Qualidade do ar a pente fino
Os valores das mais finas partículas inaláveis em suspensão (PM2,5) vão começar a ser divulgados a partir do próximo dia 2. Macau segue-se, assim, a Pequim, Xangai e Guangdong, que começaram a divulgar a concentração destas partículas, as mais perigosas para a saúde, depois de intensos protestos na capital.
Inês Santinhos Gonçalves
São as partículas inaláveis mais perigosas para a saúde, podendo atingir directamente os alvéolos pulmonares, mas até agora não era possível saber quais os seus níveis de concentração em Macau. As PM2,5 (chamadas assim por terem um diâmetro de apenas 2,5 micrómetros) já estavam a ser medidas pelo menos desde 2006, mas só a partir de 2 de Julho é que os valores vão começar a ser divulgados ao público, juntamente com os outros poluentes do ar.
O director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), Fong Soi Kun, explica que, com a introdução dos dados das PM2,5, é expectável que o índice da qualidade do ar seja mais negativo. Mas ressalva: “Isto não quer dizer que a qualidade vai ser pior. O nosso critério é que passa a ser mais cuidadoso. Isto quer dizer que nos próximos tempos podemos ter dias com classificação ‘insalubre’”.
Além da adição destas partículas, o índice de qualidade do ar de Macau vai também passar a elevar o critério de concentração de dióxido de enxofre (SO2) e dióxido de azoto (NO2).
As medições já realizadas pelos SMG indicam uma proporção de PM2,5 correspondente a “60 a 80 por cento” dos valores das PM10, diz Fong. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as PM10 devem situar-se numa média anual de 20 μg/m3 (microgramas por metro cúbico). No entanto, em Macau, calculando a média dos últimos 12 meses, verifica-se um valor de 50,7 μg/m3, mais do dobro do recomendado. Tomando estes valores como referência, a concentração anual de PM2,5 será de cerca de 35 μg/m3 – ou seja, 70 por cento dos valores das PM10. Mais uma vez, os níveis de concentração das partículas excedem em muito as recomendações da OMS, que indica como referência uma média anual de 10 μg/m.
Confrontado com esta situação, Fong foi taxativo: “Estamos a utilizar a 100 por cento os critérios da OMS”.
Para o director dos SMG, as concentrações de partículas inaláveis em suspensão “não são muito preocupantes”. “A qualidade do ar ainda está em condições”, garante. Depois das reacções inflamadas em Pequim, quando os números foram finalmente divulgados, o que pode acontecer em Macau? Poderá a população ficar surpreendida com os dados? Fong desdramatiza: “Não, podem ficar descansadas. É muito normal”.
O responsável afirma que, “em média, a qualidade do ar em Macau é melhor que a dos nossos vizinhos, porque Macau é uma cidade muito pequena e fica perto do mar”. Fong deixa ainda o alerta para a maior concentração de partículas nos dias secos e quentes, deixando a recomendação: “Nesses dias não devem fazer actividades como ginástica no exterior”.
As principais fontes deste tipo de partícula são “o sector industrial e os veículos”, refere o director dos SMG. Vai ser necessário, explica, “reajustar algumas políticas, por exemplo, sobre os carros, para reduzir a emissão dos escapes”. No entanto, essas alterações, “ainda não vão ser este ano, devem ser de médio e longo prazo”.
Fong lembra que a concentração de poluentes tem vindo a diminuir desde 2007. “Tem que ver com algumas medidas acordadas entre Guangdong e Hong Kong. Fizemos um tratamento das fontes mais poluentes, como as indústrias. Por exemplo, a CEM já teve um tratamento especial e também [o processo de] incineração”, explica.
