Macau perde todos os jogos no Torneio de Hóquei em Patins de Montreux

A diferença é a competição

Apenas três golos marcados em três jogos. Macau discute hoje o último lugar. O treinador está satisfeito, apesar das goleadas. O torneio ajuda a dar contacto internacional à selecção, que pode voltar na próxima edição. Portugal, Espanha, Argentina e Angola discutem as meias-finais.

Vítor Rebelo

Já se sabia das dificuldades da selecção de hóquei em patins de Macau em ganhar um único jogo que fosse. É que a diferença de potencial é grande e no Torneio de Montreux, agora designado por Taça das Nações, participam equipas de elevado nível.
Pela primeira vez na história antiga (63 anos) da prova suíça, a organização convidou uma formação da Ásia, dando assim um cunho muito mais internacional, abrangendo quatro continentes. Fica a faltar apenas a Oceania.
Macau é o actual campeão asiático e deslocou-se a Montreux sem ambições de qualquer espécie. O objectivo era ter contacto internacional e preparar provas futuras, como por exemplo o Campeonato da Ásia deste ano.
Não houve surpresa, por isso, nos resultados alcançados por Alberto Lisboa e companhia, uma vez que se sabe do fosso que continua a existir entre selecções de hóquei em patins da Ásia e de outros continentes, em especial a Europa.
Macau começou por perder com a Suíça por 15-0, seguindo-se desaires, ainda na fase de grupos, face a Angola (20-3) e Argentina (16-0).
Os três golos marcados aos angolanos foram da autoria de Alfredo Almeida, Alberto Lisboa (acumula o lugar de treinador com o de jogador) e Hélder Ricardo.

Difícil fazer mais

A formação macaense ficava assim arredada de discutir as meias-finais, que se efectuam hoje, com as partidas Portugal-Angola e Espanha-Argentina.
No que diz respeito ao conjunto da RAEM, actuava frente à França, ontem à noite, quando fechávamos o jornal, em encontro a contar para o escalonamento final da tabela classificativa.
Em caso de derrota, que será o mais normal, uma vez que a os franceses (que só perderam com Portugal por 1-0), possuem uma equipa forte, o “cinco” do território terá de jogar pela última vez nesta Taça das Nações (hoje às 21,30, hora de Macau), com o vencedor do desafio Suiça-Montreux.
Macau não terá grande hipóteses de escapar ao derradeiro posto da prova, mas, como referiu ao PONTO FINAL, o técnico Alberto Lisboa, sairá de cabeça levantada e com algumas ilações a tirar depois dos confrontos com equipas bastante mais fortes.
“Pode parecer estranho, mas a nossa prestação foi muito positiva. Isto porque o nosso objectivo não tinha nada a ver com resultados, já que sabíamos que era impossível discutir qualquer jogo”, disse. “O que se pretendia era dar ritmo competitivo aos nossos jogadores. E isso foi conseguido. Cometemos muitos erros, naturais numa selecção que praticamente não tem jogos ao longo do ano e as ilações são tiradas para o futuro.”

Outro andamento

Segundo o treinador, “as outras equipas têm outro andamento, muitos desafios nas pernas, daí a diferença”. O maior desnível é esse, prosseguiu, “porque em técnica e preparação física, somos inferiores claro, mas não tanto como aquilo que se reflecte pela nossa falta de competição.”
De referir que as principais selecções desta Taça das Nações, as de maior prestígio, como são Portugal, Espanha e Argentina, levaram a Montreux formações mistas, ou seja, jogadores já com experiência nas andanças internacionais e outros à procura de entrar, muitos deles com provas dadas a nível de camadas jovens.
“São igualmente fortes e quase não se pode dizer que todas as equipas não são as principais. Algumas estão em renovação, como por exemplo acontece com a Espanha”, salientou Alberto Lisboa.

Repetir presença

Apesar de ser a selecção nitidamente mais frágil de um torneio que se efectua de dois em dois anos (sendo considerada a prova mais importante do panorama internacional, logo a seguir ao Mundial e ao Europeu), a organização já terá feito sentir aos dirigentes da Associação de Patinagem, representados pelo seu presidente, António Aguiar, a vontade de voltar a ter Macau no próximo torneio, em 2011.
“Penso que apesar das derrotas, que todos já sabiam ir acontecer, as outras delegações deram-nos elogios, reconhecendo que sem contacto internacional não há hipótese de discutir resultados. Eu preferi jogar aberto face a qualquer adversário, pois só assim evoluímos e aprendemos com os erros. Poderíamos sofrer menos golos se nos fechássemos lá atrás em frente ao guarda-redes. Quisemos dignificar os espectáculos. Só não temos ritmo e isso de facto nota-se.”

Portugal elogia

Relativamente a essa postura da selecção da RAEM, há até uma nota curiosa. O treinador de Portugal, Sénica, chegou mesmo a dizer que gostaria de ter defrontado Macau, não especificamente para marcar muitos golos, mas para poder praticar hóquei sem tanta dureza como acontece com as outras formações.
Alberto Lisboa diz que a equipa joga duro, mas sem “dar pau” como é costume dizer-se. Isso foi um ponto a favor da selecção campeã asiática.
“Ao longo dos desafios que realizámos tivemos várias oportunidades para marcar mais golos, mas a nossa inexperiência, aliada à qualidade dos guarda-redes contrários, não nos permitiu muito mais.”
Até ao jogo com a Argentina, que fechou as contas do Grupo B, o técnico apenas não tinha utilizado Dinísio Luz, mas tudo apontava para a sua estreia no jogo de ontem, com a França.
Aqui ficam os nomes dos jogadores que se deslocaram a Montreux: Leong Chak In, Cheang Koon Hou, Augusto Ramos, Alberto Lisboa, Hélder Ricardo, Nuno Antunes, Alfredo Almeida, Dinísio Luz, Edgar Rodrigues e José Cardinho.

Excelentes condições

No que concerne às condições encontradas nesta viagem a Montreux, “a delegação tem sido extremamente bem recebida, num torneio onde nada falta, com grande qualidade em todos os aspectos. É sempre bom estarmos presentes neste tipo de provas, não pensando nos resultados. Agradecemos o apoio que nos deram, em especial o Instituto de Desporto.”
A comitiva, onde se integram também o treinador adjunto Manuel da Luz, o árbitro Pedro Torrão (apitou vários jogos), os dirigentes António Aguiar e Dulce Atraca Lisboa, e ainda o fisioterapeuta Napoleão Assis, regressa a casa na próxima quinta-feira.

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