Aqui há MICE
A Associação de Convenções e Exposições de Macau assinou em Pequim um protocolo para trazer mais investimento para as feiras locais. E vice-versa. A ambiciosa rota do país para o comércio de serviços vai passar por aqui, diz Eva Lou.
Sónia Nunes
O sector de convenções e exposições de Macau conta a partir de hoje com agentes de Pequim em campo. É o que resulta de um protocolo de cooperação assinado entre a Associação de Convenções e Exposições de Macau (ACEM) e os representantes da indústria na capital, durante a 1ª Feira Internacional do Comércio de Serviços da China (CIFTIS), que fechou ontem com 15 acordos oficializados e uma nova meta para a economia do país.
Pequim quer ter o maior mercado de consumo em 2015 e, até lá, pretende fazer com que o peso do comércio de serviços no Produto Interno Bruto suba dos actuais 43 por cento para 47 por cento – um tecto que, ainda assim, fica umas casas abaixo da média de 70 por cento comum às economias ocidentais. No ano passado, as trocas valeram à China 416 mil milhões de dólares e espera-se que atinjam os 600 mil milhões em três anos.
O plano foi traçado pelo primeiro-ministro Wen Jiabao na abertura da CIFTIS, entre apelos à abertura da indústria ao investimento externo e à expansão internacional das empresas chinesas. Foi o momento certo, diz Eva Lou, presidente da ACEM: “A Feira de Pequim é uma importante plataforma global para juntar a indústria e debater oportunidades de desenvolvimento. Há representantes do Japão, da Coreia, de vários países”. Oitenta e dois no total.
A CIFTIS é também um passaporte regional para os negócios. Na edição de estreia, a feira somou 150 participantes, incluindo representantes governamentais, e empresários de Macau e dos países de língua portuguesa. Durante o evento, foram realizadas 213 sessões de bolsas de contacto que, no caso da delegação da RAEM, se traduziram em mais negócios nas áreas do turismo, indústrias culturais e criativas, construção, novas energias e MICE. Eva Lou explica o porquê de um protocolo de cooperação com a associação de convenções e exposições de Pequim: “Em Macau organizamos muitos eventos. Precisamos de recrutar e convidar participantes, ter mais expositores, delegações e compradores. Esta cooperação vai permitir um maior contacto com cidades do Continente e outros países, e funciona também no sentido inverso”.
Além da plataforma de contactos, o acordo abrange a área da formação. “Mais importante do que pensar em novas convenções e exposições, precisamos de olhar para as que existem, fazer mais promoção e atrair mais compradores”, destaca Eva Lou, um dos nomes de peso do sector MICE do território, que dá prioridade ao crescimento da Feira Internacional de Macau (MIF) e do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF).
Abertura ao mundo é também a palavra-chave para o desenvolvimento do comércio de serviços da República Popular. A Organização Mundial do Comércio, pela voz do director-geral Pascal Lam, afirmou durante a CIFTIS que o país precisa de atrair mais investimento externo para o sector. Wen Jiabao disse que o Governo Central vai apoiar as empresas chinesas a exportar serviços e produtos de valor acrescentado, como software e tecnologias da informação. “São áreas com potencial. É o caminho certo a seguir, numa altura em que o país já se está a desenvolver, as pessoas têm mais poder de compra e mais educação”, observa Eva Lou.
Macau vai ter um papel na abertura do comércio de serviços? “Sim, através da plataforma que estabelece com os países de língua portuguesa. Nesta primeira edição da Feira de Pequim, a delegação de Macau contou com representantes lusófonos, que participaram em seminários e conferências”, indica Eva Lou. Até ao fecho desta edição, não foi possível obter mais informações sobre a CIFTIS junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau.
Apoios do Governo “são suficientes”
Os números do ano passado indicam uma quebra ligeira no sector MICE de Macau: houve menos seis exposições e convenções do que em 2010. Os eventos renderam às entidades organizadoras 68,68 milhões de patacas, sendo que 62 por cento deste valor foi gerado sobretudo pelo aluguer de cabines. Já as despesas cifraram-se em 179 milhões de patacas, segundo dados dos Serviços de Estatística e Censos. O Governo decidiu introduzir este ano critérios mais flexíveis para o plano de estímulo ao sector de convenções e exposições e alargou o programa até ao final de 2012 – mas manteve o valor dos apoios. “Os incentivos do Governo à indústria são suficientes, neste momento. Pode haver opiniões diferentes, mas antes de fazer qualquer alteração, o Governo terá de fazer primeiro uma avaliação ao actual plano”, defende Eva Lou. A presidente da ACEM admite que há concorrência na região, mas destaca que o programa de incentivos de Macau “é melhor do que de Hong Kong e Singapura”. Até 2011, o plano concedeu 46,9 milhões de patacas e ajudou à organização de 246 eventos.
