Kai Fong querem eleições mais democráticas
A União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kai Fong) defende um aumento do número de deputados eleitos à Assembleia Legislativa e pede também o alargamento da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, composta actualmente por 300 pessoas. A posição foi manifestada durante um encontro com Chui Sai On, que ouviu ontem as opiniões do sector tradicional para as próximas Linhas de Acção Governativa (LAG).
Após a reunião à porta fechada com o Chefe do Executivo, Leong Heng Kao adiantou que a associação propôs uma reforma do sistema político, com a criação de mais assentos para os deputados eleitos pela via directa e indirecta e o reforço do número de membros do colégio que escolhe o Chefe do Executivo. Em declarações ao PONTO FINAL, o vice-presidente dos Kai Fong afirmou que “é altura oportuna” para a sociedade ponderar mudanças no sistema eleitoral – as próximas legislativas estão marcadas para 2013.
“Tivemos uma expansão dos assentos no segundo e terceiros mandatos da Assembleia Legislativa, mas não houve alterações no quarto”, recorda Leong Heng Kao. “Não indicámos quantos lugares, em concreto, devem ser acrescentados. Vamos esperar para ver o que o Governo decide depois de recolher as opiniões de outros sectores”, ressalva Leong.
A política de apoios sociais e a subida dos preços dos bens de consumo continuam, porém, a ser o centro das atenções da ala tradicional para as LAG. “A Administração afirma que vai continuar a implementar medidas para ajudar os residentes. Pelo que percebi, o plano de comparticipação pecuniária vai continuar [no próximo ano]”, antecipa Leong Heng Teng, presidente dos Kai Fong e porta-voz do Conselho Executivo. De acordo com os Moradores, além da distribuição de cheques à população, o Chefe do Executivo mostrou-se favorável à manutenção do subsídio para idosos, das subvenções nas facturas da água e da luz, e da política de benefícios fiscais.
Ontem, Chui Sai On esteve ainda reunido com a também tradicional Associação Geral dos Operários de Macau. A reforma política não faz parte da agenda do organismo para as LAG de 2012. Leong Sun Iok, vice-presidente do organismo, afirma que o principal pedido feito a Chui Sai On é um melhor planeamento dos recursos humanos.
“Os trabalhadores da camada de base dos hotéis e da indústria da restauração têm o salário largamente afectado pelo recrutamento de mão-de-obra ao exterior”, aponta o dirigente dos Operários, que defende um “maior equilíbrio” nos vencimentos auferidos por residentes e não residentes. A associação defende ainda um reforço dos programas de formação para os trabalhadores do sector do jogo. A ideia é garantir que a força laboral local consegue ultrapassar a concorrência da mão-de-obra importada e chegar a posições de gerência nos casinos. “O Venetian, por exemplo, recrutou taiwaneses [com o grau de mestrado] para cargos de nível médio e superior”, observa Leong Sun Iok. “As empresas tendem a recorrer à mão-de-obra não residente para as posições de topo ao mesmo tempo que subestimam a necessidade de aumentar a formação para os empregados locais”, critica.
A AGOM entende ainda que o Governo deve pressionar as concessionárias de jogo a aumentarem as contribuições para o Fundo de Previdência Central. “A percentagem deve aumentar para, pelo menos, oito ou dez por cento [sobre as receitas brutas]. Certamente que não irá prejudicar as suas operações. É importante que sejam os casinos a dar o primeiro passo e a servir de exemplo para os restantes sectores”, termina Leong Sun Iok. S.L.
