Porcos do Delta
O preço da carne de porco importada para Macau vai passar a ser ajustado mensalmente, já a partir de Fevereiro. Em conta vão ser tidos os preços de Hong Kong e Cantão, a margem de lucro das empresas e o custo da alimentação dos animais.
Stephanie Lai
O preço da venda por grosso de carne de porco em Macau vai sofrer ajustes. De acordo com o grupo Nam Kwong e a Sociedade do Mercado Abastecedor de Macau Nam Yue, as alterações vão começar a sentir-se em Fevereiro. No entanto, ainda não se sabe se os preços sobem ou descem, apenas que o valor da carne importada para Macau vai tomar como referência o preço em Hong Kong e Cantão, tal como o custo médio da alimentação dos animais no local de origem.
A ideia deste ajuste, dizem a Nam Kwong e a Nam Yue, é aumentar a transparência no estabelecimento dos preços de carne de porco importada para o território – sendo que em causa está a compra dos animais por inteiro e não em peças. A partir de Fevereiro será considerado o preço médio por atacado no mercado de Hong Kong (que vai representar 35 por cento), o preço médio por atacado nos três maiores mercados domésticos de Cantão, Jiahe, Tianhe e Jinrong, (que valerá outros 35 por centro), o custo médio de alimentação dos porcos em cinco locais de exportação nas províncias de Guangdong e Hunan (com um peso de 20 por cento nas contas), tal como os preços em cinco supermercados das duas províncias, escolhidos aleatoriamente (valendo dez por cento).
Serão também tidos em conta o custo médio do transporte, a desvalorização do produto e o lucro da empresa (três a quatro por cento do preço por grosso), afirmaram tanto o grupo Nam Kwong, como a Nam Yue.
Os preços vão ser ajustados sempre que o lucro dos fornecedores de carne de porco subir ou descer 50 patacas por cada 60 quilos, afectado por factores como a flutuação da taxa de câmbio do yuan e os custos de alimentação dos animais. Qualquer alteração ao preço da carne importada vai passar a ser anunciada antes do dia 30 de cada mês, a partir de Fevereiro.
Apesar de as distribuidoras dizerem que o novo sistema de revisão de preços pode ajudar à estabilização do mercado de importação de carne de porco e afirmarem que não estão arrecadar “enormes lucros”, o deputado Lee Chong Cheng chama a atenção para a ausência de uma política para a redução da discrepância dos preços no Continente e em Macau, que considera urgente. “A adopção deste sistema é melhor que nada, mas isso não significa obrigatoriamente que teremos um preço mais razoável de carne de porco, já que o problema das cadeias de vendas [referente ao sistema de venda por atacado e de distribuidores, que interfere na relação entre o fornecedor e o consumidor] continua por resolver. Nem sequer nas últimas Linhas de Acção Governativa foi mencionada qualquer solução para a situação”, aponta Lee.
O deputado considera que a diferença dos preços praticados no Continente e Macau ainda é excessiva, já que os custos logísticos deveriam ter baixado razoavelmente desde que a China adoptou um sistema de simplificação de passagem de mercadorias nas alfândegas. O dirigente da Associação Geral dos Operários de Macau defende que o Governo deve investir mais para simplificar a cadeia de vendas e acredita que ainda há espaço para as distribuidoras ajustarem as suas margens de lucro na importação de carne de porco.
