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Piores em contas, melhores em letras

Julho 11, 2012

Foi nos exames de Matemática, de Física e Química, e de Economia que os alunos da Escola Portuguesa de Macau mais derraparam. As notas desceram em relação ao ano passado, mas houve subidas em História e Português. A Associação de Pais está preocupada com as consequências no acesso ao ensino superior, especialmente com as novas regras do contingente.

Inês Santinhos Gonçalves

Foram várias as disciplinas que registaram resultados piores, em comparação com o ano passado, nos exames nacionais (Portugal) realizados pelos alunos do ensino secundário da Escola Portuguesa de Macau. Ainda assim, as médias foram superiores às registadas em Portugal.

As médias oficiais ainda não foram apresentadas pela escola, mas as notas já estão afixadas no átrio. O PONTO FINAL consultou as pautas e fez as contas, mas deixa o aviso: estes não são números oficiais. As médias que fizemos contaram apenas com os alunos internos, aqueles que estão matriculados na escola, mas vale a pena referir que alguns alunos, apesar de uma minoria, efectuaram ali exames, como alunos externos.

Comecemos pelas boas notícias. A disciplina com a média mais elevada foi História, com 13,8 valores, uma subida razoável em relação ao ano passado em que a média foi 10,6 – o PONTO FINAL não conseguiu apurar se os resultados de 2011 fazem referência apenas aos alunos internos ou se incluem também os externos. Desenho A conseguiu, segundo as contas não-oficiais do PONTO FINAL, 13,6, o que também representa uma subida, já que no ano passado a disciplina ficou pelos 10,7. A terceira média mais alta, e que também foi superior ao ano anterior, é a de Biologia e Geologia, com 12,5 – um resultado favorável quando comparado com os valores de Portugal, em que a média foi negativa: 9,3.

Os alunos da Escola Portuguesa de Macau também se saíram bem a Português. A média foi de 12,4, mais dois pontos que no ano passado, em que atingiu os 10,4. Em Portugal esta disciplina obteve resultados negativos, com uma média de 9,5. De notar as notas elevadas dos alunos de Português como Língua Não-Materna. A média foi de 15,8, mas apenas cinco estudantes realizaram o exame.

Matemática com piores resultados

A partir daqui começam as más notícias. Matemática A conseguiu uma média de 10,4 que, sendo bastante superior à de Portugal (8,7), significa uma descida em relação aos resultados do ano lectivo transacto: 14,8. A nota mais alta entre os 21 alunos internos foi de 19 valores e a mais baixa de cinco. Oito reprovaram no exame, 13 passaram. Se contarmos com os alunos externos – que geralmente são uma minoria mas no caso de Matemática A são dez – a média baixa drasticamente. Todos tiveram resultados negativos, com uma média de 4,8 valores. Se incluirmos os alunos externos na conta geral, a média de Matemática A desce para 8,6, inferior à média em Portugal.

Da A para a B, o cenário piora, com os resultados a Matemática B a situarem-se nos 7,6 valores.

Física e Química, um exame obrigatório para muitos cursos superiores na área da saúde e ciências, obteve uma média negativa, 9,3 que, sendo superior à de Portugal (7,5) é inferior à conseguida no ano passado, 12,5. Foram 23 os alunos internos a prestar este exame e sete externos – entre estes, apenas um teve nota positiva (11) e três estavam inscritos mas faltaram no dia da prova.

Economia não conseguiu também uma média positiva, ao contrário do ano passado. Este ano os 13 alunos da Escola Portuguesa que fizeram o exame obtiveram uma média de 9,7 valores, enquanto em 2011 conseguiram 10,4.

Geografia e Geometria Descritiva conseguiram valores médios, de 12,3 e 11,6 respectivamente.

Carlos Simões, presidente da Associação de Pais, estava à espera da descida: “Temos noção de que as notas este ano foram piores que no ano passado. A nível nacional também houve uma tendência para as notas serem piores do que o habitual”.

A associação vai agora reunir com a direcção da escola para “debater que medidas é que podem ser tomadas para contrariar esta tendência”. De qualquer forma, Carlos Simões está inclinado a concluir que os resultados dos alunos da Escola Portuguesa de Macau se devem ao grau de dificuldade dos exames – dificuldade essa que muitos alunos acusaram logo após a realização das provas. “Se a tendência geral foi para as médias baixarem, terá mais lógica concluir que subiu o grau de exigência do que concluir que, no geral, todos os alunos passaram a estudar menos”, aponta.

Acesso ao superior mais limitado

A descida das médias dos alunos de Macau pode dificultar o acesso ao ensino superior em Portugal, destino preferido por muitos estudantes da Escola Portuguesa após o secundário, admite Carlos Simões. Especialmente se forem tidas em conta as alterações ao contingente de Macau: agora, os alunos que pretendem candidatar-se às universidades portuguesas só podem contar com as notas da primeira chamada. “Um aluno que se proponha a ir à segunda chamada para obter uma melhor nota já não pode usar essa nota que venha a obter. Tem de fazer uma opção entre ficar com a nota da primeira chamada e ir pelo contingente de Macau ou ir à segunda chamada e entrar pelo contingente geral”, explica o presidente da Associação de Pais.

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Um Comentário leave one →
  1. Julho 12, 2012 1:08 am

    É a sina dos portugueses!

    Somos fracos em Contas: pagamos mal, recebemos mal, gastamos mal, não gerimos bem o orçamento, não gerimos bem o défice…

    Mas somos fortes em Letras: letras de câmbio, letras vencidas, letras do “prego”, avales (que pouco valem), prosápia, letras de música (a dar música a quem devemos). “Letra” é coisa que não nos falta…

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