Brasileiros fazem a diferença
O Ka I aposta nos sul-americanos e alcançou mais uma goleada. Gustavo é o artilheiro do campeonato. O Benfica regressou aos triunfos. O FC Porto foi batido pelo Kuan Tai.
Vítor Rebelo
Os jogadores brasileiros, cada vez em maior número no futebol de Macau, voltam a ser este ano determinantes para as ambições das principais equipas.
Ao cabo de quatro jornadas da prova principal, o Ka I, por exemplo, reforça as suas pretensões graças à técnica e finalização dos reforços vindos do Brasil. O conjunto orientado por um outro brasileiro, Josecler, aposta claramente no futebol-espectáculo dos seus compatriotas.
E o certo é que já há um goleador-nato na edição deste ano da competição, Gustavo Silveira, com oito tentos facturados em três desafios realizados (só actuou na segunda jornada), o que significa uma média de mais de dois golos por jogo.
Mas outros brasileiros têm sido importantes para os resultados das equipas que lutam pelos primeiros lugares, como são os casos de Lucas de Souza, Gilberto Ferreira, Cesinha (Ka I), Fabricio Lima, Renival, Márcio Luiz, João Justino (Monte Carlo), Adilson Silva e Joadson (Benfica).
Sem desprimor pelos restantes jogadores, quer portugueses, africanos ou chineses de Macau ou da China Continental, nos últimos anos no futebol do território, são de facto os brasileiros que mais têm feito a diferença, como aconteceu na época anterior, com dois deles (Kamilo Oliveira do Monte Carlo e William Carlos Gomes do Ka I, a cotarem-se como os dois melhores marcadores do campeonato.
Futebol mais tecnicista
O último a chegar foi o credenciado Cesinha, que já vestiu a camisola do Gil Vicente, Estoril Praia e Esposende, clubes portugueses, assim como a Portuguesa dos Desportos ou o Nacional SP do Brasil. O avançado estreou-se a marcar em mais um triunfo do líder Ka I, com goleada de 6-0 aos Sub 23.
Josecler fez questão, desde a primeira hora, de reforçar o plantel com elementos do seu país e até agora está a dar-se muito bem, utilizando-os, tal como fez Rui Cardoso na época transacta, na ligação com os mais tecnicistas chineses de Macau.
Gustavo Silveira é homem golo e o ataque dos actuais campeões pode ainda render mais com a entrada de Cesinha, ainda a “apalpar” terreno na equipa do Ka I.
Na partida de ontem, já realizada no relvado do Estádio da Taipa, os Sub 23 não tiveram grandes hipóteses de responder à avalanche ofensiva do Ka I, que ao intervalo já ganhava por 5-0, golos de Gustavo Silveira (4), Nicholas Torrão e Cesinha.
Azares do Monte Carlo
Voltando a falar de brasileiros, o Monte Carlo tem outra história para contar, esta com alguma infelicidade para o treinador Paulo Bento. O presidente do clube, Firmino Mendonça, volta a apostar este ano nos sul-americanos, tal como aconteceu em 2011, agora graças à ajuda de um outro empresário. Só que um deles, Renival, lesionou-se com gravidade num joelho, na terceira jornada, no desafio com o FC Porto, devendo falhar praticamente toda a época. René, como é conhecido, deverá ser operado daqui a duas semanas.
No passado sábado, mais uma contrariedade para Paulo Bento, com a expulsão de dois brasileiros, Márcio Luiz e João Justino, ainda que neste caso as ausências serão temporárias (um ou dois jogos de suspensão).
Aconteceu no decorrer da partida diante do Lam Ieng, que ainda não tinha perdido neste campeonato (empatou a zero com o Benfica), marcada por quezílias entre os jogadores. Ânimos exaltados, muitos empurrões de parte a parte, numa altura em que o Monte Carlo se encontrava em vantagem por 3-2, com o árbitro a expulsar três jogadores, os dois brasileiros já referidos, por parte do Monte Carlo, e ainda Lam Ka Chon, do lado do Lam Ieng.
Os azuis e amarelos acabaram por triunfar por 4-3, com o tento da vitória a ser alcançado já aos 89 minutos, numa grande penalidade convertida por Chan Kin Seng.
O treinador Paulo Bento volta a fazer críticas aos árbitros: “Já quase não vale a pena falar das arbitragens, mas lamento que a evolução do futebol de Macau não esteja a ser acompanhada pela evolução dos árbitros. Não acompanham os lances devidamente e isso acaba por influenciar nas suas decisões erradas. Será que os árbitros têm treinos físicos, como é normal em qualquer lado? E será que já não terão idade a mais para andarem a apitar? Por que razão o futebol de Macau não faz uma reciclagem dos juízes?”.
Relativamente ao desafio, considera que seria uma injustiça se o Monte Carlo não saísse vencedor. “Tivemos interferência praticamente em todos os golos, nos nossos e nos deles, pelo que a vitória é justa. Só que perdi, para já, mais dois jogadores influentes e ainda mais um lesionado, Geofredo Sousa, que, a avaliar pela possível gravidade, deverá ficar de fora várias semanas.”
O técnico do Monte Carlo vai apresentar uma equipa muito desfalcada na próxima ronda face ao Ka I.
Benfica bate Polícia
Nos lugares da frente mantém-se o Benfica, apesar de levar já cinco pontos de desvantagem em relação ao líder Ka I. O conjunto de Rui Cardoso igualou o Lam Ieng, graças ao triunfo por 3-1 no confronto com o sempre complicado onze do Grupo Desportivo da Polícia.
As águias dominaram o jogo, mas encontraram um adversário fechado, com boa consistência defensiva e a habitual boa preparação física. O Benfica chegou ao intervalo a ganhar pela diferença mínima, golo de Adilson Silva, que voltou a ser a mola real do meio campo.
Para evitar dissabores, Rui Cardoso não se cansou de dizer aos seus jogadores que o segundo golo era importante, mas só aos 74 minutos surgiu o tento de Filipe Duarte, que tranquilizou um pouco mais a equipa, apesar de a Polícia ter reduzido dois minutos depois, por Chon Iak Chi. O 3-1 final foi obtido, em cima dos 90, por Ip Cheng Hou.
Portistas marcam passo
Nas outras partidas da ronda, destaque para a surpresa Kuan Tai, que venceu o FC Porto por 2-0 (tentos de Kuok Iao Chiu e Cham Fei) e já soma dois triunfos, o que pode ser importante nas suas ambições de se quedar numa posição tranquila e longe dos sobressaltos da descida.
Os azuis e brancos vinham de uma vitória sobre o Monte Carlo e apresentaram-se sem alguns jogadores de peso, como o guarda-redes chinês e ainda o ganês Freeman. Diakité ainda não regressou à equipa.
Durante a partida Mané lesionou-se e já perto do fim Alison Brito foi expulso, depois de também Henrique Street ter visto o vermelho aos 15 minutos da segunda parte. “Foi uma série de acontecimentos. Nunca fomos inferiores ao Kuan Tai e quando estávamos à procura do empate sofremos o segundo. Temos de deitar contas à vida e pensar no futuro. Há ainda alguma inexperiência na equipa que é preciso colmatar”, disse ao PONTO FINAL o treinador Dani.
No fecho da ronda, o Lam Pak ganhou ao Hong Ngai por 4-1.
Próxima jornada
Sexta-feira
Lam Pak – Benfica 19 (19h)
Sábado
Lam Ieng – FC Porto (14h)
Ka I – Monte Carlo (16h)
Domingo
Polícia – Sub 23 (14h)
Hong Ngai – Kuan Tai (16h)
