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A cidade que veio da pedreira

Janeiro 16, 2013

2675-1No projecto de habitação pública de Seac Pai Van cabe uma minicidade, com creche, escolas, centro de dia para idosos, posto médico, correios, mercado, banco e campos de badminton. Os deputados espreitaram ontem as obras do Governo no antigo terreno da pedreira. Dizem que as casas são pequenas e temem problemas de segurança.

Sónia Nunes

Estamos numa cidade dentro da cidade, sem habitantes por enquanto. No golpe de 52 mil metros quadrados (cerca de sete campos de futebol) aplicado no pulmão de Coloane, quatro torres imensas rasgam o céu cinzento e empoeirado pelas obras em curso nas redondezas. Uma grua descansa na curva de uma escarpa de granito ainda por cobrir e que ganha destaque por servir de lembrança aos tempos em que aqui se fazia extracção de pedra. Duzentas toneladas de explosivo, trinta mil dinamites e um ano e meio depois, o complexo de habitação pública de Seac Pai Van está pronto para a vistoria.

Os inspectores da obra – o maior empreendimento de casas sociais e económicas de Macau – são, desta vez, os deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas. O vice-presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, também veio. E estão cá mais: Chang Meng Kam, Angela Leong, Ng Kuok Cheong, Pereira Coutinho, Au Kam San, Vong Hin Fai, Chui Sai Cheong, Ho Sio Kam. São 16 no total e têm de se revezar para conseguir entrar num T3 e mergulhar nos corredores dos quatro lotes habitacionais construídos pelo Governo.

As casas “são pequenas” ou “o espaço podia ser maior”, comentam à saída dos apartamentos onde ora cabem meia dúzia de pessoas em pé numa sala ora não. As condições variam de torre para torre: numa os quatros são maiores; noutra, compensam as casas de banho. E em todas Angela Leong, administradora-delegada da Sociedade de Jogos de Macau, diz que a parede da cozinha devia vir abaixo para abrir mais espaço. É mais prático e moderno, entende. Pergunta: “Pode vir abaixo?”. Pode.

A acompanhar os deputados na visita a Seac Pai Van está o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, escoltado pelos directores dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Jaime Carion, e dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Wong Wan. O presidente do Instituto para a Habitação, Tam Kuong Man e o coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, Chan Hon Kit, também estão cá. São mais: Mak Kim Meng, do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municiais (IACM); Iong Kong Io, presidente do Instituto de Acção Social; Cheang Seng Ip, subdirector dos Serviços de Saúde; e Wong Kin Mou, da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude.

É no pátio do Edifício Koi Nga, com a ajuda de quatro televisores e uma série de PowerPoint, que percebemos a mobilização de membros do Governo. Neste complexo de habitação pública (incluído no plano de urbanização de Seac Pai Van, com uma área total de intervenção de 300 mil metros quadrados) vai nascer uma cidade em miniatura, com capacidade para 60 mil pessoas. Vai ter correios, centro de saúde, escolas, um banco, centro de dia para idosos, uma biblioteca, um mercado e serviços de apoio à família.

Creche em Seac Pai Van

abre este ano

Lau Si Io explica por que, para o Governo, o projecto de Seac Pai Van oferece mais do uma casa: “Damos muita importância aos equipamentos sociais que fizemos neste complexo. Queremos que os residentes que comprem ou que recebam estas fracções tenham uma vida mais cómoda com as infra-estruturas que construímos”. Os trabalhos de construção estão praticamente concluídos (prevê-se que terminem no segundo semestre deste ano) mas o secretário apresenta uma obra aberta: “Se as pessoas, quando começarem a mudar-se para cá, sentirem que há coisas que devem ser aperfeiçoadas, vamos aperfeiçoar”.

Só o Instituto de Acção Social é responsável pela gestão de, pelo menos, dez equipamentos. A creche, com serviços para bebés e crianças entre os três meses e os três anos de idade, oferece 224 vagas e deve entrar em funcionamento já este ano. Entre três edifícios de habitação pública vão ser ainda distribuídos um centro de serviços de apoio à família e à comunidade, um centro de acção social, um centro de dia e residências para pessoas portadoras de deficiência. Está também prevista a instalação em Seac Pai Van de uma equipa de intervenção comunitária para jovens e um centro de tratamento e distribuição de medicamentos, incluindo metadona. Estes projectos deverão estar concluídos até 2015.

