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Macau apaga fogos

Junho 28, 2012

A ausência de fronteiras marítimas faz com que, na altura de participar em missões de salvamento, Macau não tenha regras estabelecidas sobre até onde ir. O que impera é o bom-senso, explica Lao Wai Chun, da capitania dos Portos. Ontem, Macau, Guangdong e Hong Kong participaram num simulacro de salvamento conjunto, que envolveu chamas, helicópteros e homens ao mar.

Inês Santinhos Gonçalves

Um choque entre duas embarcações, uma de passageiros, outra industrial ao largo de Zhuhai, resulta num panorama de alto risco: quatro passageiros caem à água, 106 precisam de ser evacuados com urgência, e um incêndio deflagra. Vinte embarcações de Macau, Guangdong e Hong Kong acorrem ao local para iniciar os trabalhos de busca e salvamento.

Este foi o cenário de um simulacro que ontem reuniu forças das três regiões. A ideia é fortalecer a capacidade de resposta, ainda que nos últimos anos não se tenham verificado acidentes de assinalável dimensão.

Para chegar à Ilha de São João, em frente da qual tudo aconteceu, são duas horas numa embarcação de recreio. A meia hora de Macau a água deixa de exibir a sua costumeira tonalidade acastanhada para passar a apresentar um orgulhoso verde-esmeralda. Mais meia hora e começam os primeiros enjoos – nem o sol o mar salva os sofredores.

Finalmente, chega a hora. Jornalistas e outros observadores sobem ao convés , máquinas fotográficas em punho. Um pequeno barco zarpa a toda a velocidade em direcção a uma zona de onde emerge fumo vermelho. Ali, explica a Capitania dos Portos, é o local onde caíram as quatro pessoas que necessitam de resgate.

Com esse problema resolvido, salta à vista o grande imbróglio: as duas embarcações que chocaram. A de passageiros ficou danificada – ou pelo menos, finge-se que sim – e começa a ser invadida pela água. É preciso evacuar o barco e tal acontece num ápice.

Os ânimos acalmam-se e por minutos os jornalistas deixam de se acotovelar. Tanta agitação no mar gerou uma ondulação daquelas, e toda a gente se agarra ao que pode. Até que da embarcação industrial começam a surgir chamas. As sirenes disparam e as fotografias recomeçam. E eis que entra em cena o grande herói da tarde, o Barra, o único dos 20 barcos da operação que vem de Macau. Com apenas dois anos de vida, esta embarcação tem como funções nada mais, nada menos do que combater incêndios no mar.

Por baixo da bandeira ondulante de Macau, hasteada no barco de passeio, a audiência assiste à investida segura do Barra. Gigantes jactos de água rodeiam o barco, projectando-se para a frente e para os lados. Na mira, o Huang He, a embarcação industrial em chamas. Em menos de quinze minutos, não há fogo nem fumo à vista. O Huang He está coberto de água e o Barra volta ao seu lugar. Para rematar, chega o helicóptero de Hong Kong para resgatar os passageiros, molhados mas vivos.

O exercício durou uma hora e meia e nele participaram embarcações de coordenação e fiscalização, de salvamento, de combate a incêndios, dois helicópteros e uma aeronave de asas fixas. O próximo simulacro deverá realizar-se daqui a dois anos.

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