David Chow, o primeiro disponível

Empresário e deputado à Assembleia pondera candidatura a Chefe do Executivo

Não é um assunto tabu, mas quase. A poucos meses das eleições para o Chefe do Executivo, fala-se em possíveis candidatos mas ainda ninguém se mostrou disponível para entrar na corrida. No final da passada semana, o empresário David Chow passou a primeira pessoa a assumir publicamente estar a ponderar a hipótese. Em Hong Kong, estes assuntos tratam-se com mais antecedência.

Isabel Castro

Poderá nem chegar a formalizar a candidatura, mas entra já para a história destas eleições como o primeiro político do território a assumir publicamente estar a equacionar a possibilidade de avançar com uma candidatura a Chefe do Executivo. A notícia de que David Chow está a pensar nesta hipótese foi avançada pela Rádio Macau no final da passada semana.
“Todo o Comité da APRODEM [Associação Promotora do Desenvolvimento de Macau] pediu para eu me candidatar a Chefe do Executivo, mas ainda tenho de pensar, porque na APRODEM reúno apenas 15 votos e preciso de mais. Por isso vou falar com amigos para ver se tenho o apoio necessário. Em Maio, ou antes, terei uma resposta.”
Chow disse ter já garantido o apoio de 26 membros do colégio eleitoral, metade dos votos necessários para apresentar uma candidatura.
As declarações do empresário surgem numa altura em que ainda não é conhecido qualquer candidato assumido ao cargo que é ocupado por Edmund Ho desde Dezembro de 1999, não obstante estarmos a poucos meses das eleições.
Ho Chio Meng, procurador da RAEM, Chui Sai On, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, e Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, têm sido os nomes veiculados como possíveis candidatos, mas certo é que ainda nenhum dos três revelou essa vontade em público.
Como o PONTO FINAL noticiou, Ho Chio Meng é tido pela ala jovem do Partido Comunista Chinês (PCC) como o homem com o perfil ideal para ser Chefe do Executivo da RAEM.
Já Chui Sai On conta com o apoio de algumas elites políticas locais – tanto do empresariado como das associações de cariz tradicional -, sendo que Francis Tam terá do seu lado algumas figuras importantes com ligações ao sector do jogo. Em Pequim há também opiniões formadas em relação a estes dois membros do actual Governo, mas a Macau ainda não chegaram sinais expressos da preferência do Politburo ou de outras facções do PCC.

A hora dos outros

Quanto a David Chow, sabe-se que tem bons relacionamentos com as autoridades de Pequim, mas desconhece-se qual o nível de confiança política junto de quem tem poder para decidir sobre estas matérias. É que embora caiba ao colégio eleitoral (composto por 300 membros) decidir quem será o sucessor de Edmund Ho, certo é que a bênção do Governo Central e do Partido Comunista Chinês contam de forma efectiva para este campeonato.
O empresário ligado ao jogo tem um relacionamento especial com Pequim por via da sua actividade económica: o Hotel Legendale, situado no centro da capital chinesa.
O facto não teria qualquer significado se não fosse a forma como são atribuídas as concessões de terrenos na China – David Chow foi o primeiro empresário de Macau a conseguir tal proeza. Resta saber se a relação em termos empresariais tem uma equivalência em termos políticos.
Em 2006, o deputado à AL integrou a lista dos 10 talentos da China. Mais recentemente, no ano passado, foi distinguido com Prémio de Altruísmo da China – Filantropo Benemérito do Ano 2008.
A cumprir o terceiro mandato na Assembleia Legislativa, David Chow confirmou à Rádio Macau que não estará disposto para voltar a ocupar as suas actuais funções políticas. “É tempo de reestruturar a minha participação para que as pessoas não pensem que sou o único que consegue um lugar na Assembleia Legislativa”, disse.
“Tenho de ser justo para com as pessoas que me apoiam há já 20 anos, e justo também para com alguém que possa dedicar tempo a estas questões. É tempo de mudança e de outra pessoa. Mesmo que ganhasse e estivesse nos próximos quatro anos, é preciso pensar no que vai acontecer depois disso”, acrescentou.
Recentemente, David Chow confirmou, durante um debate na AL, estar cansado do trabalho no hemiciclo. A desilusão do empresário em relação ao que o órgão legislativo consegue fazer e com a relação entre a Assembleia e o Governo não é de hoje.
Mesmo sem Chow a liderar uma lista às eleições de 20 de Setembro próximo, a APRODEM vai avançar com uma candidatura que, de acordo com a Rádio Macau, deverá ter como número dois uma figura da comunidade portuguesa, à semelhança do que aconteceu em 2001, quando Jorge Fão foi eleito deputado ao lado do empresário.

A antecedência de Hong Kong

Em Macau continua a ser grande a incerteza e o silêncio em relação aos protagonistas das eleições deste ano, apesar da sua proximidade. Já em Hong Kong, a história é diferente: Donald Tsang está no cargo até 2012, mas a imprensa começa já a veicular movimentações em relação à sucessão.
O jornal South China Morning Post (SCMP) garante que o deputado ao Conselho Legislativo (Legco, na sigla inglesa) Leung Chun-ying disse em privado estar e estudar a possibilidade de se candidatar a Chefe do Executivo da RAEHK.
Leung não confirmou publicamente a sua pretensão, mesmo havendo (já) muita especulação em torno do seu nome. “Mas há sinais crescentes nos últimos meses que indicam que se está a preparar para uma candidatura”, nota o SCMP.
O matutino cita uma fonte não identificada para afirmar que o deputado assumiu categoricamente, pelo menos numa ocasião, estar disposto a ser candidato.
Questionado sobre a questão, Leung disse não ser verdade, mas não afastou a ideia. “Gosto do que estou a fazer e vou continuar a dar o meu melhor a Hong Kong. Tenho servido Hong Kong em diferentes funções públicas nos últimos trinta anos e vou continuar a aceitar novos desafios quando puder dar uma contribuição”, disse.
O deputado é membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. O SCMP diz que, de acordo com fonte próxima de Pequim, o deputado ao Legco se encontrou com políticos chineses durante a reunião magna na capital chinesa, que decorreu no mês passado.
“Não falou comigo directamente. Mas sei que algumas personalidades pró-Pequim acreditam que ele se irá candidatar “, explicou a fonte. “Tanto quanto sei, Pequim ainda não começou a pensar nas eleições para o próximo Chefe do Executivo. As questões económicas e as eleições para o próximo Chefe do Executivo de Macau são as prioridades da agenda.”
Leung Chun-ying é um dos três candidatos prováveis à sucessão de Donald Tsang: Henry Tang, secretário chefe, e John Tsang, secretário para as Finanças, são os outros dois políticos de quem se fala.
Já em 1996, Leung foi tido como possível candidato ao mais alto cargo político da RAEHK, que nasceu um ano depois e que acabou por ter Tung Chee-hwa como primeiro Chefe do Executivo. A fonte do SCMP acredita que o deputado deverá tornar públicos os seus planos nos próximos meses.

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