Deolinda, de Lisboa para Macau
Depois de terem agitado o panorama musical português ao popularizar um estilo musical que moderniza e agiliza o fado, usando-o como base mas retirando-lhe as marcas mais tradicionalistas, os Deolinda ganharam, no ano passado, nova notoriedade, ao lançar a canção “Parva que Sou”, entendida como um hino à luta daquela que já é chamada, em Portugal, a “Geração à Rasca” – jovens com formação superior que, ou não conseguem encontrar emprego, ou são obrigados a aceitar salários muito baixos.
O projecto começou, primeiro, com os irmãos Pedro da Silva Martins e Luís José Martins, que ainda antes de formarem os Deolinda, criaram o grupo, Bicho de Sete Cabeças, em 2000. Posteriormente, o músico de jazz José Pedro Leitão associou-se ao projecto. Faltava, contudo, um toque feminino, que chegou através da vocalista Ana Bacalhau, prima de Pedro e Luís. Ana, que estudava para ser arquivista, cantou antes no grupo Lupanar.
Deolinda é, antes de tudo, uma personagem que cria um ambiente e ponto de partida para a banda: é uma jovem rapariga solteira que vive num subúrbio de Lisboa com o seu peixe dourado e dois gatos. As canções do grupo descrevem o que Deolinda pode observar da sua janela, narrando a vida da cidade e dos seus habitantes. As letras pretendem quebrar muitos dos mitos e clichés sobre Portugal e a sua música. Através do som das guitarras e do contrabaixo, Deolinda, a narradora imaginária, que se faz ouvir através da voz de Ana Bacalhau, oferece-nos uma visão de um Portugal moderno e das excentricidades, do sofrimento e dos mais enraizados desejos de um povo.
Em 2008, o grupo lançou o primeiro álbum, “Canção ao Lado”. Na Primavera do ano passado saiu “Dois Selos e um Carimbo”, que alcançou a tabela dos tops logo no primeiro mês. Neste álbum o grupo procurou afirmar de forma mais evidente uma faceta divertida, irónica e poética.
A maior influência dos Deolinda é, diz o próprio grupo, o cantor António Variações, que consideram ter sido o primeiro a modernizar o fado e a usá-lo com temas contemporâneos. “Ele foi o primeiro a tornar o fado cool e nós orgulhamo-nos de continuar o seu percurso”, referiu Ana Bacalhau.
O concerto, organizado pela Fundação Oriente e pela Casa de Portugal em Macau, acontece no dia 18, às 20h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau. Os bilhetes custam entre 50 e 200 patacas e podem ser comprados nas lojas da rede Kong Seng e no Centro Cultural de Macau.
