Reforçar laços com Pequim
Os principais rostos da política local ouviram um especialista em assuntos militares do Continente, que viajou até Macau para falar sobre segurança nacional. Dois analistas dizem que a palestra serviu para dar maior abrangência ao pensamento dos decisores da RAEM e reforçar os laços com Pequim.
Stephanie Lai
Um importante meio de “educação nacional” capaz de “alargar as perspectivas” dos responsáveis locais. É assim que um comentador televisivo e um académico da Universidade de Macau (UMAC) olham para as palestras co-organizadas desde o ano passado pelo Executivo da RAEM e pelo Gabinete de Ligação do Governo Central. A última decorreu na sexta-feira, no Centro de Ciência.
Coube ao vice-presidente do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade da Defesa Nacional do Exército de Libertação do Povo Chinês e membro do Conselho Consultivo do Planeamento Estratégico da Comissão Militar Central, Meng Xiangqing, viajar até Macau para falar – à porta fechada – sobre segurança nacional. Entre os 400 participantes estiveram nomes como Edmund Ho e Chui Sai On.
Os actuais desafios de segurança nacional e a relação sino-americana foram dois dos temas abordados por Meng. Na opinião do comentador televisivo Wong Tong, são assuntos que ultrapassam as questões económicas que marcam o dia-a-dia de Macau e que ajudam os responsáveis políticos locais (incluindo o Chefe do Executivo e os delegados locais da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) a compreenderem os dossiers que marcam a agenda do Continente.
“Esta palestra não tem como objectivo fazer de Macau um acérrimo apoiante da China. É, sim, uma forma de educação nacional direccionada para 400 membros da Administração e de empresas, que muitas vezes estão desligados da actualidade do Continente”, explica Wong Tong, que acrescenta: “A China está a tentar manter a sua agenda de estabilidade e a educação pode ser vista como uma oportunidade, até para compensar a resistência que chega de Hong Kong devido à disciplina de educação nacional. Além disso, as vozes dos militares chineses encontram nestas palestras um canal próprio de comunicação, numa plataforma internacional como é Macau, que vai além do âmbito do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.”
Para o académico Wang Jianwei, Macau é visto como um território seguro, economicamente estável, que não pode esquecer o vínculo que tem com o Continente. É neste sentido que o professor universitário da UMAC recorda que a palestra de sexta-feira reforça o princípio “um país, dois sistemas”. Além disso, serve para que a região administrativa especial esteja alerta sobre os principais assuntos que marcam a agenda geopolítica do Continente.
“Se os problemas de segurança no Mar do Sul da China se agudizarem, isso afectará o fluxo de turismo para Macau”, exemplifica Wang Jianwei.
A palestra de sexta-feira foi a quarta a ser organizada este ano pelo Governo da RAEM em parceria com o Gabinete de Ligação do Governo Central no território. Em Abril, foram discutidos temas como a “missão histórica do amor à Pátria e a Macau na nova era” e “o sistema político da RAEM”. Já no mês passado, foi analisada “a actualidade internacional e a diplomacia da China”.
No arranque destas palestras, há um ano, Macau recebeu o director do Instituto de Investigação Estratégica da Universidade da Defesa Nacional do Exército de Libertação do Povo Chinês. Curiosamente, Jin Yinan também proferiu uma conferência sobre segurança nacional.
