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“Ilações indevidas”

Junho 26, 2012

Leonel Alves esclarece que a troca de emails com Steve Jacobs tem que ver com uma comissão pedida por um cliente para a Las Vegas Sands resolver uma disputa judicial com outra empresa. O Wall Street Jornal fez uma “interpretação descontextualizada”.

Sónia Nunes

O deputado e membro do Conselho Executivo Leonel Alves confirma a troca de emails com o ex-presidente e director executivo da Sands China: explica que a proposta feita a Steve Jacobs tem que ver com uma tentativa de acordo numa disputa judicial que envolve a operadora de jogo e outra empresa. O Wall Street Journal (WSJ) tirou “ilações indevidas”, reitera o advogado, que nega qualquer tentativa de corrupção para que o Governo de Macau autorizasse a venda de apartamentos do Four Seasons.

“Tenho um cliente no meu escritório de advogados que dizia estar posicionado para conseguir um acordo extrajudicial entre a Sands e um outro grupo empresarial sobre uma disputa muito antiga, que ainda corre nos tribunais”, afirma Leonel Alves, numa declaração por escrito ao PONTO FINAL. O advogado contextualiza a proposta que recebeu do cliente, que “é do sector empresarial, não é uma figura política”: “Sugeriu fazer uma transacção e que gostava de pedir uma comissão por isso, algo normalíssimo entre empresários e normalmente intermediado por advogados”.

O deputado ressalva que o valor pedido para o acordo extrajudicial “não foi aceite” e diz que “o negócio não foi feito”. Leonel Alves explica ainda que no email para Steve Jacobs “falava-se também da questão do Four Seasons”. “O WSJ misturou as coisas, fazendo uma interpretação descontextualizada e tirando ilações indevidas”.

Com base em emails enviados por Alves a Jacobs, o jornal económico noticiou que o deputado serviu de intermediário de “alguém influente Pequim” que terá proposto à Sands o pagamento de 300 milhões de dólares norte-americanos para que o Governo de Macau autorizasse a venda de apartamentos do Four Seasons. O pedido foi feito há três anos, quando a operadora lidava com uma dívida de 11 mil milhões de dólares. O contrato de concessão assinado com o Governo determina que no terreno do Cotai só pode haver jogo e hotéis.

A alegada tentativa de suborno serviria também para dar como encerrado o processo judicial que opõe a Las Vegas Sands a Marshall Hao. O empresário de Taiwan acusa a empresa de ter quebrado um acordo feito em 2001 sobre a obtenção da licença de jogo em Macau.

Chui renova confiança em Alves

O alegado envolvimento de Leonel Alves numa tentativa de corrupção junto da Las Vegas Sands chegou à Assembleia Legislativa, pela voz do deputado Pereira Coutinho que pediu uma investigação ao caso. Mas o Chefe do Executivo, Chui Sai On, disse já não pretender encetar qualquer acção contra o advogado e conselheiro directo. “Como Chefe do Executivo aceito as suas explicações. Do meu ponto de vista, aceito-as e compreendo-as totalmente”, disse o governante, em declarações reproduzidas pela Rádio Macau.

Numa reacção às declarações de Leonel Alves a este jornal, o analista político Eilo Yu afirma que as explicações do membro do Conselho Executivo “são, para já, suficientes”. “[Alves] fez um bom exercício, o que demonstra um esforço do Governo e da elite política em serem mais transparentes para eliminar quaisquer dúvidas que possam existir”, destaca. Ao PONTO FINAL, o gabinete do Chefe do Executivo disse não ter mais nada a acrescentar.

Chui Sai On quebrou o silêncio sobre o caso depois de Leonel Alves ter sido confrontado em plenário na sexta-feira por Coutinho. “Esta peça [do WSJ] cita um nome em concreto, membro desta câmara e do Conselho Executivo, como sendo o intermediário do tal negócio. Espero que seja feita uma investigação rigorosa, sob pena de estarmos a criar duas medidas, uma para os políticos e amigos, e outra para a população indiscriminada”, apelou o deputado.

Leonel Alves reagiu: “Tenho para lhe informar que a minha folha política e profissional é completamente limpa, o que quiçá não acontece com algumas individualidades. Tenho a consciência perfeitamente tranquila. Quem não deve não teme. Eu não tenho nada a temer relativamente a esta questão”. O deputado apontou também o dedo ao “carácter e personalidade” de Coutinho e concluiu que a intervenção do deputado demonstra que a notícia do WSJ “tem uma motivação política mesquinha”.

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