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Uma vida que dá um livro

February 6, 2012

O Instituto Internacional de Macau (IIM) prepara-se para lançar este ano um livro sobre a vida e obra do padre Manuel Teixeira, o excêntrico missionário de compridas barbas brancas que chegou a Macau com 12 anos para deixar uma vasta obra escrita sobre a história, os costumes e as gentes da terra. A publicação assinala os 100 anos do nascimento do Monsenhor, que se celebram a 15 de Abril. Haverá mais?

“Para já, temos confirmado o lançamento de um livro sobre a vida e obra do Padre Manuel Teixeira, inserido na nossa colecção ‘Missionários para o Século XXI’”, adianta Jorge Rangel, presidente do IIM, que atribuiu a primeira edição do Prémio Identidade ao Monsenhor em 2003, pouco tempo depois do seu falecimento. Desde então que o galardão distingue personalidades ou instituições que tenham assumido um papel de relevo na preservação e promoção da identidade macaense – os arquivos conservados por Manuel Teixeira são hoje tidos como uma importante fonte para quem investiga a história do território.

Com inclusão na colecção “Missionários para o Século XXI”, que soma cinco volumes, a vida e a obra do Monsenhor passa a ombrear com as biografias já publicadas pelo IIM dos padres Lancelote Rodrigues, Joaquim Angélico Guerra, Mário Acquistapace, Benjamin Videira Pires, Luigi Versiglia e Callisto Caravario. Mas Jorge Rangel diz esperar que haja mais do que um livro a celebrar o centenário do nascimento Manuel Teixeira: “O Monsenhor deixou uma obra extraordinária e é uma figura incontornável da história e da cultura de Macau. Estou convencido que teremos um programa que seja digno da sua dimensão”.

O IIM, refere Jorge Rangel, está em contacto com instituições de Macau e de Portugal interessadas em organizar um plano de actividades “durante este ano” para lembrar Manuel Teixeira. “Conferências, exposições,… Há muita coisa que pode ser feita”, diz. O PONTO FINAL entrou em contacto com organizações locais, mas, até ao fecho desta edição, não foi possível confirmar a preparação de qualquer programa.

O padre Manuel Teixeira foi agraciado, ainda em vida, com vários títulos: recebeu o prémio de História da Fundação Calouste Gulbenkian, pela assombrosa obra “Toponímia de Macau”, em 1974 foi distinguido Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e, já nos anos de 1980, aceitou, também das mãos do Estado português, a Medalha de Valor. Já após a sua morte, aos 91 anos, o Instituto Cultural rendeu-lhe uma “última homenagem”.

O “mais prolífico dos historiadores de Macau”, na descrição feita à época pelo Bispo da RAEM, D. José Lai, tem o seu espólio a cargo da Biblioteca Central de Macau, que organizou um vasto catálogo, disponível online, onde os escritos do Monsenhor estão distribuídos por três partes, das monografias aos artigos de análise. “Manuel Teixeira dedicou toda a sua vida ao tratamento e estudo da documentação histórica de Macau. Cabe hoje à Biblioteca Central de Macau a missão de cuidar a sua obra”, pode ler-se no portal, onde é também possível aceder a dados biográficos. À instituição foi ainda confiado um arquivo de duas centenas de fotografias que testemunham a última década do padre Manuel Teixeira no território. A Macau, dedicou mais de 100 livros e 77 anos de vida. S.N.

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