Moeda do dragão mais perto da lusofonia
O mais breve possível. É a resposta da Autoridade Monetária para a utilização de Macau como plataforma para a internacionalização da moeda chinesa. Foi entregue uma proposta ao Banco Popular da China.
Sónia Nunes
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) fez uma proposta formal ao banco central chinês que vai viabilizar o aumento da circulação internacional de capitais em renminbi e permitir aos mercados lusófonos investirem em produtos financeiros denominados em yuan. Não existe um prazo definido para o termo das negociações, mas da parte de Macau há interesse em que a regularização das operações seja executada em breve.
Em Novembro, o Banco Popular da China afirmou que pretendia usar a região administrativa especial como uma plataforma para normalizar a contabilidade das trocas comerciais e de investimento entre o país e os parceiros de expressão portuguesa. A AMCM disse que estava em curso a revisão do acordo de regularização das operações em yuan. “Estamos a trabalhar nisso”, assegurou ontem Anselmo Teng, presidente do organismo. “Já entregámos a nossa proposta e já foram tidas discussões. É um desenvolvimento muito importante, que envolve muitas questões e soluções técnicas”, aditou.
Ainda que sem entrar em pormenores, Anselmo Teng esclareceu que a proposta que a AMCM entregou ao banco central chinês “vai permitir o fluxo transfronteiriço de renminbi e também eventuais investimentos em produtos financeiros denominados em yuan”. “O objectivo principal” é aumentar a circulação da moeda nacional – o que será feito através de Macau e tendo em vista os países de língua portuguesa. “Gostaríamos de concretizar isto o mais depressa possível”, referiu o presidente da autoridade reguladora.
A iniciativa de liberalização de operações em yuan foi tomada pelo Governo Central após a crise financeira de 2008, com o objectivo de reduzir a dependência da China em relação ao dólar norte-americano pela internacionalização da moeda chinesa. No ano passado, as trocas comerciais realizadas em renminbi atingiram 1,08 biliões de yuan. Já o investimento directo alcançou 110,9 mil milhões de yuan.
Pequim tem também estabelecidos 14 acordos de regularização contabilística em yuan, que têm Hong Kong e Macau como primeiros signatários, mas também várias nações do sudeste asiático, a Argentina, a Islândia e a Bielorrússia.
Em Novembro, o banco central chinês abriu caminho ao investimento da reserva financeira da RAEM em yuan, afirmando não haver qualquer obstáculo político. A AMCM está ainda a estudar as eventuais aplicações: “Estamos a trabalhar”, repete Anselmo Teng, que esteve ontem num almoço de Primavera organizado pela Associação de Bancos de Macau.
A autoridade reguladora fez um balanço de 2011: “Apesar dos tumultuosos mercados financeiros internacionais, o sistema financeiro de Macau manteve a sua estabilidade e registou progressos”. De acordo com os dados provisórios de Anselmo Teng, no final de Dezembro, o total dos activos do sistema bancário atingiu 657,7 mil milhões de patacas, o que representa um aumento de 21,8 por cento, em relação ao ano passado.
Os depósitos também cresceram – 22,3 por cento, o que se traduziu em 417,7 mil milhões de patacas. Na mesma tendência, os empréstimos subiram 31 por cento, somando-se em 322 mil milhões de patacas. O crédito malparado manteve a inclinação descendente, registando um rácio de 0,38 por cento. A taxa de liquidez dos bancos manteve-se nos 60 por cento, com a autoridade reguladora a destacar que é um “nível elevado”. Feitas as contas a todo o ano, os bancos tiveram lucros na ordem dos 4,6 mil milhões de patacas, num crescimento de 31 por cento em relação a 2010 e descrito pela AMCM como “histórico”.

Muito interessante…