Gás perigoso volta a atacar
Um edifício na Areia Preta registou na terça-feira valores anormais de sulfato de hidrogénio – o mesmo gás que provocou a morte de uma indonésia em Março. Os moradores não se livraram do susto, mas uma equipa interdepartamental do Governo esteve ontem no local e garante a segurança no prédio.
Stephanie Lai
Um novo incidente com libertação de sulfato de hidrogénio ocorreu na passada terça-feira num prédio residencial da Areia Preta, quatro meses depois da morte de uma mulher que inalou o mesmo gás. O Governo já prometeu investigar o novo caso nos próximos dias e ontem mobilizou um grupo interdepartamental constituído por funcionários das Obras Públicas, do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Instituto de Habitação, Corpo de Bombeiros e Serviços de Saúde.
O cheiro intenso a sulfato de hidrogénio no Edifício Fei Lung Court começou a ser sentido por volta das 11h de terça-feira, em vários pisos. Cozinhas e casas de banho foram as divisões mais afectadas, especialmente nas habitações localizadas entre o 13º e o 16º andar. Cerca de 40 pessoas acabaram por ser retiradas do local, mas nenhuma foi hospitalizada.
De acordo com Iu Chong Hin, comandante substituto do Corpo de Bombeiros, a maior concentração de sulfato de hidrogénio registada foi de 287 PPM, no 14º andar. No entanto, o valor máximo recomendável não deve ser superior a dez PPM.
Cinquenta minutos depois da chegada dos Bombeiros, o cheiro já havia sido dissipado. Ontem, durante a visita do grupo interdepartamental ao local do incidente, não foram registados valores anormais.
A Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), pela voz de Jaime Carion, garantiu que não há qualquer bloqueio na rede de drenagem que liga o Edifício Fei Lung Court às condutas na rua. Ao que tudo indica, o problema foi provocado por um morador que “não terá diluído em água um produto químico para desentupir canos”.
“A reacção química pode gerar um forte odor. Isso pode acontecer em qualquer apartamento, quer em andares baixos ou altos”, avançou o director da DSSOPT.
Apesar de o Governo ter garantido que vai entrar em contacto com a empresa que gere o imóvel, há moradores que dizem que os maus cheiros são comuns no prédio, especialmente em dias de chuva. “Hoje, lamento a compra do apartamento porque o mau cheiro aparece na cozinha e nas casas de banho. Quanto à empresa que gere o edifício, está a fazer um trabalho desleixado e não controla regularmente os sistemas de drenagem”, apontou a senhora Ian, que vive no sétimo andar com dois filhos.
Caso no Edifício Kin Wa é “muito mais grave”
Jaime Carion garante que o caso que terminou com a morte de uma empregada doméstica indonésia, a 6 de Março deste ano, é “muito mais grave” do que o registado na terça-feira. Recorde-se que a equipa de peritos indicada para apurar as causas do incidente mortal concluiu que foi a alta concentração de sulfato de hidrogénio, gerada pela utilização de um produto químico para desentupir canos, que provocou a morte da mulher. Além disso, a ventilação deficiente da casa localizada no Edifício Kin Wa, também na Areia Preta, adensou a perigosidade dos gás libertado. Apesar de ter sido concluída há cerca de um mês, a investigação não apurou responsáveis.
