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Cidade “latina” com hino da Coca-Cola

December 20, 2011

As comemorações do 12º aniversário da RAEM celebram a diferença. O desfile de artistas organizado pelo Instituto Cultural, e dirigido pela portuguesa Sandra Battaglia, corre esta tarde as ruas da cidade. Com 700 artistas.

Maria Caetano

Mais de sete centenas de artistas desfilam esta tarde pelas ruas de Macau, numa parada organizada pelo Governo no âmbito das celebrações do 12º aniversário do estabelecimento da RAEM. A ideia é a de pôr em marcha, das Ruínas de São Paulo até ao Tap Seac, uma “cidade latina” andante, mas, na verdade, grande parte dos grupos que actuam são locais. A inclusão de artistas latino-americanos foi uma adição tardia, mas que, diz a organização, também serve para ligar o território ao resto do mundo.

Sandra Battaglia, bailarina portuguesa e directora da companhia de dança Amálgama, está encarregue de gerir a parada, depois de em Abril e Maio últimos ter participado também num programa de criação de uma coreografia com jovens locais inserido no Festival de Artes de Macau.

“Precisamente no dia em que me ia embora, tive um convite da parte do Instituto Cultural para um projecto que estava a ser pensado há cerca de um ano e que implicava uma espécie de celebração, parada – talvez a maior parada que Macau alguma vez pensou realizar”, explica a directora artística do desfile que hoje tem início pelas 15h30, junto às Ruínas de São Paulo, e que durante três horas percorrerá as ruas do território num itinerário que passará pelo Bairro de São Lázaro e terminará na Praça do Tap Seac.

“Amor. Paz. União de Culturas” é o nome do conjunto de actuações a ter lugar num palco montando na praça – possivelmente, o maior que o espaço já acolheu. “É muita gente, esta parada é muito grande”, diz Battaglia.

O espectáculo está a ser preparado há seis meses e conta com quatro dezenas de companhias e associações. Há 30 grupos locais escalados para actuar, três companhias de Portugal e uma de França. “Entretanto, dentro deste guião que englobava já cerca de 600 artistas, foram ainda incluídos grupos latino-americanos, mais recentemente”, conta.

“Temos desde dança, música, pintores. Há, inclusivamente, trabalhos de vídeo, criadores de teatro físico, cantores. No fundo, temos um pouco de todas as artes representadas nestes 40 grupos locais e estrangeiros, e temos a expressão das diferentes culturas envolvidas nesta amálgama”, descreve a directora.

Sandra Battaglia conta que o objectivo principal é o de pôr em destaque as actuações dos artistas de Macau e de outras paragens, assinando a relação de transferência do território de Lisboa para Pequim. A inclusão de grupos da América Latina não estava no guião original do programa, mas ajudará a fazer a festa.

“Não consigo perceber bem qual foi a justificação desta inclusão. Pediram-me para o fazer e tentei fazê-lo o melhor possível, mas preservando sempre aquilo que considero essencial: investir e dar expressão aos grupos locais. Penso que é disso que Macau precisa”, diz.

“Criações conjuntas”

O espectáculo, explica, segue “um conceito artístico muito ligado à conexão entre as diferentes artes, unindo o antigo e o contemporâneo, as diferentes culturas, para uma partilha de conhecimentos, para criações conjuntas, sabendo que este evento celebra a transferência de Administração de Portugal para a China”.

Trata-se, segundo a directora artística, de “uma oportunidade de investimento local para os artistas, contando com as sementes culturais que Portugal deixou, mas abrindo também essa expressão para um futuro conectado com a China, com o Oriente, e se calhar com o mundo inteiro”.

“Macau poderá ser um exemplo para o mundo quando ela puder representar um portal de encontros – e esse portal de encontros é de todos, é um exemplo de tolerância, de compreensão, de verdadeira partilha”, defende a coreógrafa e bailarina, juntando que “a intenção é realmente que este ideal de portal possa ser verificado nesta parada”.

O elemento escolhido para transmitir a ideia de relação e de permeabilidade cultural foi a água. O espectáculo em movimento pelas ruas de Macau pretende transmitir a ideia de “um oceano que não separa, mas une territórios e pessoas”.

“A água, simbolicamente falando, é um elemento que conecta e que representa, talvez, o amor incondicional, aquele que ultrapassa egos, personalidades, territórios e culturas”, sublinha Battaglia.

A directora destaca que a organização não pretende seguir o modelo de festa de um carnaval. “A ideia é proporcionar à população diferentes perspectivas que a arte pode oferecer numa parada que não tem intenções de ser mais uma reprodução de uma parada brasileira, mas antes uma viagem pela arte que possa reunir as pessoas na diferença”, faz notar.

O programa do percurso, que talvez constitua a maior festa de rua de Macau de sempre, com a duração de três horas, irá oferecer oportunidades para que cada um dos grupos participantes mostre algo ao público. “A ideia é criar uma viagem em que todos os grupos têm um momento de expressão própria”.

O desfile terminará no palco montado no Tap Seac, juntando todos os artistas participantes num espectáculo que decorrerá até às 19h. “Há um momento de dança contemporânea, que reúne bailarinos locais, e de dança tradicional, que expressa os quatro elementos. Cria-se uma última alquimia, onde o fado à capela se expressa por momentos e onde o espectáculo finaliza com todos os grupos, mais de 700 artistas”, explica Battaglia.

O momento de fado, expressão musical portuguesa recentemente reconhecida como património mundial da humanidade, será protagonizado pelo vocalista do projecto Rosa Negra, de Portugal, também bailarino da companhia Amálgama.

Com músicos da Orquestra Chinesa de Macau, será também tocado um tema final. “Procurava-se uma música que fosse universal”, justifica Battaglia, e a escolha recaiu sobre “I’d Like to Teach the World to Sing”, tema produzido originalmente para um anúncio da multinacional Coca Cola, na década de 1970. “Optou-se por uma canção que a orquestra sabia tocar e que fala da vontade de poder reunir todo o mundo através da arte”.

2 Comments leave one →
  1. joao manuel de abreu permalink
    December 20, 2011 5:24 am

    Where is TUMBALA?

  2. joao manuel de abreu permalink
    December 20, 2011 5:25 am

    I want news about “TUMBALA” ?

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