Macau vence Mongólia (2-0) e tem qualificação aos pés

Marcar e muito defender

Dois golos não dão tranquilidade total para o jogo da segunda mão, mas ajudam. Macau marcou nas duas oportunidades que teve e na segunda parte resistiu ao sufoco ofensivo do adversário. O Estádio da Taipa teve mais gente do que é normal.

Vítor Rebelo

Há muito que o futebol de Macau não conseguia um resultado como este. Dois golos de diferença numa fase de apuramento para uma prova internacional. É caso para dizer, não somos os piores do “lote dos últimos” no continente asiático.
Mas a selecção da RAEM não pode queixar-se da sorte, embora a tenha procurado nos primeiros quarenta e cinco minutos, período em que apontou os seus dois golos.
O jogo de ontem à noite no relvado do Estádio da Taipa, com cerca de seis centenas de pessoas nas bancadas (o que é quase um luxo para o futebol macaense…), teve uma primeira metade de equilíbrio, com a formação da casa, treinada por Leung Sui Wing, a protagonizar bons lances de ataque, pelo menos enquanto houve forças.
E nesse período de maior fulgor, com os extremos a serem lançados com frequência em velocidade, aconteceram os golos, ambos praticamente a papel químico. Lançamento para as costas da defensiva da Mongólia.
Tudo aconteceu num minuto, aos 22 e 23. Primeiro através de Chan Kin Seng (avançado do Ka I) e depois por Leong Chon In (extreme direito dos Serviços de Alfândega).

Apanhada de surpresa

Quase ninguém queria acreditar que a selecção de Macau estava a ganhar por 2-0 num desafio oficial de qualificação, neste caso para a Taça Challenge da Confederação Asiática de Futebol, competição destinada a “terceiros planos” do continente.
São países ou regiões que habitualmente estão fora do apuramento para o Campeonato da Ásia, em virtude do seu fraco ranking. É por isso uma prova de consolação.
Nem a própria Mongólia esperaria por certo ver-se tão rapidamente em desvantagem. Mas cometeu dois erros defensivos, deixando-se bater em velocidade por apenas um adversário em cada um dos lances.
Há que dar mérito à frieza dos marcadores, o que também não é muito normal no futebol de Macau. Desta feita não perdoaram na cara do guarda-redes Mendbaatar Batgun.

Aposta na velocidade

Face ao que o técnico de Macau sabia do seu adversário, pelo jogo recente realizado em Guam (Mongólia ganhou por 2-1), a estratégia era mesma essa, lançar rapidamente os homens da frente, rasgando a defesa mongol, que tem homens fortes fisicamente, mas sem rins para certos lances de um contra um.
A partir daí, Macau praticamente “apagou-se” da partida, em termos de ataque. Só Chan Kin Seng permanecia adiantado, mas agora sem o apoio dos primeiros minutos do jogo, em que Leong Chon In (direita) e Ho Man Hou (esquerda) criaram grandes problemas ao sector recuado da Mongólia.
O objectivo até ao intervalo estava cumprido, segurar o resultado, mesmo com sofrimento, já que a selecção mongol caía na área macaense, dando a entender o que seria a segunda metade. E foi mesmo.
A Mongólia quase “alugou” meio-campo, enviando bolas sistematicamente para cima da baliza de Leong Chon Kit, à espera do erro, do cansaço, de Geofredo Sousa, Sou Fai Wong, Lei Weng Chi, Lam Ka Pou, Luís Amorim e outros ajudantes do meio-campo.

Sufoco ofensivo

A avalanche atacante dos mongóis aumentava à medida que o tempo passava e Macau apenas conseguiu, de quando em vez, um ou outro contra-ataque, quase sempre pela esquerda, nos pés de Ho Man Hou. Só que a bola não chegava ao homem-golo, Chan Kin Seng.
E não fora a falta de maturidade na finalização dos avançados da Mongólia (que atacava com o seu meio campo todo em cima da área contrária) e Macau certamente não estaria agora a festejar um resultado quase histórico de 2-0. O principal perdulário foi Ganbaatar Tugsbayar, um dos melhores executantes da equipa.
Cedo, na segunda parte, o treinador Leung Sui Wing percebeu que o meio-campo estava “de rastos” e não chegava para as encomendas. Fez entrar o experiente Che Chi Man e passou a haver pelo menos algum equilíbrio e mais organização.

