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A casa da felicidade

October 28, 2011

Em avaliação ao trabalho do Governo, a política de habitação é a mais criticada. Um inquérito para determinar a felicidade dos residentes demonstra que ter casa é prioritário. Os resultados revelam também dados sobre o isolamento dos idosos.

Inês Santinhos Gonçalves

O que falta aos residentes de Macau não é amor nem saúde, mas casa própria. Um estudo encomendado pelo gabinete da deputada à Assembleia Legislativa Melinda Chan indica que a população é “feliz acima da média”, mas ainda está muito insatisfeita com as políticas de habitação – quem mora em fracções arrendadas ao Governo é mais infeliz.

Para determinar o Índice de Felicidade de Macau, a Associação de Pesquisa e Sondagens falou com 1505 residentes. Os resultados foram semelhantes aos do ano passado: o grau de felicidade do território foi avaliado em 71.6 pontos, apenas 0.1 acima dos obtidos em 2010.

Um dos objectivos do estudo era determinar a correlação entre os níveis de satisfação da população e as políticas governamentais, mesmo a tempo da apresentação das Linhas de Acção Governativa que vão ser anunciadas no próximo mês. Neste aspecto, a política de habitação é apontada como a área menos satisfatória, recebendo apenas 51.5 pontos.

O estudo indica que há “diferenças significativas nos índices de felicidade dependendo do tipo de casa em que os inquiridos moram”. O tipo de residência que mais contribui para a infelicidade da população é a habitação social (67.8 pontos). Ter casa própria é a opção que reúne mais adeptos (72.6 pontos). Pelo meio ficam as habitações económicas (68.6) e as alugadas no mercado privado (70.3).

Perante uma vasta audiência de residentes, na sede da Associação Sin Meng, Melinda Chan explicou que na altura da elaboração do estudo ainda não tinham sido divulgados os preços finais das habitações da Rua da Tranquilidade. A deputada acredita que o grau de satisfação “seria ainda menor se o inquérito tivesse decorrido depois do anúncio dos preços”.

“O Governo devia melhorar a transparência do sistema de habitação económica. E devia explicar como foram definidos os valores das casas da Rua da Tranquilidade, para que as pessoas possam tomar a melhor opção”, alertou Melinda Chan. “Colocar residentes em habitações sociais não torna, só por si, as pessoas mais felizes”, acrescentou.

Idosos afastados da família

Duas novas questões foram este ano introduzidas no inquérito. “Quanto tempo por dia passa a falar com membros da sua família?” foi uma delas. A média indica que os residentes passam quase uma hora e meia (86.6 minutos) do seu dia a falar com familiares. No entanto, uma avaliação por idades demonstra que os mais velhos fazem-no significativamente menos, com uma média de 63 minutos. No grupo da terceira idade, 24 por cento dos inquiridos não mantêm qualquer contacto diário com a família.

Quando questionados sobre o aparelho eléctrico que mais valorizam e cuja avaria lhes causaria maior tristeza – outras das novas perguntas – a maioria dos residentes idosos (com mais de 60 anos) escolheu a televisão.

Sobre estes números, Melinda Chan diz-se estupefacta. A ausência de contacto diário com a família “explica porque é que os cidadãos seniores se sentem infelizes quando ficam sem televisão”. “Comunicar com os mais velhos é da responsabilidade de todos os membros da família”, diz a deputada, que sugere que o trabalho voluntário com idosos seja incentivado pelo Governo através de, por exemplo, subsidiação da formação de voluntários nessa área.

De volta aos aparelhos eléctricos, o estudo apurou que, em termos gerais, é a avaria dos smartphones que mais afecta o estado de espírito dos inquiridos – 23,8 por cento sentem-se mais infelizes sem eles. Na lista segue-se o computador (22,8 por cento) e o ar condicionado (15,6 por cento). Quase no fim da lista, com 3,4 pontos percentuais, fica o frigorífico, abaixo dos relógios e da televisão.

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