Coutinho proibido de entrar em Hong Kong

Autoridades da RAEHK não deram explicações. Deputado está indignado

Diz que só pode ser uma “retaliação” ao que aconteceu nos últimos meses com os membros do Conselho Legislativo de Hong Kong pertencentes à ala democrata. Pereira Coutinho foi ontem impedido de entrar em Hong Kong. As autoridades da região vizinha não explicaram as razões da proibição. O deputado à Assembleia Legislativa vai queixar-se ao Chefe do Executivo.

Isabel Castro

José Pereira Coutinho foi ontem impedido de entrar em Hong Kong. O deputado à Assembleia Legislativa (AL) pretendia visitar a região vizinha para manter um encontro com delegados da Ásia da Organização Internacional do Trabalho, que estiveram ontem na antiga colónia britânica.
“Tínhamos uma reunião marcada para as 12h, para dar conta do que tem vindo a ser feito em Macau em termos de legislação laboral”, explicou o deputado, que amanhã vai submeter o seu projecto para a lei sindical à votação dos restantes membros da AL. “Cheguei a Hong Kong uns minutos depois das 11h e, já no balcão dos Serviços de Imigração, depois de ter entregue o meu BIR e a declaração de entrada, fui convidado a acompanhar uns agentes a uma sala ali perto”, contou ao PONTO FINAL.
De acordo com o relato do também presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), não lhe foi dada qualquer explicação para o impedimento colocado pelas autoridades da RAEHK. “Só pode ser por retaliação”, considerou o deputado, “mas não vejo qualquer razão para o fazerem comigo”.
Coutinho diz estar “indignado” e exige “um pedido de desculpas” das autoridades da região vizinha. “Não há qualquer razão para que eu não possa entrar. Fui obrigado a faltar a um encontro importante para a defesa dos trabalhadores da RAEM. Não posso admitir isto.”

Queixa ao Governo

O deputado à AL já ontem agiu no sentido de clarificar o que aconteceu e tentar perceber as motivações das autoridades de Hong Kong. “Se não tiver sido um engano, então só pode ter sido por retaliação”, reiterou.
Recorde-se que, entre Dezembro e Março deste ano, assistiu-se a uma série de episódios nos postos fronteiriços de Macau com deputados da ala democrata e activistas políticos da RAEHK a não serem admitidos no território.
Ontem, Coutinho enviou uma queixa às autoridades da região vizinha e hoje, ao princípio da tarde, vai à sede do Governo entregar um documento formal ao Chefe do Executivo, aproveitando a presença de Edmund Ho num encontro oficial com o ministro da Justiça português, Alberto Costa, que está desde ontem em Macau.
O também membro do Conselho das Comunidades Portuguesas entende que é necessário que as autoridades de Lisboa tenham conhecimento do que se tem vindo a passar no que toca à liberdade de movimentação.
“Tanto Macau como Hong Kong são regiões administrativas especiais que se regem por diplomas constitucionais que resultam de pactos supranacionais”, esgrime o deputado. “Há uma Lei Básica para respeitar”, vincou ainda.
O membro da Assembleia interpelou recentemente o Executivo da RAEM sobre os impedimentos que têm sido colocados a residentes de Macau nas fronteiras de Hong Kong, pedindo dados e informações sobre a questão. Agora, o problema atingiu contornos pessoais. “É impossível não ficar indignado”, desabafou.

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