Geofredo intransponível

Mas a hora era de segurar a vantagem, colocando o máximo de homens possível na grande área, em auxílio do principal suporte da retaguarda, outro experiente, Geofredo Sousa, bem secundado por Luís Amorim, que correu o tempo todo.
O jogador agora ao serviço do Lam Pak, não cometeu um único erro, adaptando-se na perfeição ao lugar de “líbero” atrás do quarteto defensivo, ele que não tinha feito viagem a Guam no grupo de apuramento para o Campeonato da Ásia Oriental.
Todos esperam agora que Geofredo, capitão da equipa, possa estar presente na próxima semana em Ulan Bator, no desafio da segunda mão.
A Mongólia merecia ser saído do Estádio da Taipa com pelo menos um golo, já que desperdiçou várias ocasiões.
É um aviso para aquilo que poderá acontecer na capital da Mongólia (dia 14), ainda por cima com muito mais adeptos nas bancadas do que aconteceu aqui em Macau.

Experiência de Kit

Também uma palavra para o guarda-redes macaense, Leong Chon Kit (defende as cores do Grupo Desportivo da Polícia), que salvou duas situações muito complicadas já na parte final do encontro, em que Macau defendia com dez homens na sua área.
Mas valeu a pena o esforço e os 2-0 mantiveram-se até ao derradeiro apito de um árbitro do Sri Lanka (Chrishantha Dilan Perera), que mostrou dois amarelos a jogadores da Mongólia e que não teve praticamente grande trabalho.
Como curiosidade, aqui ficam os onzes iniciais da partida de ontem à noite:
Macau
Leong Chon Kit (Policia); Geofredo Sousa (Lam Pak), Sou Fai Wong (Lam Pak), Lei Weng Chi (Hoi Fan), Lam Ka Pou (Lam Pak) e Luis Amorim (Sub 23); Paulo Cheang (Ka I), Leong Chon In (Alfândega), Ho Man Hou (Sub 23), Leung Chon In (Sub 23) e Chan Kin Seng (Ka I). Jogaram ainda Che Chi Man (Lam Pak), Chan Man Hei (Pau Peng) e Chao Wai Hou (Sub 23).
Mongólia
Mendbaatar Batgun; Donorov Lumbengarav, Selenge Odkhu, Garidmagnai Bayasgalan e Gongorjav Dava-Ochir; Tserenjav Enkhjargal; Altankhuyag Murun, Norjmoo Tsedenbal e Ganbaatar Tugsbaya; Sukhbatar Geralt-Od e Chimeddorj Munkhbat.

Ganha quem marca

No final, em conferência de imprensa, o treinador da Mongólia, Ishdorj Otgonbayar, mostrava um semblante algo desiludido, limitando-se a dizer que quem marca é que ganha.
“Eles tiveram duas boas oportunidades e marcaram. Nós falhámos tudo. Essa a diferença deste jogo. Agora, diante do nosso público temos a responsabilidade de ganhar e dar a volta ao 2-0. Não vai ser fácil. Macau teve sorte de não sofrer golos e isso vai tornar a tarefa da Mongólia difícil para o jogo da segunda mão”, disse.
Quanto ao técnico de Macau, Leung Sui Wing, mostrava-se satisfeito pelo resultado alcançado: “Tentámos começar bem e não deixar o adversário jogar. Equilibrámos e conseguimos os golos em lances rápidos. Depois pedi aos meus jogadores para recuarem e defenderem com concentração na segunda parte. Não atacámos muito porque fisicamente já não estávamos tão bem como na primeira.”
O capitão Geofredo Sousa, considerado um dos melhores homens em campo, reconhece que houve felicidade no resultado. “Aproveitámos as ocasiões e eles dominaram na segunda metade. Tivemos sorte de não sofrer golos. Vamos ver como vai ser no segundo jogo, mas temos de voltar a actuar com grande concentração defensiva”, avisou.

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