Ng Kuok Cheong, da Associação Novo Macau, alerta para a formação de um novo bairro comunitário, onde poderão surgir “conflitos” sociais. “Estes edifícios vão receber cerca de cinco por cento dos residentes de Macau”, realça o deputado. A segurança em Seac Pai Van também preocupa José Pereira Coutinho, da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. “Falta um posto da polícia para meter alguma ordem. Estarão cá cerca de 28 a 30 mil pessoas. É muita gente. Na primeira fase, vai ser difícil”, antecipa o deputado. E acrescenta: “Os pátios, se não forem bem geridos, vão constituir focos de instabilidade juvenil e de sujidade. O Governo tem de dar mais atenção a estes aspectos”. Está prevista a instalação de uma esquadra, responde o gabinete do secretário Lau Si Io.

No terreno da antiga pedreira, vai também ser construída uma escola, com cerca de 15 mil metros quadrados. As obras deverão arrancar este ano – o projecto será entregue por concurso público – e prevê-se que a instituição entre em funcionamento no ano lectivo de 2014/2015. Numa primeira fase, a escola vai funcionar para o ensino infantil e primário, com espaço para 675 alunos e 27 turmas.

Em dois dos edifícios de Seac Pai Van vão ainda ser instalados um mercado de produtos secos, um centro comercial, um supermercado (Park´n´shop foi a cadeia que ganhou o concurso público), estabelecimentos de comida e lojas de venda a retalho. O projecto inclui ainda o Complexo Municipal de Seac Pai Van, com uma área de cerca de sete mil pés quadrados e sete pisos, geridos pelo IACM. Lá dentro, estará o mercado, um centro de actividades, dois campos de basquetebol, quatro campos de badminton, uma biblioteca e um posto de correios.

O complexo de habitação pública vai ainda ser serviço por um centro de saúde, que será concluído no segundo semestre de 2015. Até lá, está em funcionamento um posto de atendimento médico provisório, que ficará pronto já no próximo mês, com serviços de pediatria, planeamento familiar e clínica geral.

Pereira Coutinho insiste: “Podia fazer-se uma coisa melhor, com [fracções habitacionais com] dimensões dignas, mais confortáveis para as pessoas. Era o que podia ter sido feito se partirmos da estaca zero”.

O projecto de Seac Pai Van tem três torres de habitação económica e um de habitação social, oferecendo um total de 9.015 fracções. Os moradores vão ser as primeiras pessoas em Macau a usar água reciclada na descarga dos autoclismos e gás natural. As carreiras de seis autocarros foram ajustadas para chegar ao complexo e estão a ser planeadas mais quatro.

Não se sabe quando é que as chaves vão ser entregues. Até ao final do ano passado, foram atribuídas antecipadamente 1.578 casas, mas os contratos de compra e venda só deverão ser assinados no próximo mês. A última torre a ser inaugurada vai ser o Edifício On Son, com 366 apartamentos que estão ainda a ser vendidos. Já a torre de habitação pública, com 4 672 fracções, será ocupada de forma “faseada” até Junho.

Orçamento da UMAC “não vai aumentar mais”

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, garantiu ontem que o orçamento para de 9,8 mil milhões de patacas para a construção do novo campus da Universidade de Macau é o “limite máximo e inalterável” para o custo da obra. A afirmação surge depois de o Comissariado da Auditoria (CA) ter revelado que, até Março do ano passado, o investimento previsto estava já em 10,2 mil milhões de patacas.

“Existe uma diferença de postos de vista” entre o Governo e o CA sobre as previsões de orçamento de obras públicas, defendeu Lau Si Io, em declarações aos jornalistas, à margem da visita com os deputados ao complexo de habitação pública de Seac Pai Van. O secretário explicou que a Administração usou um modelo de execução do projecto que “consiste em concepção feita ao longo das obras em curso” e vincou que “as informações não eram completas” quando foi feita a estimativa inicial com um valor 75 por cento abaixo do actual. “Tudo isto traduz-se em factores que levaram à grande diferença entre os cálculos iniciais e o preço final”, disse.

Já o coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, Chan Hon Kit, esclareceu que os 9,8 mil milhões de patacas dizem apenas respeito às obras. Os 10,2 mil milhões anunciados pelo CA incluem outras despesas, com os gastos com o controlo de qualidade do projecto. E garantiu: “Os limites de orçamento para o novo campus da UMAC já estão fixados, pelo que não haverá mais lugar para qualquer aumento”.

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