Não destruam o Pátio do Mungo

Studio Nilau apela para protecção das antigas casas dos Lei

São casas que contam histórias tão diversas quanto o século que atravessaram. Mas os edifícios tradicionais chineses do Pátio do Mungo estão em vias de ser destruídos para lá nascer mais um arranha-céus.
O Studio Nilau, um grupo de residentes que apresentou recentemente ao Macau Indies um documentário sobre este espaço da cidade, apela ao Governo e à população para que a destruição seja evitada.
Em nota enviada à imprensa, os responsáveis do Studio Nilau realçam que os académicos de Zhejiang e Macau consideram relevante o Pátio do Mungo. Citam um estudo feito em conjunto por membros da Academia Chinesa de Belas Artes e do Museu de Arte de Macau (MAM), divulgado no passado sábado.
“Este grupo investigou uma série de casas chinesas da família Lei, situadas no Pátio do Mungo do Bairro da Praia do Manduco. É a primeira vez que há especialistas a considerarem a relevância do Pátio do Mungo como um conjunto urbano histórico”, indicam.
A mesma investigação citada pelo Studio Nilau indica que “o Pátio do Mungo é um dos conjuntos arquitectónicos de habitação de Macau de características tradicionais chinesas”, acrescentando que se trata de um exemplar pouco vulgar na cidade.
O Pátio do Mungo é constituído por 13 casas de arquitectura tradicional chinesa que foram propriedade da família Lei, oriunda de Xinhui. Parte dos edifícios foram construídos ainda durante a Dinastia Qing.
Mais tarde, durante a invasão japonesa, à semelhança de outras famílias provenientes da província de Guangdong, o clã Lei refugiou-se em Macau, acabando por ficar no território.
As casas foram vendidas no ano passado. Para preservar a memória do local e chamar a atenção da comunidade para a importância do conjunto arquitectónico, os elementos do Studio Nilau fizeram um documentário sobre o pátio, que integrou a selecção de 36 filmes locais do Macau Indies deste ano.
O documentário, baptizado com o nome do local, resultou de mais de seis meses de pesquisa e foi realizado por Lao Sin Hang, descendente da família Lei.
“As casas dos Lei serviram não só de habitação mas também como fábricas de panchões. O resultado da investigação trouxe a esperança de que o Pátio do Mungo possa continuar a existir”, explicam os membros do Studio Nilau.
Os defensores deste conjunto explicam que o valor das 13 casas encontra-se no moda de vida da comunidade chinesa tradicional de Macau. No Pátio do Mungo recua-se no tempo para se perceber como era a cidade cheia de “ian-cheng-mei” – o cheiro de sentimentos humanos, diz a equipa que rodou o filme.
O Pátio do Mungo não integra a zona de protecção do Centro Histórico de Macau – fica perto da Casa do Mandarim e da Bica do Lilau, onde os antigos moradores iam abastecer-se de água.
O Studio Nilau considera que o Pátio do Mungo, bem como toda a zona da Praia do Manduco, são “um componente importantíssimo para a História de Macau”, sendo um testemunho histórico da comunidade chinesa local.
Com a investigação da Academia Chinesa de Belas Artes e do MAM, o Studio Nilau espera poder atrair a atenção da população de Macau para a relevância histórica do Pátio do Mungo.
A zona da cidade vai ser dada a conhecer fora de portas: com o apoio do Instituto Português de Sinologia e da Universidade de Macau, o filme chegará ao público português e às comunidades chinesa e macaense a residir em Portugal no próximo mês de Junho.

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