Aldina Duarte em dose dupla
A pouco mais de uma semana do início do I Festival Literário de Macau, a organização anunciou que a fadista Aldina Duarte vai dar dois concertos no território. Um tem entrada livre.
Porque o fado “é uma canção que vive muito da palavra”, a organização do I Festival Literário de Macau – Rota das Letras anunciou ontem que Aldina Duarte vai estar no território para dois concertos.
“Decidimos encontrar um espaço para o fado neste festival por ser Património Imaterial da Humanidade e por ser uma canção que vive muito da palavra”, afirmou o director do evento, Ricardo Pinto, na apresentação do programa oficial do festival.
O primeiro concerto da fadista vai ter lugar no dia 31 (terça-feira), às 21 h, na Universidade de Macau. Os bilhetes custam 200 patacas e podem ser adquiridos na rede Kong Seng, na Livraria Portuguesa ou em www.macauticket.com.
Um dia depois, Aldina Duarte apresenta-se novamente ao público, às 20h30, na Casa do Mandarim, num concerto gratuito que pode ir parar ao pequeno ecrã: “Já houve interesse da RTP para fazer um documentário sobre a presença da Aldina em Macau. Há contactos, mas nada está confirmado”, revelou o também administrador do PONTO FINAL.
Com o apoio do Instituto Cultural, as entradas para esta “feliz coincidência” – foi assim que Ricardo Pinto se referiu ao concerto que vai juntar a tradicional canção portuguesa, reconhecida recentemente pela UNESCO, e um monumento considerado Património Mundial pelo mesmo organismo – estão limitadas ao espaço do local.
Do cartaz musical deste festival fazem parte ainda a cantora cabo-verdiana Nancy Vieira, Noiserv, Andreia Dacal, Soler, Turtle Giant e YFM.
Outra das novidades do dia de ontem foi o anúncio do júri do concurso de contos. José Luís Peixoto, Su Tong e Xu Xi vão ser os responsáveis por analisar as obras apresentadas em português, chinês e inglês sobre Macau.
“O regulamento vai ser publicado no site [www.thescriptroad.org]. Será bastante aberto porque a nossa ideia é encorajar o maior número de pessoas a participar. Não está aberto apenas aos residentes. O pano de fundo, sim, é Macau”, revelou o director do festival sino-lusófono.
Como já havia sido anunciado, os vencedores vão ver os seus textos publicados em livro, pelo menos em Macau na segunda edição do festival, juntamente com outros contos de alguns dos escritores presentes no evento que se estende do dia 29 até 4 de Fevereiro.
Alice Vieira cancela
Quando foi anunciado, há pouco mais de um mês, o Festival Literário de Macau – organizado pelo PONTO FINAL e pela Sociedade de Artes e Letras (SAL) por ocasião do 20º aniversário do diário – apresentava um cartaz de escritores com alguns nomes de Portugal, como José Luís Peixoto, José Rentes de Carvalho, Rui Cardoso Martins, José Rodrigues dos Santos e Alice Vieira.
No entanto, por motivos de saúde, a escritora não vai marcar presença no evento. O mesmo acontece com o brasileiro Luís Fernando Veríssimo.
No dia de ontem foram confirmadas as participações de Jimmy Qi, Lolita Hu, Marvin Farkas e Paulo Aido – um dos fundadores do PONTO FINAL que editou, no final do ano passado, o romance histórico “A Primeira Derrota de Salazar”.
Asseguradas estão também as presenças de Su Tong, distinguido com o Man Asian Literary Prize em 2009, Jade Y. Chen, romancista de Taiwan, e de Annie Baobei, uma das autoras mais lidas do Continente.
“Há gente de muito talento”, realça Ricardo Pinto, que aposta também num dos nomes mais jovens deste cartaz: “João Paulo Cuenca é um dos escritores brasileiros da nova geração mais interessantes”.
No total, a Rota das Letras recebe 12 escritores conceituados, aos quais se juntam ainda oito locais que estarão presentes, no dia 4 de Fevereiro, às 10h, na sessão “Escrever Macau”. O evento decorre no auditório do Instituto Politécnico e é organizado pelo Pen Clube.
Cinema em foco
É um dos mais requisitados realizadores e argumentistas da Austrália, mas nasceu em Macau. Tony Ayres chega à primeira edição da Rota das Letras com “Sadness” (1999) e “The Home Song Stories” (2007). Este último valeu-lhe vários prémios do Australian Film Institute e do Australian Film Critics Circle, bem como a distinção para melhor argumento original no Golden Horse Film Festival (Taiwan).
De Portugal, há para ver o pré-nomeado para melhor filme estrangeiro dos Óscares “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes. Um documentário que retrata a vida do único prémio Nobel da Literatura português.
“Aldina Duarte – Princesa Prometida” é outra obra em destaque. Manuel Mozos filmou a fadista ao vivo no Palácio Fronteira, em Lisboa, e pelo meio coloca trechos de testemunhos da artista. A solo ou em conversa com colaboradores, amigos e familiares.
Para ver, há ainda “Macau Love Stories” e filmes do português Ivo Ferreira, agora radicado em Macau, e da jornalista moçambicana Yara Costa.
No último dia do evento, três exposições vão também ser abertas ao público. Na Livraria Portuguesa, será apresentada uma retrospectiva da carreira do ilustrador André Carrilho (15h). Depois, no edifício do antigo Tribunal Judicial de Base (16h30), é inaugurada uma mostra com trabalhos do cabo-verdiano Mito Elias, do angolano Lino Damião e de um colectivo de artistas do Delta do Rio das Pérolas. P.G.
