Feira das oportunidades
A Exposição de Franquia de Macau abre hoje portas no Venetian, com a promessa de “cooperação” entre empresários e investidores. O argumento é da administradora do IPIM, Echo Chan, que ontem abriu o primeiro fórum de debate do evento, na Torre de Macau.
Pedro Galinha
O Venetian é o palco da quarta edição da Exposição de Franquia de Macau. O evento, co-organizado pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e por seis associações do sector, arranca hoje e prolonga-se até domingo.
Além de mais de 150 expositores, a feira é composta por um ciclo de debates que contam com a participação de representantes do sector. Ontem, na Torre de Macau, foi dado o pontapé de saída destes fóruns, com a discussão a centrar-se nas oportunidades de negócio na exploração de marcas internacionais em regime de franquia e lojas em cadeia.
Coube à administradora do IPIM, Echo Chan, abrir a sessão com a informação de que há um aumento do número de marcas internacionais e cadeias de lojas a operar em Macau. Estas actuam no território “em regime de franquia” e marcam presença na RAEM motivadas pelo “desenvolvimento do turismo”.
Aos jornalistas, Echo Chan acrescentou que a organização da feira no Venetian é também uma oportunidade para jovens e para as Pequenas e Médias Empresas (PME) apostarem na “cooperação”. A responsável recordou igualmente que a perspectiva local do evento pode funcionar para “diversificar”.
Este aspecto também foi abordado pela presidente da Associação de Cadeias de Loja e Franquias da China. Guo Geping ofereceu um dos discursos mais empolgantes (ver caixa), dando enfâse às oportunidades que a China apresenta no que diz respeito aos negócios de franchising.
Ainda assim, quando se aposta neste sector há cuidados a ter em conta. David Foster, presidente da Associação de Franquias da Nova Zelândia, alertou que as diferenças culturais jamais podem ser descuradas.
“É realmente importante que se faça uma investigação para ter a certeza que um determinado sistema vai funcionar num país. Há exemplos de negócios de franquia que foram importados para e não resultaram”, argumentou Foster, antes de concluir: “Só porque uma coisa funciona num país não quer dizer que funcione noutro.”
O peso do sector é cada vez maior em todo o mundo. Na Coreia do Sul, por exemplo, “as franquias contabilizam 1/5 da economia”, garantiu Kim Yong Man.
O presidente do Conselho de Administração da Associação de Franquia da Coreia aproveitou a ocasião para dar o seu exemplo pessoal. Quando 1984 abriu uma loja de produtos alimentícios não sabia que o seu investimento poderia resultar num império com mais de 300 estabelecimentos, com presença não só no país natal, como também na China Continental.
A “melhor forma” para apostar no mercado estrangeiro deve ser alavancada por joint-ventures. A opinião é do malaio Nelson Kwok, que deixou um aviso a todos os presentes.
“Quem sai para outro país deve consultar a legislação existente no que diz respeito a direitos de propriedade, para evitar que se apropriem da marca”, alertou o presidente da Associação de Cadeias de Lojas da Malásia.
A sessão de arranque da Exposição de Franquia de Macau ficou completa com a intervenção de Kyo Ito, que mostrou as traves-mestras do sucesso japonês na área do franchising. “Qualidade e padrões de higiene” são os segredos das marcas “made in Japão”, especialmente ligadas aos géneros alimentícios – o mais representativo do país.
Chong Lo
Organização da Exposição de Franquia de Macau
“Macau é só uma plataforma”
- Quais são os objectivos da organização?
Chong Lo – Este ano, gostaríamos de receber 13 mil pessoas durante os três dias da feira. Esperamos também criar mais teias de negócios entre os participantes na casa dos dez por cento, uma vez que acreditamos que os responsáveis pelos expositores têm investido mais nas potencialidades deste evento. Há espaço para explorar contactos em Macau.
- Os participantes olham para Macau como um local de oportunidades?
C.L. – Macau é só uma plataforma, que serve para mostrar oportunidades aos investidores. Muitos vêm da província de Guangdong porque está aqui ao lado. No ano passado, uma marca de comida japonesa que esteve na feira obteve sucesso e, hoje em dia, tem representação no Continente. É por isso que Macau funciona como uma excelente plataforma.
- Não há intenção de expandir marcas em Macau?
C.L. – Também há. No ano passado tivemos exemplos de empresas que mostraram os seus produtos aqui e que hoje têm lojas em Macau. Mas, como disse há pouco, o principal motivo que traz os expositores à feira é a oportunidade de entrar no mercado chinês.
- Quantos países estão envolvidos nesta feira?
C.L. – China Continental, Filipinas, Japão, Malásia, Taiwan, Hong Kong, Coreia e Tailândia.
- E de Macau?
C.L. – Há 49.
- Quais são os custos envolvidos para expor as marcas e produtos?
C.L. – Quem fica num espaço dito normal paga cerca de dez mil patacas. No entanto, há quem solicite áreas maiores para construir pequenos pavilhões. Esses têm um custo maior.
