A complicar é que a língua se entende

Governo chinês introduz alterações à escrita simplificada

As autoridades chinesas anunciaram que vão fazer algumas modificações ao sistema de caracteres simplificados que se usa em toda a China Continental. De acordo com o jornal Shanghai Daily, já está pronta uma lista de caracteres revistos que será publicada em breve.
Os caracteres são baseados num sistema de radicais, que dão ao utilizador pistas para que seja possível compreender o significado da escrita. No entanto, segundo o Governo chinês, há caracteres simplificados que são demasiado simples, o que faz com que se torne difícil perceber o que querem dizer.
Em Março último, na reunião da Assembleia Popular Nacional em Pequim, um delegado de Tianjin colocou a possibilidade de se voltar a adoptar o sistema tradicional. Defendeu a ideia dizendo que os caracteres simplificados estão a contribuir para que se perca o património cultural da China.
Abolido no Continente em 1956, os caracteres tradicionais são actualmente usados em Macau, Hong Kong e Taiwan. Recentemente, Taipé manifestou a vontade de ver o sistema tradicional qualificado enquanto património mundial intangível.
Quanto à China, a proposta do delegado de Tianjin gerou uma acesa discussão em torno da hipótese. Há quem entenda que não faz sentido, mais de cinquenta anos depois, regressar aos caracteres tradicionais, e alerte para a confusão e dores de cabeça que poderá criar no sistema educativo do país.
Este fim-de-semana, a imprensa oficial chinesa deu conta de algumas reacções. No Dazhong Daily, Mao Jiangguo defendeu que alterações à forma de escrita devem ser alvo de um debate público, sustentando em simultâneo que são apenas necessárias pequenas modificações.
Mao realça que os caracteres simplificados são usados pela maioria dos chineses. Embora as populações de Taiwan, Hong Kong e Macau estejam habituadas ao sistema tradicional, será mais fácil fazer com que usem o simplificado – que já conseguem entender – do que obrigar milhões de pessoas a fazerem o processo no sentido inverso.
Já Li Zhenzhong, num artigo publicado no Yangtze Evening News, considera que não vale a pena discutir as vantagens e desvantagens dos diferentes sistemas de escrita. Na China Antiga, frisa, usavam-se caracteres tradicionais e simplificados, dependendo das necessidades. Os caracteres foram-se alterando com o desenvolvimento e com o aparecimento de novos materiais e instrumentos.
O Beijing News falou com vários peritos que avisam para o esforço que iria ser necessário para obrigar milhões de pessoas a aprenderem o sistema tradicional. Além disso, defendem, com o rápido desenvolvimento das tecnologias da informação, não há qualquer necessidade de regressar aos caracteres tradicionais – a prioridade deve ser padronizar o sistema simplificado.
Os mesmos especialistas sugerem que os estudantes chineses continuem a usar caracteres simplificados, mas que também aprendam a ler os tradicionais.

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