O tempo é de crise e até os casinos se queixam. Stanley Ho diz que fala em nome de todos quando pede ao governo para que os ajude.
Ao fim de três reuniões, as três concessionárias do jogo de Macau – SJM, Galaxy e Wynn Resorts – mais as três subconcessionárias – Venetian, Melco/PBL e MGM/Pansy Ho – decidiram que está na altura de tomarem a sua primeira posição concertada face ao governo. O momento é de crise e, por isso mesmo, o consenso a que os 6 operadores chegaram é que chegou a altura do governo dar a mão ao sector do jogo.
“Acreditamos que é tempo do governo nos ajudar”, disse o patrão da Sociedade de Jogos de Macau, ontem à saída da assembleia geral da companhia. “Somos o sector que contribui com mais receitas para o governo e é apenas lógico que o governo nos ajude a nós primeiro, para que possamos depois ajudar as outras indústrias”.
Sem especificar modalidades, Stanley Ho falou na necessidade de um pacote de estímulos que permita ultrapassar a actual situação de estagnação do sector. Para diversos observadores, uma reivindicação que se prevê venha a ser apresentada a Edmund Ho é a descida do imposto de jogo, que actualmente se situa acima dos 40 por cento das receitas e é uma das maiores do mundo.
Ontem, uma reportagem da TDM indicava que o patrão da SJM via uma eventual intervenção do governo como a única saída possível para se “evitar o descalabro” num sector mergulhado numa “severa crise”.
As declarações de Stanley Ho seguiram-se a uma assembleia geral de resultados apurados no último ano, onde as receitas da SJM baixaram 30 por cento, mas os lucros chegaram ainda assim aos 1.200 milhões de patacas. Para o ano em curso, a palavra de ordem é continuar a investir, embora adiando para melhor oportunidade os projectos menos urgentes. A renovação do velho Hotel Lisboa fica assim a aguardar melhores dias, ao passo que empreendimentos como o Oceanos e o Casino Luck passam a ter prioridade absoluta. A SJM vai investir 1.250 milhões de patacas em 2009, e desse montante 1.000 milhões estão destinados ao projecto que vai ocupar o espaço até aqui preenchido pelo casino Jai Alai e pelo antigo centro comercial Yahoan, na Avenida da Amizade.
Jockey Club e Canídromo com resultados opostos
O Macau Jockey Club teve no ano passado prejuízos acima dos 100 milhões de patacas, enquanto a Companhia do Canídromo (Yat Yuen) apresenta para o mesmo período lucros de 80 milhões de patacas. Stanley Ho, também presidente das duas companhias, considerou os resultados “aceitáveis” se se tiverem em conta os efeitos do tsunami financeiro.
À saída da assembleia geral de ontem, o director da Sociedade de Jogos de Macau Ambrose So disse, entretanto, não ser ainda possível determinar com rigor o impacto do cancelamento da Semana Dourada do 1º de Maio, que permitia aumentar as férias de milhões de chineses e tinha reflexos positivos no número de visitantes chegados à RAEM. Ambrose So acrescentou, no entanto, que os resultados apurados pela SJM já no primeiro trimestre deste ano foram bons, tendo representado um acréscimo de 3 por cento em termos de penetração de mercado face a igual período do ano anterior, atingindo agora os 30 por cento.
O director da concessionária considerou ainda que os novos empreendimentos recentemente lançados pela SJM, ou em fase de conclusão, vão ter um impacto muito positivo nos negócios da empresa.
SJM poderá investir na Venetian
A Sociedade de Jogos de Macau poderá vir a manifestar interesse em investir na Venetian Macao, caso a concessionária presidida por Sheldon Adelson venha de facto a colocar à venda uma parte da sua operação na RAEM.
Ambrose So, director da SJM, disse ontem que, “dependendo do preço, estamos abertos a essa hipótese, quando essa oportunidade chegar ao mercado”. Mas para isso, sublinha o braço direito de Stanley Ho na SJM, é necessário que a Las Vegas Sands confirme estar vendedora. “Eles ainda não estão no mercado. Temos de ver o que é que eles têm para oferecer, o que possam vir de facto a oferecer – e só então iremos considerar essa hipótese. Mas estamos abertos a essa hipótese, sim”, concluiu Ambrose So.
Nas últimas semanas, a Las Vegas Sands tem feito saber que está em negociações com grupos económicos de Hong Kong e Singapura para a abertura do capital social da sua subsidiária em Macau a novos investidores estratégicos. A Melco/PBL, onde Lawrence Ho, filho do patrão da SJM, detém o controlo sobre metade das acções do consórcio, foi a primeira entidade a mostrar-se publicamente interessada no negócio.
