prometem discutir o primeiro lugar.
Macau já defrontou o Cambodja, o ano passado, para a mesma competição e perdeu por 3-1.
No fecho desta campanha, o “onze” do território actuará na quinta-feira (20 horas) face ao Bangladesh, naquele que será provavelmente o jogo mais complicado, uma vez que é forte o apoio dos adeptos da equipa local e até é possível que o Bangladesh precise de marcar muitos golos para seguir em frente.
De referir que o vencedor do grupo estará presente na fase final, a realizar em 2010 na Índia, juntamente com os primeiros classificados das restantes três séries, que estão já decididos: Turquemenistão, Quirguistão e Sri Lanka.
Índia e Coreia do Norte qualificaram-se automaticamente.

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